Revista britânica critica atuação de ministros e afirma que disputa envolvendo Banco Master pode ampliar a desconfiança sobre a Corte
A crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) ganhou destaque na imprensa internacional. Em uma análise publicada nesta quinta-feira (10), a revista britânica The Economist afirmou que a Corte, antes apresentada como uma instituição de defesa da democracia diante das ameaças contra o sistema constitucional, agora enfrenta um cenário de forte desgaste e questionamentos.
O texto relaciona a atual crise às investigações envolvendo o Banco Master e ao embate entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça. Para a publicação, o episódio pode ter consequências que ultrapassam a disputa interna no Supremo e atingir a confiança da população nas instituições brasileiras.
A revista também resgata o processo que levou à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado. Segundo a análise, durante aquele período o STF sofreu ameaças, inclusive no cenário internacional, com manifestações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Na avaliação da Economist, entretanto, a posição da Corte no debate público brasileiro teria mudado. A publicação afirma que o Supremo passou de símbolo da resistência democrática a alvo de críticas relacionadas à sua própria atuação.
Alexandre de Moraes ocupa papel central na análise da revista. A Economist questiona decisões do ministro relacionadas às redes sociais e ao inquérito das Fake News, além de levantar críticas sobre a concentração de diferentes funções no andamento das investigações.
A publicação também menciona informações sobre contatos entre Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, reveladas no contexto de documentos ligados às investigações da Polícia Federal. O episódio, segundo a revista, contribuiu para aumentar a tensão entre Moraes e Mendonça, responsável pela relatoria do caso relacionado ao Banco Master.
O conflito ganhou ainda outra dimensão com decisões de Mendonça envolvendo o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. A Economist relata que a corporação reagiu às medidas e acusou o ministro de interferir na produção de provas.
A revista estabelece ainda uma comparação com o período em que Mendonça comandou o Ministério da Justiça durante o governo de Jair Bolsonaro. Naquela ocasião, segundo a publicação, ele esteve à frente da pasta quando foi produzido um dossiê sobre policiais e acadêmicos considerados adversários pelo então presidente.
Para a revista britânica, a crise no STF ocorre em um momento especialmente sensível, com a proximidade das eleições gerais de 4 de outubro. Na avaliação da publicação, o desgaste da Corte pode oferecer novos argumentos a grupos ligados ao bolsonarismo no Congresso e aumentar a pressão política em torno das investigações do Banco Master.
A Economist também avalia que eventuais falhas processuais podem ser utilizadas para questionar a validade das investigações e, em determinadas circunstâncias, abrir caminho para pedidos de encerramento dos procedimentos.
No entendimento apresentado pela publicação, os efeitos da crise podem alcançar não apenas ministros do Supremo ou políticos diretamente relacionados ao caso, mas a própria percepção da sociedade sobre as instituições democráticas. A revista encerra sua análise apontando a democracia como a principal afetada pelo avanço da desconfiança em relação ao STF.