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Trabalhadores de terceirizada protestam por salários e direitos atrasados em Feira de Santana

A manifestação ocorre após atrasos no pagamento de salários, auxílio-alimentação e depósitos do FGTS.

Por Rafa
quarta-feira, 14 de janeiro de 2026
Foto: JP Miranda
Foto: Foto: JP Miranda

Trabalhadores da empresa Asa Nordeste, terceirizada que presta serviços à Belgo Arames, realizaram um protesto na manhã desta quarta-feira (14), em frente à unidade da Belgo, no bairro Tomba, em Feira de Santana. A manifestação ocorre após atrasos no pagamento de salários, auxílio-alimentação e depósitos do FGTS.

Os funcionários, que produzem materiais como pregos, arames e telas, denunciam que estão há semanas sem receber e afirmam que toda a produção da Asa Nordeste é destinada exclusivamente à Belgo, com produtos saindo etiquetados com a marca da multinacional.

Presente no ato, o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Thiago Reis, afirmou que o sindicato acompanha a situação há meses e cobra responsabilidade da Belgo diante do vínculo direto com a terceirizada.

Foto: JP Miranda

“Estamos aqui junto com os trabalhadores da Asa Nordeste, que produzem exclusivamente para a Belgo. Tudo o que é fabricado lá sai com a etiqueta da Belgo Bekaert. Os trabalhadores retornaram de férias e encontraram o galpão sem energia, com salário atrasado, FGTS e cesta básica também em atraso”, afirmou.

Segundo Thiago, a empresa não atende às tentativas de contato feitas por trabalhadores e pelo sindicato.

“O RH informou que a empresa não tem dinheiro para pagar. O proprietário mora em Minas Gerais, não atende ligações, e os trabalhadores ficam sem resposta. Não é possível que uma empresa que trabalhou exclusivamente por mais de 16 anos para a Belgo chegue a esse ponto sem que haja responsabilização”, ressaltou.

Foto: JP Miranda

O sindicalista também demonstrou preocupação com a retirada de máquinas da unidade da Asa Nordeste, o que poderia inviabilizar qualquer cobrança futura por parte dos trabalhadores.

“As máquinas que estão lá pertencem à Belgo, estão todas etiquetadas. Já houve tentativa de retirada de maquinário, e só não aconteceu porque os trabalhadores impediram. Se essas máquinas saírem, os trabalhadores ficam sem salário e sem a quem recorrer”, disse.

Diante do impasse, o sindicato informou que irá acionar o Ministério Público do Trabalho.

“Se não houver resposta, na segunda-feira estaremos no Ministério Público com esses trabalhadores para pedir intervenção. É uma situação grave, com salários, FGTS e alimentação atrasados. Não vamos desistir até encontrar uma solução”, afirmou.

O trabalhador Antônio Carlos descreveu a situação enfrentada pelos funcionários.

Foto: JP Miranda

“Já estamos há mais de 30 dias sem receber salário, fora o valor da alimentação e o FGTS, que nunca foi depositado. A gente liga para o patrão e não consegue falar. As contas chegam, tem luz, água, supermercado, pensão alimentícia. A gente vem trabalhar todo dia e não recebe o que é nosso por direito”, desabafou.

Outro funcionário, Sidney de Jesus Ferreira, destacou o impacto financeiro e emocional da falta de pagamento.

Foto: JP Miranda

“As dívidas não esperam, a barriga não espera. Não temos nenhum centavo no bolso para cumprir com nossas obrigações. Um joga a responsabilidade para o outro, mas a Asa e a Belgo têm vínculo. A gente só quer uma resposta”, afirmou.

Já Yuri Bispo cobrou um posicionamento claro das empresas envolvidas.

“Temos família, precisamos do pão de cada dia. Mudaram a forma de pagamento, atrasaram tudo e agora querem tirar as máquinas. A gente só quer uma resposta. Se for para lutar pelos nossos direitos, a gente vai lutar”, concluiu.

Foto: JP Miranda

Posicionamento da Belgo Arames

Em nota, a Belgo Arames informou que cumpre integralmente todas as obrigações contratuais e legais junto à Asa Nordeste. A empresa esclareceu que a fornecedora atua na industrialização sem vínculo de terceirização ou subordinação, Confira a nota na íntegra:

A Belgo Arames esclarece que cumpre integralmente todas as obrigações contratuais e legais junto à Asa Nordeste. A empresa fornecedora atua na industrialização, sem vínculo de terceirização ou subordinação, sendo a única responsável pela gestão do seu negócio e pela administração de seus empregados e obrigações trabalhistas. O contrato vigente entre as duas empresas não prevê exclusividade na prestação de serviços.

Desde que tomou conhecimento das manifestações dos empregados da Asa Nordeste, a Belgo Arames acompanha a situação e espera uma solução breve.

A empresa ressalta que o episódio não impacta as operações da companhia, que segue com produção, comercialização e abastecimento do mercado normalmente, sustentada por sua solidez operacional e compromisso com clientes e parceiros.

O De Olho na Cidade entrou em contato com a empresa Asa Nordeste, mas até o momento não houve retorno.

*Com informações do repórter JP Miranda

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