13/06/2026
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Trabalhadores e empresários confrontam posições sobre o fim da escala 6x1

Representantes de sindicatos, setor empresarial e especialista em saúde do trabalhador discutem impactos econômicos, sociais e mentais da possível mudança na jornada

Redação:
segunda-feira, 02 de março de 2026 às 20:18
Imagem de Trabalhadores e empresários confrontam posições sobre o fim da escala 6x1

O programa De Olho na Cidade, da Rádio Sociedade News FM, promoveu uma roda de conversa para discutir a proposta que prevê o fim da escala 6x1, atualmente em análise na Câmara dos Deputados e já em tramitação na Comissão de Constituição e Justiça. O tema tem dividido opiniões em todo o país e ganhou destaque especialmente em ano eleitoral.

Participaram do debate o advogado e médico do trabalho Dr. Luccas Almeida, o presidente do Sicomércio Feira de Santana Marco Silva, o presidente do Sindborracha Oberdan Cerqueira e a professora e dirigente sindical Jussara Pinho, representante da CTB e da APLB.

Defensor da mudança, Oberdan avaliou que o momento político pode ser decisivo para a aprovação da proposta.

“É um ano atípico, um ano de decisão nossa. Se essa escala 6x1 não for aprovada agora, talvez nunca seja. É uma escala cansativa, principalmente para quem trabalha em turnos fixos. Essa é nossa oportunidade de mudar.”

Segundo ele, a redução da jornada poderia gerar novos postos de trabalho.

“Se você cria mais um turno, vai precisar contratar mais mão de obra. Quem ganha é a sociedade, ganha a cidade e ganha o trabalhador.”

O médico do trabalho Dr. Luccas Almeida trouxe uma análise técnica baseada na saúde ocupacional. Ele lembrou que a jornada de até 44 horas semanais está prevista na Constituição de 1988, mas ponderou que o debate precisa considerar os fatores psicossociais.

“Hoje a gente fala muito de depressão, ansiedade, burnout e aumento de afastamentos. Mas o que pesa não é só a quantidade de dias trabalhados, é a organização do trabalho e a demanda diária.”

Ele demonstrou preocupação com uma redução da jornada sem planejamento.

“Se eu reduzo numericamente as horas e aumento qualitativamente a cobrança, posso piorar a situação. Além disso, parte dos trabalhadores pode buscar renda complementar na informalidade. Precisamos discutir saúde de forma ampla.”

Para Jussara Pinho, a discussão envolve qualidade de vida, especialmente para mulheres trabalhadoras.

“A jornada 6x1 é extenuante e para as mulheres é ainda mais pesada, porque além do trabalho formal, elas continuam responsáveis pela maior parte das tarefas domésticas.”

Ela ressaltou que a pauta não surgiu apenas por causa do calendário eleitoral.

“Esse projeto vem sendo discutido historicamente pelos sindicatos. O fim da escala 6x1 é um pilar da garantia de direitos e da qualidade de vida do povo brasileiro.”

A dirigente também citou experiências internacionais: “Há países produtivos, como Canadá, Austrália e Reino Unido, que trabalham com jornadas menores. A tecnologia avançou e a relação de trabalho também precisa evoluir.”

Representando o comércio, Marco Silva defendeu que a discussão precisa ser técnica e estruturada.

“Não é uma briga entre empresários e trabalhadores. Todo mundo é a favor de mais qualidade de vida. Mas precisamos de um projeto claro. Tudo feito no calor da emoção pode gerar decisões equivocadas.”

Ele alertou para possíveis impactos nas pequenas e médias empresas e para o risco de aumento da informalidade.

“Se não houver compensações e planejamento, pode haver pejotização e perda de postos formais. A convenção coletiva é o instrumento mais democrático para tratar dessas realidades específicas.”

Marco também ressaltou que já existem setores com jornadas menores e que a discussão deve considerar as particularidades de cada segmento.

Apesar das divergências, houve concordância de que o debate deve continuar. Para Dr. Luccas, o consenso pode surgir se a discussão for ampliada.

“Se a gente discutir não apenas a escala, mas também organização do trabalho, fiscalização e saúde mental, acho possível chegar a um equilíbrio.”

Já Jussara defendeu que o consenso já está posto na sociedade: “Os trabalhadores vêm mostrando, na prática, que precisam de mais tempo e qualidade de vida.”

A proposta ainda depende de votação na Câmara dos Deputados e, posteriormente, no Senado Federal. Enquanto parlamentares discutem a mudança, o tema mobiliza trabalhadores, sindicatos, empresários e especialistas em todo o país.

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