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Vape avança entre jovens na Bahia e já atinge 1 em cada 5 adolescentes, aponta IBGE

Crescimento do cigarro eletrônico contrasta com a queda no uso do tabaco tradicional e acende alerta de especialistas para os riscos à saúde e a falta de fiscalização sobre os dispositivos.

Redação:
segunda-feira, 06 de abril de 2026 às 10:39
Imagem de Vape avança entre jovens na Bahia e já atinge 1 em cada 5 adolescentes, aponta IBGE

O avanço do uso de dispositivos eletrônicos para fumar, conhecidos como “vapes”, entre adolescentes tem preocupado especialistas em saúde e autoridades. Apesar da redução no consumo do cigarro tradicional, os dados mais recentes mostram uma mudança no perfil dos usuários e indicam novos desafios no combate ao tabagismo.

De acordo com levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entre 2019 e 2024 houve uma leve queda na proporção de estudantes baianos de 13 a 17 anos que já experimentaram cigarro convencional, passando de 12,9% para 12,3%. No Brasil, a redução foi mais significativa, caindo de 22,6% para 18,5%.

Por outro lado, o uso de cigarros eletrônicos cresceu de forma acelerada. Na Bahia, o percentual de adolescentes que já experimentaram vape mais que dobrou, saltando de 9,6% para 21,2% — o equivalente a cerca de um em cada cinco jovens. Em nível nacional, o índice subiu de 16,8% para 29,6% no mesmo período.

A pneumologista Dra. Alana de Medeiros Nelli explica que esse cenário reflete uma mudança geracional no comportamento em relação ao tabagismo.

“O Brasil acompanhou o movimento mundial de campanha anti-tabagismo, mas hoje vivemos um renascimento do hábito por meio dos dispositivos eletrônicos pra fumar”, destacou.

Segundo a especialista, pessoas com mais de 50 anos vivenciaram campanhas intensas de combate ao cigarro e eram os principais consumidores do modelo tradicional. Já os jovens não tiveram esse mesmo contato com ações educativas mais contundentes.

“Os indivíduos com menos de trinta anos não viveram essa época de campanha forte. Muito pelo contrário, têm acesso fácil a informações e acabam sendo expostos a ideias que não são boas, como o uso do vape associado ao bem-estar e à aceitação em grupos sociais”, alertou.

Riscos maiores e pouca fiscalização

A médica também chama atenção para os riscos associados aos dispositivos eletrônicos, que muitas vezes são subestimados pelos usuários.

“As concentrações de nicotina dos dispositivos eletrônicos são muito maiores e difíceis de mensurar, devido à irregularidade do comércio”, explicou.

Além disso, ela ressalta que a falta de fiscalização amplia os perigos.

“Os dispositivos eletrônicos não têm o mesmo controle que os cigarros convencionais. A disponibilização de nicotina atinge níveis impressionantes”, afirmou.

Outro ponto preocupante são os componentes presentes no vapor inalado.

“Dentro do líquido que se transforma em vapor, encontramos metais pesados, solventes e substâncias químicas perigosas, que jamais seriam consumidas de outra forma”, disse.

A pneumologista ainda destaca riscos físicos associados ao uso.

“Há risco de explosão, lesões de vias aéreas, cavidade oral e face, além da exposição de outras pessoas, que acabam se tornando fumantes passivos desse tipo de dispositivo.”

Diante do avanço do consumo entre adolescentes, a especialista defende que a prevenção deve começar ainda na infância, com o envolvimento da família e da escola.

“Precisamos atuar nos níveis mais básicos, começando pela conscientização das crianças no ambiente escolar”, afirmou.

Ela também ressalta a importância de orientar pais e responsáveis sobre a realidade vivida pelos jovens.

“Muitas vezes, os pais acreditam que os filhos estão apenas brincando, mas dependendo de como foram apresentados ao vape, ele pode fazer parte dessas interações”, alertou.

Por fim, a médica aponta que as redes sociais podem ser aliadas na reversão desse cenário.

“Assim como houve campanhas fortes contra o cigarro no passado, precisamos usar as redes sociais como ferramenta de conscientização”, concluiu.

*Com informações da repórter Isabel Bomfim

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