09/06/2026
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Abaíra lidera qualidade de vida na Bahia; Salvador está entre as piores capitais do país, aponta IPS 2026

IPS 2026 mostra cidade da Chapada Diamantina no topo do ranking estadual, enquanto Salvador figura entre as quatro capitais com pior qualidade de vida do país e Bahia ocupa apenas a 22ª posição nacional

Victória SilvaRedação: Victória Silva
quarta-feira, 20 de maio de 2026 às 12:41
uma área de vegetação de transição da Chapada Diamantina
Foto Elói Corrêa/ GovBA

A pequena cidade de Abaíra, localizada na Chapada Diamantina, foi apontada como o município com melhor qualidade de vida da Bahia, segundo o relatório do Índice de Progresso Social (IPS) 2026, divulgado nesta quarta-feira (20). Com cerca de 7,4 mil habitantes, a cidade alcançou 65,14 pontos no índice geral, superando a média nacional, de 63,40, e ficando à frente de todos os demais municípios baianos no ranking estadual.

O desempenho de Abaíra foi impulsionado principalmente pelos indicadores relacionados às necessidades humanas básicas, que avaliam acesso à saúde, saneamento, moradia, alimentação e segurança. Nesse grupo, o município obteve 81,75 pontos, resultado acima da média brasileira. Nos demais critérios avaliados pelo estudo, a cidade registrou 61,53 pontos em Fundamentos do Bem-Estar e 52,14 em Oportunidades.

Apesar da liderança estadual de Abaíra, o levantamento expõe desigualdades dentro da Bahia. A capital baiana, Salvador, apareceu apenas na 15ª colocação entre os municípios do estado, com 62,18 pontos no índice geral. No cenário nacional, Salvador ocupa a quarta pior posição entre as capitais brasileiras, ficando abaixo da média nacional e à frente apenas de Porto Velho, Macapá e Maceió.

Segundo o estudo, os principais gargalos de Salvador estão nas necessidades humanas básicas, especialmente em indicadores relacionados à alimentação, saúde, moradia, saneamento e segurança. Em contrapartida, a capital supera Abaíra no eixo de bem-estar, especialmente em educação e acesso à informação, alcançando 69,75 pontos, contra 61,53 da cidade da Chapada.

Conhecida como a “capital baiana da cachaça”, Abaíra também se destaca pela tradição bicentenária na produção da bebida, considerada uma das principais atividades econômicas do município. A identidade local é fortemente ligada à produção artesanal de cachaça, com direito até a um monumento em formato de garrafa gigante instalado na praça central da cidade. A produção anual gira em torno de 57 mil garrafas, comercializadas principalmente para Salvador e cidades da Chapada Diamantina, como Seabra e Mucugê.

Além da cachaça, a economia de Abaíra é sustentada pela agricultura familiar, com destaque para o cultivo da cana-de-açúcar, além de culturas como feijão, milho e mandioca. Outro dado que chama atenção é o perfil populacional do município: cerca de 26% dos moradores têm 60 anos ou mais, colocando a cidade entre as maiores proporções de idosos da Bahia.

No ranking estadual de qualidade de vida, outros municípios também aparecem entre os mais bem colocados, como Lauro de Freitas, com 63,76 pontos, e Valente, com 63,57. Completam o top 10: Itiruçu, Tanque Novo, Presidente Dutra, Madre de Deus, Catu, Barreiras e Ibiassucê.

No cenário estadual, a Bahia aparece apenas na 22ª posição entre os estados brasileiros em qualidade de vida, com 58,72 pontos, também abaixo da média nacional. O levantamento mostra que os melhores desempenhos do país estão no Distrito Federal, São Paulo e Santa Catarina, enquanto Acre, Maranhão e Pará ocupam as últimas posições.

O IPS avalia 57 indicadores sociais e ambientais organizados em três grandes dimensões: Necessidades Humanas Básicas, Fundamentos do Bem-Estar e Oportunidades. O levantamento mede as condições de vida nos 5.570 municípios brasileiros, permitindo comparar acesso a serviços essenciais, educação, inclusão social, direitos individuais e desenvolvimento humano.

Em nível nacional, o Brasil registrou 63,40 pontos no índice, com melhor desempenho em necessidades humanas básicas (74,58) e pior resultado em oportunidades (46,82), especialmente em indicadores ligados a direitos individuais, inclusão social e acesso ao ensino superior. O estudo também aponta melhora gradual na distribuição do progresso social, com centenas de municípios avançando para faixas superiores entre 2025 e 2026.

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