11/04/2026
...
De Olho na Cidade
InícioFeira de Santana e Sua História

Além de Georgina Erismann: conheça a história do Hino de Feira

O primeiro hino da cidade foi proposto pelo maestro Tranquilino Bastos, da Filarmônica Vitória, no ano de 1899.

Por Isabel Bomfim
domingo, 18 de setembro de 2022

Composto por Georgina Erismann em 1928, o Hino de Feira de Santana teve uma longa trajetória até ser consolidado. Em entrevista ao De Olho na Cidade, o historiador Aldo José Morais Silva, relatou que esse não foi o primeiro hino formulado para a cidade.

O primeiro hino da cidade foi proposto pelo maestro Tranquilino Bastos, da Filarmônica Vitória, no ano de 1899. 

“Esse primeiro hino se perdeu, temos registro no ‘Folha do Norte’ e na ‘Coluna da vida feirense’ que o maestro teria oferecido esse hino para ser executado na inauguração do quadro do coronel José Frei de Lima (que havia sido intendente do antigo prefeito da cidade entre 1892 e 1899). Chegou-se a executar esse hino, pelos registros, mas ele não ‘pegou’”, diz o historiador.

Acredita-se que o hino não se consolidou devido a disputas políticas por das filarmônicas, que antes eram a ‘25 de Março’ e ‘Vitória’. Cada uma apoiava posicionamentos políticos opostos, e por causa disso a cidade permaneceu sem um hino oficial por um tempo.

“Se o hino proposto por uma filarmônica vingasse, isso significaria, digamos assim, reconhecer certa proeminência daquele grupo político", explica Aldo Morais, que também é diretor do Centro Universitário de Cultura e Arte (CUCA).

A curiosidade interessante é que a obra proposta por Georgina Erismann não foi criada com a intenção de ser um hino municipal. O objetivo inicial era ser apresentado na Escola Normal de Feira de Santana, onde Erismann era professora de música e atuava na formação de outras professoras normalistas.

“Ela tinha esse hino como um dos muitos hinos que ela compôs para a formação das professoras normalistas. Esse hino era executado apenas no âmbito das escolas, e passou muito tempo sem ser reconhecido como um hino oficial”.

Na morte de Georgina Erismann, em 1940, seus feitos em vida foram celebrados, porém em momento algum é citada com a autora do hino da Princesa do Sertão. O que só ocorreu na década de 60.

Para explanar mais sobre o assunto, o historiador publicou o artigo “Imagens em versos e acordes: a representação da cidade de Feira de Santana através do seu hino”, onde conta detalhes da história e cada estrofe da obra é analisada e interpretada.

“Quando Georgina compõem o hino em 1928, os sentidos e os significados que ela dá para a letra, eles têm um entendimento que se perdeu ao longo dos anos. A gente canta hoje e reconhece a beleza lírica e poética do hino, mas os significados daquelas estrofes se perderam”.

Além de autora do hino e professora, Georgina Erismann foi pianista, compositora, poetisa e declamadora. Foi responsável por promover saraus lítero-musicais em Feira de Santana na década de 1920, e representando o estado baiano, em 1936, na Feira Artística, Industrial e Comercial da cidade de Campinas, São Paulo, em homenagem ao centenário de nascimento do maestro Carlos Gomes, por indicação do governador da época, Juraci Magalhães.

Compartilhar:

Nós utilizamos cookies para aprimorar e personalizar a sua experiência em nosso site. Ao continuar navegando, você concorda em contribuir para os dados estatísticos de melhoria. Conheça nossa Política de Privacidade e consulte nosso Termos de Uso.