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Alimentação, exercícios e saúde emocional: especialistas orientam mulheres 40+

Mesa-redonda reúne especialistas para discutir os desafios da saúde feminina na fase de transição hormonal

Redação:
sexta-feira, 06 de março de 2026 às 20:14
Imagem de Alimentação, exercícios e saúde emocional: especialistas orientam mulheres 40+

No mês dedicado às mulheres, uma mesa-redonda reuniu especialistas para discutir os desafios e cuidados com a saúde feminina após os 40 anos. O encontro integrou a programação especial do Março Mulher e abordou temas como nutrição, atividade física, saúde mental, sexualidade e fisioterapia pélvica, destacando a importância de uma abordagem multidisciplinar para garantir qualidade de vida nessa fase.

A médica Cláudia Souza, que conduziu a conversa, ressaltou que o Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, representa um marco da luta histórica das mulheres por direitos e igualdade.

“Todos os dias são dias da mulher, mas o dia 8 é especial porque marca a luta contra a violência, as injustiças sociais e as diferenças salariais. É uma data que simboliza a busca pelos direitos das mulheres”, destacou.

Segundo ela, apesar dos avanços conquistados, ainda existem desafios importantes. “É indiscutível a importância da mulher na sociedade. Somos as ‘porteiras do mundo’, afinal é através de nós que a vida acontece. Mas ainda enfrentamos questões como a dupla jornada de trabalho, violência e desigualdade salarial”, afirmou.

Alimentação deve mudar após os 40

A nutricionista Luciana Carvalho explicou que a partir dos 40 anos a mulher passa por mudanças hormonais que impactam diretamente o metabolismo e exigem ajustes na alimentação.

“A mulher entra no período da perimenopausa, quando começam as alterações hormonais. Muitas vezes ela ainda se sente com 20 ou 30 anos, mas o organismo já está mudando”, explicou.

Segundo ela, é comum que nesse momento apareçam sintomas como dificuldade para emagrecer, alterações no sono e aumento do cansaço.

“Ela diz: ‘sempre fiz isso e nunca engordei’. Mas agora o corpo reage diferente. É o momento de agir e adotar hábitos que talvez ela nunca tenha tido antes”, afirmou.

A nutricionista alerta que dietas restritivas não são a solução.

“Muitas mulheres querem resultados rápidos e começam dietas muito restritivas. Depois voltam aos hábitos antigos e o resultado se perde. O segredo é constância e disciplina”, destacou.

Luciana também recomenda maior consumo de proteínas na rotina alimentar.

“A mulher costuma ingerir pouca proteína. É importante incluir ovos, frango, carnes magras e peixe nas refeições principais. Isso ajuda na saciedade, na manutenção da massa muscular e na produção de energia”, disse.

Ela também explicou que a suplementação pode ser necessária em alguns casos.

“Após os 40 começam algumas deficiências nutricionais. Cálcio, vitamina D, magnésio e ômega 3 podem ser importantes, principalmente quando a alimentação não consegue suprir tudo”, explicou.

Exercício físico é essencial para longevidade

O educador físico Thedy Barros destacou que a prática regular de exercícios físicos é um dos pilares da saúde feminina, mas ainda é pouco adotada pela população.

“Menos de 10% da população mundial pratica exercício físico de forma regular. Isso é muito preocupante”, afirmou.

Segundo ele, muitas pessoas ainda associam atividade física apenas à estética, quando na verdade o principal objetivo é a manutenção da saúde.

“O exercício físico ajuda a prevenir doenças metabólicas como diabetes, hipertensão e problemas cardiovasculares. Também influencia na saúde mental, na qualidade do sono e até na imunidade”, explicou.

Thedy destacou que os exercícios de força são fundamentais para as mulheres.

“Após os 40 anos ocorre perda de massa muscular. Por isso, o treino de força é essencial para manter as capacidades funcionais do corpo”, disse.

Ele reforçou que não é necessário realizar treinos intensos.

“Não precisa levantar grandes pesos. Um simples exercício de sentar e levantar da cadeira já é um exercício de força”, exemplificou.

Para quem tem pouco tempo, ele sugere pequenas mudanças na rotina.

“Duas a três sessões por semana já trazem benefícios importantes e se não tiver uma hora disponível, pode fazer 20 minutos por dia”, orientou.

Sexualidade pode se fortalecer após os 40

A psicóloga e sexóloga Tatyane Varjão explicou que a sexualidade feminina não termina com a chegada da menopausa — pelo contrário, pode se tornar mais consciente e plena.

“Essa mulher não está em declínio, ela está em transição”, afirmou.

Segundo ela, a chamada “idade da loba” representa um momento de transformação.

“É a fase em que a mulher já construiu muitas coisas na vida e começa a olhar mais para si mesma, para seus desejos e para sua autonomia”, explicou.

Tatyane destacou que sexualidade vai muito além do ato sexual.

“Sexualidade é como eu me relaciono comigo mesma, com o outro e com o mundo. O sexo é apenas um dos pilares”, disse.

Ela também reforçou a importância da saúde emocional.

“O desejo sexual é emocional. Se a mulher está sobrecarregada, cansada ou sem tempo para si, esse desejo diminui”, explicou.

Para a psicóloga, o acompanhamento terapêutico pode ajudar nesse processo de autoconhecimento.

“A terapia convida a mulher a voltar para si, a entender sua história, suas necessidades e a viver essa fase com mais consciência e equilíbrio”, afirmou.

Fisioterapia pélvica ajuda a tratar problemas comuns

A fisioterapeuta pélvica Michele Versalli chamou atenção para um problema muito comum entre mulheres após os 40 anos: a perda involuntária de urina.

“Muitas mulheres acreditam que é normal perder urina ao tossir, espirrar ou fazer esforço. Mas isso não é normal e tem tratamento”, explicou.

Segundo ela, a fisioterapia pélvica fortalece a musculatura do assoalho pélvico e pode tratar diversas disfunções.

“Essa musculatura sustenta órgãos importantes como bexiga, útero e intestino. Quando ela está enfraquecida, podem surgir problemas como incontinência urinária e dor na relação sexual”, disse.

Michele também alertou sobre a diferença entre fisioterapia pélvica e pompoarismo.

“O pompoarismo não substitui a fisioterapia. Cada mulher precisa de uma avaliação individual para saber qual exercício é adequado”, destacou.

Cuidado integral é o caminho

Durante o encontro, os especialistas reforçaram que a saúde feminina após os 40 anos exige uma visão integrada.

Nutrição adequada, atividade física, saúde emocional e cuidados específicos com o corpo formam um conjunto essencial para garantir qualidade de vida e bem-estar nessa fase.

“Quando a mulher entende seu corpo e cuida de forma integral da sua saúde, ela consegue viver essa fase com muito mais leveza e plenitude”, concluiu Dra. Cláudia.

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