As alterações fazem parte da chamada reforma da renda e exigem atenção redobrada de pessoas físicas e jurídicas
A contadora Gabriela Trindade destacou as principais mudanças previstas no Imposto de Renda a partir de 2026, com impactos diretos tanto para contribuintes de baixa e média renda quanto para aqueles que recebem lucros e dividendos. As alterações fazem parte da chamada reforma da renda e exigem atenção redobrada de pessoas físicas e jurídicas.
Um dos pontos mais relevantes é a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para pessoas físicas. A partir de 2026, quem recebe até R$ 5 mil em rendimentos tributáveis ficará isento do pagamento do imposto. Até 2025, esse limite era de aproximadamente R$ 2.824.
“Essa ampliação gera um impacto extremamente positivo, porque uma boa parte dos contribuintes, estima-se cerca de 10 milhões de brasileiros, deixará de recolher o Imposto de Renda, principalmente pessoas de baixa e média renda”, explicou Gabriela.
Segundo a contadora, além do alívio no bolso do contribuinte, a medida tende a aquecer a economia.
“Na prática, esse dinheiro vai voltar para o comércio e para a movimentação da economia, porque essas pessoas terão mais disponibilidade para gastar, investir em saúde, educação, lazer. De fato, existe um impacto positivo”, afirmou.
Por outro lado, a reforma também traz aumento de carga tributária para quem recebe valores mais elevados por meio de lucros e dividendos. Até 2025, esse tipo de rendimento era isento de Imposto de Renda. A partir de 2026, passa a ser tributado quando ultrapassar R$ 50 mil.
“Quem receber dividendos acima de cinquenta mil reais terá o valor excedente tributado em 10%. Essa tributação será feita na fonte, ou seja, não é a pessoa física que vai recolher o imposto. A própria empresa já faz a retenção ao distribuir o lucro”, esclareceu.
Diante das mudanças, Gabriela Trindade reforça a importância da preparação e do planejamento tributário.
“A gente precisa se preparar. Tem muita coisa nova em 2026, não só relacionada à reforma da renda, mas também à reforma do consumo. É fundamental se atualizar constantemente com as novas regras”, alertou.
Outro ponto de atenção, segundo a contadora, é o avanço no sistema de cruzamento de dados da Receita Federal.
“A Receita Federal tem aumentado, a cada ano, o cruzamento entre movimentação bancária e o que o contribuinte declara, tanto pessoa física quanto jurídica. As secretarias estaduais também fazem esse monitoramento”, destacou.
Ela ressalta ainda a necessidade de orientar os clientes sobre organização financeira e documental.
“É muito importante seguir com o planejamento tributário, tanto da pessoa física quanto da pessoa jurídica, especialmente para clientes de média e alta renda. Também é essencial se organizar em relação ao fluxo de caixa e manter toda a documentação em dia, garantindo que o lastro fiscal esteja compatível com a movimentação bancária”, concluiu.
*Com informações do repórter JP Miranda