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Ansiedade, medo e autocobrança: especialista alerta para riscos à saúde mental no Janeiro Branco

Brasil lidera ranking mundial de ansiedade, e campanha chama atenção para o cuidado com as emoções

Por Rafa
sábado, 10 de janeiro de 2026

Durante o mês de conscientização sobre a saúde mental, a campanha Janeiro Branco foi tema de entrevista no programa De Olho na Cidade, da Rádio Sociedade, com o psicoterapeuta Dr. Diego Wildeberger. O especialista destacou a necessidade de desacelerar, olhar para si e compreender as emoções como caminho fundamental para uma vida mais equilibrada.

Segundo Diego, o Janeiro Branco não tem como foco apontar doenças, mas promover consciência.

“O Janeiro Branco não tem como objetivo falar do problema em si, mas da tomada de consciência sobre a importância de cuidar das emoções. Janeiro é um mês de muitas cobranças, promessas e pendências do ano anterior, o que gera uma sobrecarga emocional muito grande”, explicou.

O psicoterapeuta ressaltou que sintomas como ansiedade, insônia e depressão não devem ser encarados como o problema em si, mas como sinais de algo mais profundo.

“Esses sintomas não são o problema, eles são apenas alertas. O problema está por trás disso. A pergunta que eu faço é: o que está tirando o seu sono?”, afirmou.

De acordo com Diego, o medo está na base da maioria dos problemas emocionais.

“Medo da autocobrança, da comparação, do julgamento, de perder algo, até da morte – seja ela financeira, moral ou de um relacionamento. A mente cria estratégias para se proteger, mesmo que isso traga prejuízos”, pontuou.

Entre esses mecanismos de defesa estão a procrastinação, a autossabotagem, dependência emocional e até compulsões.

“A procrastinação, por exemplo, nada mais é do que medo. Ou medo de não dar conta, ou de enfrentar uma responsabilidade”, explicou.

O psicoterapeuta chamou atenção para dados alarmantes sobre saúde mental no país.

“O Brasil é o país com maior número de diagnósticos de transtorno de ansiedade no mundo. Isso mostra o quanto campanhas como o Janeiro Branco são necessárias para incentivar as pessoas a buscar ajuda”, destacou.

Ele lembrou ainda que, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), saúde não é apenas ausência de doença.

“Saúde é equilíbrio entre cinco pilares: espiritual, social, físico, emocional e financeiro. Os pilares emocional e financeiro são as verdadeiras bases da vida”, afirmou.

Durante a entrevista, Diego alertou para os impactos físicos das emoções não tratadas. “O que a gente não cura na mente, o corpo tenta resolver. Hoje já é comprovado que doenças como câncer e fibromialgia são altamente influenciadas por questões emocionais mal resolvidas”, disse.

Para o psicoterapeuta, a autorreflexão é essencial no processo de mudança. Ele chegou a propor um exercício simples aos ouvintes.

“Pare por dois minutos e responda por escrito: como está meu corpo hoje? Qual emoção está mais presente? E quais pensamentos estão afetando meu estado emocional?”, sugeriu.

Segundo ele, escrever ajuda a sair do campo puramente emocional e acessar a razão. “Pensamento gera emoção, e emoção define comportamento. Quando você entende isso, começa a retomar o controle da própria vida”, completou.

Além da psicoterapia tradicional, Diego Wildeberger falou sobre o uso da hipnose clínica como ferramenta complementar.

“A hipnose é um catalisador. Muitas vezes a pessoa passa anos na terapia sem conseguir tocar em um assunto doloroso. A hipnose ajuda a acessar e ressignificar essas emoções”, explicou.

Ele também destacou a meditação como aliada. “Ou estamos em transe, vivendo no passado ou no futuro, ou estamos em estado meditativo, no presente. Hipnose e meditação são ferramentas irmãs e se complementam”, afirmou.

Questionado sobre como manter o equilíbrio emocional em um mundo de cobranças e excesso de estímulos, o psicoterapeuta foi direto: “Desinstala o Instagram, o TikTok, larga o celular um pouco. As telas são grandes geradoras de ansiedade”.

Sobre metas de início de ano, Diego orientou que elas sejam realistas. “Se a meta não for específica, mensurável, alcançável, realista e com prazo, ela vai gerar frustração e aumentar a autocobrança”, alertou.

Diego Wildeberger reforçou a importância de desmistificar a terapia. “Terapia não é para quem tem problema, é para quem quer organizar a vida. É um espaço para entender o que acontece na nossa mente e nas nossas emoções”, concluiu.

O psicoterapeuta atende em Feira de Santana e também realiza atendimentos online. Mais informações podem ser encontradas em suas redes sociais, no perfil @diego.wildeberger ou pelo site hipnosesalvador.com.br.

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