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Anvisa amplia uso do Mounjaro para crianças e adolescentes a partir de 10 anos; especialista alerta para benefícios e cuidados

Endocrinologista destaca impacto da medida no combate ao avanço da obesidade e do diabetes tipo 2 entre jovens, mas reforça necessidade de acompanhamento médico rigoroso

Redação:
segunda-feira, 27 de abril de 2026 às 17:49
Imagem de Anvisa amplia uso do Mounjaro para crianças e adolescentes a partir de 10 anos; especialista alerta para benefícios e cuidados

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a ampliação do uso do medicamento Mounjaro (tirzepatida) para o tratamento de diabetes tipo 2 em crianças e adolescentes a partir de 10 anos. A decisão, divulgada na última quarta-feira (22), representa um avanço no enfrentamento da doença, que tem crescido entre o público mais jovem, especialmente em decorrência da obesidade.

Até então indicado apenas para adultos, o medicamento, conhecido popularmente como uma das “canetas emagrecedoras”, passa agora a integrar o arsenal terapêutico pediátrico contra o diabetes tipo 2. As demais indicações seguem restritas ao público adulto.

De acordo com o endocrinologista Dr. Levimar Araújo, a aprovação é um passo importante para conter o avanço da doença nas novas gerações.

“A aprovação dessa medicação para crianças e adolescentes é fundamental até para o futuro. A gente vai conseguir prevenir pré-diabetes e o diabetes no caso dessa criança já ter uma história familiar positiva”, afirmou.

O especialista chama atenção para o aumento expressivo do sobrepeso na população brasileira, fator diretamente ligado ao crescimento dos casos de diabetes tipo 2.

“Hoje nós temos quarenta por cento da nossa população com sobrepeso. Então isso aumenta a incidência de diabetes nessas pessoas”, destacou.

Segundo ele, cerca de 90% dos casos de diabetes tipo 2 têm relação com a obesidade, inclusive entre crianças e adolescentes.

O médico explica que o Mounjaro pertence a uma nova classe de medicamentos que atuam em diferentes mecanismos do organismo:

“São medicações chamadas de análogos que aumentam a secreção de insulina após a refeição e diminuem a liberação de glucagon, que eleva a glicose. Além disso, retardam o esvaziamento do estômago, fazendo com que a pessoa coma menos.”

Apesar dos benefícios, o endocrinologista alerta para os riscos do uso inadequado, principalmente em pacientes mais jovens.

“A gente pode ter excesso de dose e ter desidratação, náuseas e vômitos. É preciso muito cuidado com a dosagem. Se você usa uma dose maior para essa criança, pode inibir o apetite de forma exagerada e comprometer até o metabolismo do crescimento”, explicou.

Ele também ressalta que o medicamento ainda não está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS), o que limita o acesso.

“Ainda não há essa possibilidade de ter essa medicação no SUS. Seria muito interessante num futuro próximo, já que estamos caminhando para índices de sobrepeso acima de 54% no país, segundo dados do IBGE.”

O diabetes é caracterizado pela elevação constante da glicose no sangue (hiperglicemia), causada pela produção insuficiente ou pela má utilização da insulina pelo organismo. Sem tratamento adequado, pode levar a complicações graves como cegueira, insuficiência renal e amputações.

Por outro lado, o tratamento também exige equilíbrio, já que a redução excessiva da glicose pode causar hipoglicemia, levando a desmaios e risco de vida.

Dados do Ministério da Saúde apontam que a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) ainda não recebeu pedido para avaliar a tirzepatida para inclusão na rede pública.

Um estudo publicado em 2019 na revista Pediatric Diabetes estima que cerca de 213 mil adolescentes vivam com diabetes tipo 2 no Brasil, enquanto aproximadamente 1,5 milhão apresentam pré-diabetes.

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