Caminhada nesta quinta-feira (20) marcou o início das ações em Feira de Santana, com mobilização pela inclusão, respeito e garantia de direitos das pessoas com deficiência intelectual e múltipla
A APAE de Feira de Santana iniciou, nesta quinta-feira (20), as atividades da Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla, com uma caminhada pelas ruas da cidade. A mobilização teve como objetivo ampliar a visibilidade da causa e chamar a atenção da sociedade para a importância da inclusão, do respeito e da garantia de direitos.
A concentração aconteceu na Escola Normando Alves Barreto, sede da APAE, com destino à Praça Bernardino Bahia. A programação faz parte das ações realizadas pelas APAEs de todo o país entre os dias 21 e 28 de agosto.
Segundo a diretora da APAE de Feira de Santana, Mary Portugal, o tema deste ano, “Deficiência não define. Oportunidade transforma. Inclua nossa voz!” foi escolhido pelas próprias pessoas atendidas pela instituição.

“Tudo que a gente faz na APAE é por eles e para eles. Essa semana toda a gente tem o objetivo de trazer mesmo essa voz, esse grito, que eu digo que é mais do que uma voz. Esse grito é um apelo”, afirmou.
Mary destacou que, apesar dos avanços conquistados nos últimos anos, as pessoas com deficiência ainda enfrentam barreiras, principalmente relacionadas à falta de confiança da sociedade em relação às suas capacidades.
“A gente conhece muitas leis que nós temos, mas, de fato, ainda existem muitas barreiras. As pessoas agora estão nas escolas, nas faculdades, no trabalho, mas encontram uma barreira que é a incapacidade das pessoas que não acreditam que eles são capazes”, explicou.
Para a diretora, é necessário mudar a percepção sobre as pessoas com deficiência e reconhecer suas habilidades em diferentes áreas.
“A gente não fala de incapacidade, de maneira nenhuma, porque eles são capazes. Eles estão em programas, são artistas, são atletas, são estudantes, são trabalhadores. Eles estão em todos os lugares”, ressaltou.
A caminhada também representa uma estratégia para levar a pauta da inclusão para além dos espaços institucionais e aproximá-la da população. Mary Portugal lembrou que a APAE atua há 42 anos em Feira de Santana e defendeu que as próprias pessoas com deficiência tenham protagonismo na discussão sobre seus direitos.
“Essas pessoas precisam de visibilidade. A gente precisa estar nas ruas mesmo, a gente precisa que essa voz da deficiência seja ouvida. E eles estão aí, capazes de falar por eles mesmos”, afirmou.
A diretora também reforçou que a sociedade deve ouvir diretamente as pessoas atendidas pela instituição para compreender suas necessidades e desejos.
“Eu estou aqui falando toda semana, mas eu não estou falando por eles. Você pode entrevistar muitos aí que eles vão falar com vocês, vão dizer o que eles querem, o que eles necessitam”, declarou.
Além da caminhada, a APAE preparou uma série de atividades ao longo da Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla. Entre elas está uma live promovida pela Federação das APAEs da Bahia, com participação de profissionais para discutir temas relacionados à causa da pessoa com deficiência.
Também estão previstos encontros com famílias, atividades voltadas para jovens e momentos de lazer, além de debates sobre direitos e deveres.
Mary Portugal destacou que a inclusão precisa alcançar também as famílias, que desempenham papel fundamental no processo.
“A família também precisa ser ouvida”, afirmou.
A diretora explicou ainda que a APAE de Feira de Santana realiza um trabalho que alcança não apenas moradores do município, mas também pessoas de outras cidades da região. Atualmente, a instituição atende cerca de 1,5 mil pessoas diretamente em Feira de Santana e aproximadamente 9 mil em 46 municípios.
Mary também convidou a população a colaborar com a instituição. Segundo ela, a ajuda pode ocorrer de diferentes formas, não apenas por meio de contribuições financeiras.
“Ajuda para a APAE não é só financeira. A gente recebe trabalho voluntário. Nós temos muitos voluntários”, explicou.
A instituição também conta com a contribuição das famílias, doadores e da sociedade em geral para manter os serviços oferecidos.
A mobilização desta quinta-feira reforça a mensagem de que a inclusão deve ser construída com participação social e, principalmente, com o protagonismo das próprias pessoas com deficiência.
“A gente luta, em primeiro lugar, pela inclusão. A inclusão real, não a inclusão feita da maneira que é, e que acaba sendo uma expectativa que atrapalha muito a vida deles”, concluiu Mary Portugal.