20/08/2026
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Brasil perdeu mais de 6 mil agências bancárias nos últimos anos

Paralisação dos bancários nesta quinta-feira (20) ocorre em meio ao avanço da digitalização do setor; sindicato alerta para sobrecarga de funcionários e impactos na população

Victória SilvaRedação: Victória Silva
Bárbara Barreto Reportagem: Bárbara Barreto
quinta-feira, 20 de agosto de 2026 às 17:01
Imagem de Brasil perdeu mais de 6 mil agências bancárias nos últimos anos
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

As agências bancárias de Feira de Santana não funcionaram nesta quinta-feira (20), devido a uma paralisação de 24 horas aprovada pelos bancários durante a Campanha Nacional 2026. Com as unidades fechadas para atendimento presencial, apenas os terminais de autoatendimento permanecem disponíveis ao público.

A paralisação ocorre no mesmo dia em que ganham repercussão dados sobre a redução da estrutura física dos bancos no país. Nos últimos dez anos, o Brasil perdeu 37% das agências bancárias tradicionais, o equivalente a quase seis mil unidades. Atualmente, as agências físicas respondem por apenas 6% das operações do setor.

Em Feira de Santana, o movimento também pode ser percebido. Segundo informações do sindicato dos bancários, o Bradesco fechou uma unidade localizada na Avenida João Durval, o que resultou na demissão de 17 trabalhadores entre janeiro e agosto deste ano.

De acordo com informações disponíveis no site oficial do Bradesco, o banco possui atualmente quatro agências na cidade: duas na Avenida Getúlio Vargas, uma na Rua Conselheiro Franco e outra na Rua Senhor dos Passos. Em todo o país, o banco fechou 324 agências no primeiro semestre de 2026 e reduziu cerca de 2.400 postos de trabalho.

A instituição atribui o processo à mudança no comportamento dos clientes e ao avanço da transformação digital. Segundo o Bradesco, aproximadamente 98% das transações já são realizadas por canais digitais, como aplicativo de celular e internet banking.

Impacto vai além dos bancos

Para o economista Rosevaldo Ferreira, a redução das agências representa uma transformação inevitável diante do avanço tecnológico, mas ainda produz impactos sociais e econômicos, principalmente para quem depende do atendimento presencial.

“A digitalização dos serviços bancários tem sido brutal. Há 40 anos, para fazer uma movimentação bancária, você teria que ir a uma agência, pegar fila no caixa e fazer tudo de forma presencial. Hoje, a tecnologia permite que você, de casa, com o celular, acesse diversos serviços.”

Segundo o economista, idosos, aposentados e pessoas com menor nível de escolaridade estão entre os grupos que podem enfrentar mais dificuldades durante o processo de adaptação.

“Quem vai ser impactado com essa mudança são os idosos e pessoas de baixo nível de escolaridade que precisam ir à agência bancária no atendimento presencial, principalmente aposentados. Eles vão ter que se readequar, e nessa fase de readequação isso vai passar por um certo sofrimento.”

Rosevaldo também chama atenção para os efeitos sobre os pequenos negócios instalados no entorno das agências. A circulação de clientes costuma movimentar vendedores ambulantes, lojas e outros estabelecimentos comerciais.

“Quando você fecha essa agência, o comércio pequeno, os pequenos comércios locais que ficam ali, um vendedor de amendoim, um vendedor de milho, esse pessoal é impactado. Você perde o ponto comercial. Aí é um grande problema social e econômico.”

O economista reconhece que os serviços digitais conseguem compensar parte da ausência das unidades físicas, mas ressalta que o acesso à tecnologia ainda não é universal.

“Hoje ele consegue compensar muito a ausência das agências físicas. Mas até que ponto? A sensibilidade digital ainda não é para todos. Muita gente ainda precisa acessar presencialmente uma agência bancária.”

Sindicato cobra contratação e manutenção das agências

O presidente do Sindicato dos Bancários de Feira de Santana, Eritan de Carvalho, afirma que a redução da estrutura física também tem reflexos nas condições de trabalho dos funcionários.

Segundo ele, além das reivindicações econômicas da categoria, o sindicato tem cobrado dos bancos a abertura de novas agências e a contratação de trabalhadores.

“Nós também temos cobrado para que os bancos abram as agências e contratem mais funcionários, mas também deixem de demitir os bancários e utilizar desse mecanismo de ameaça de demissão, porque eles têm levado os bancários também a adoecer.”

O dirigente sindical também aponta redução da presença física de outras instituições em Feira de Santana. Segundo ele, o Itaú fechou duas agências, uma na Avenida Presidente Dutra e outra na Avenida Maria Quitéria. O Banco do Brasil encerrou uma unidade na região da Avenida Maria Quitéria, enquanto a Caixa Econômica Federal fechou uma agência na Fraga Maia.

“Essa redução de agências provoca prejuízo para os bancários, que acabam sendo sobrecarregados, mas também para a comunidade de um modo geral. Nós temos lutado para reverter esse quadro.”

Procura pelo atendimento presencial ainda existe

Apesar da expansão dos aplicativos e do internet banking, pesquisas apontam que uma parcela significativa dos brasileiros ainda utiliza as agências físicas.

Levantamento realizado pela Ipsos em diferentes regiões do país indica que três em cada cinco brasileiros ainda vão a uma agência para pagar contas. Metade dos entrevistados afirmou procurar uma unidade bancária para resolver problemas que poderiam, em alguns casos, ser solucionados pela internet ou por telefone.

A pesquisa também mostra que 44% dos entrevistados consideram a possibilidade de não precisar ir a uma agência como um dos motivos para optar por uma conta digital.

Com as agências fechadas durante a paralisação de 24 horas, os clientes podem utilizar os canais digitais e os terminais de autoatendimento disponíveis.

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