Levantamento aponta que todas as revisões do árbitro de vídeo envolvendo a equipe de Lionel Scaloni terminaram com decisões favoráveis durante o Mundial
A campanha da Argentina na Copa do Mundo de 2026 tem chamado atenção não apenas pelos resultados dentro de campo, mas também pelo retrospecto envolvendo o árbitro de vídeo. A seleção comandada por Lionel Scaloni alcançou a semifinal do torneio sem ter nenhuma decisão modificada pelo VAR em prejuízo da equipe.
Um estudo realizado pelo NetSI Sport, grupo de pesquisa ligado à Northeastern University, analisou as intervenções da tecnologia nas primeiras 97 partidas da competição e apontou que a Argentina teve quatro alterações de decisões a seu favor até as oitavas de final. O México aparecia com o mesmo número de revisões positivas no levantamento.
A pesquisa levou em consideração apenas lances em que o VAR efetivamente mudou uma marcação da arbitragem de campo. Situações em que o árbitro manteve a decisão inicial após a revisão ou reclamações sem análise oficial não foram contabilizadas.
Ao todo, o Mundial de 2026 já registrou 35 mudanças de decisões após atuação do VAR nos jogos analisados. O número supera as edições anteriores: foram 26 intervenções na Copa de 2022 e 22 no torneio de 2018, primeiro campeonato mundial com a utilização da tecnologia.
Nas quartas de final, diante da Suíça, a Argentina teve mais uma revisão favorável. O atacante Breel Embolo recebeu cartão vermelho após o VAR apontar que ele havia simulado uma falta, revertendo uma marcação inicial que beneficiava a equipe suíça.
A decisão gerou críticas do técnico Murat Yakin e da ex-árbitra da Fifa Christina Unkel, que questionaram se o protocolo do VAR poderia ser utilizado para alterar toda a interpretação de uma jogada, e não apenas corrigir a identificação do atleta envolvido no lance.
Com a nova intervenção, a Argentina chegou a pelo menos cinco decisões alteradas a seu favor no Mundial, mantendo o registro de nenhuma reversão contra a equipe até a semifinal.
As discussões envolvendo a arbitragem começaram logo na estreia argentina contra a Argélia. Após a derrota por 3 a 0, a federação do país apresentou reclamações sobre alguns lances, incluindo um contato envolvendo Lionel Messi e Aïssa Mandi que, segundo os argelinos, poderia ter resultado em expulsão do craque argentino.
Nas oitavas de final, contra o Egito, outro lance provocou debate. A seleção africana chegou a balançar as redes, mas o gol foi anulado depois que o VAR identificou uma falta de Marwan Attia sobre Lisandro Martínez na origem da jogada.
Nos minutos finais da partida, os egípcios também solicitaram pênalti em uma disputa entre Mohamed Salah e Julián Álvarez, mas a arbitragem considerou o contato normal e manteve a decisão. Pouco depois, a Argentina marcou o gol da classificação.
O chefe de arbitragem da Fifa, Pierluigi Collina, defendeu as decisões tomadas durante o torneio e explicou que todos os gols passam por análise da fase ofensiva que antecede a conclusão, sem uma regra fixa sobre tempo ou distância do lance irregular.
Apesar do saldo positivo nas revisões, o levantamento não aponta que exista favorecimento proposital à seleção argentina. Segundo os responsáveis pela pesquisa, os números mostram apenas o resultado das alterações feitas pelo VAR, sem indicar intenção dos árbitros.
Uma decisão revertida a favor de uma equipe pode significar apenas que a arbitragem de campo cometeu um erro e a tecnologia corrigiu a marcação. Dessa forma, o dado registrado é que a Argentina ainda não teve uma decisão modificada pelo VAR contra sua equipe.
O histórico, porém, aumentou os debates sobre a arbitragem antes da semifinal contra a Inglaterra e colocou novamente em evidência o papel da tecnologia nas decisões mais importantes da Copa.
*Com informações Bahia Notícias