Festa realizada neste sábado (24) reuniu moradores, artistas e percussionistas em celebração aos 36 anos do evento
As ruas do bairro Rua Nova, em Feira de Santana, voltaram a ser tomadas por música, samba e muita animação durante a realização do 36º Arrastão do Paletó, neste sábado (24). A festa popular reuniu moradores, artistas e admiradores da cultura local em um cortejo marcado pela tradição, pelo uso simbólico do paletó e pela valorização das raízes culturais do bairro.
Fundador do Arrastão, Edmilson Jesus da Paixão, conhecido como Neguinho da Bahia, falou com emoção sobre a trajetória da festa, que começou de forma simples e hoje reúne uma multidão.

“Pra mim é uma satisfação imensa, uma alegria que vem da alma. Isso aqui começou com meu tio e eu, meu tio com o pandeiro e eu com a quimba debaixo do braço. E a gente hoje consegue essa multidão toda atrás de um trio. É bom demais”, afirmou.
Segundo ele, a edição deste ano ganhou um ingrediente especial com a coincidência da realização do evento no mesmo dia de jogo do Brasil na Copa do Mundo.
“O pessoal está muito animado porque juntou Copa do Mundo e Arrastão do Paletó. Misturou duas coisas em uma só”, destacou.

Cantor, compositor e percussionista da comunidade, Edson Vitório dos Santos, o Libu do Reggae, definiu a festa como um retrato da alegria e da resistência cultural da Rua Nova.

“O Arrastão do Paletó é alegria, é 100%”, disse. “A comunidade da Rua Nova tem que tirar o chapéu. A gente ganha pouco e vive feliz aqui. A cultura prevalece.”
Para o sambista André Lopes, vocalista do grupo Sem Mais Nem Menos, a relação com o Arrastão atravessa gerações e ajudou a definir sua trajetória artística.

“Eu desde moleque saio arrastando. Meu paletó ficou pequeno, já passei para outro amigo, comprei outro, mas o paletó é tradição. Não deixe de usar”, contou.
André revelou ainda que a festa foi decisiva para despertar sua paixão pela música.
“Se hoje eu sou músico, se hoje estou envolvido com banda, é porque vi essa galera fazer isso na Rua Nova. Eu era doido para subir no trio e tocar com eles. Hoje eu faço parte, realizei um sonho e sou músico por causa dessa tradição.”

Representando a renovação do movimento, o percussionista Gedson lembrou que acompanha o Arrastão desde criança e garantiu a continuidade da manifestação cultural.

“Eu vim de criancinha com meu pai e hoje faço parte desse grupo maravilhoso, o Arrastão do Paletó”, afirmou. “Sempre. A nova geração está aí, querendo e preparada.”
O Arrastão do Paletó surgiu há quase quatro décadas de maneira espontânea. Inicialmente conhecido como Arrasta João, por acontecer no período junino, o evento acabou ganhando o nome atual de forma natural, adotado pela própria comunidade.
Mantendo a tradição, o cortejo parte da Praça da Feirinha e percorre diversas ruas do bairro, reunindo moradores e visitantes em uma grande celebração da identidade cultural da Rua Nova. A cada edição, o Arrastão reafirma seu papel como um dos símbolos mais autênticos da cultura popular de Feira de Santana.
