Redes sociais, pressão acadêmica e conflitos familiares são as principais causas, afirma psicóloga
Os casos de autoagressão entre adolescentes cresceram no Brasil em 2025. De acordo com dados divulgados pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) em 22 de setembro, a cada 10 minutos é registrado ao menos um episódio envolvendo desse tipo envolvendo jovens de 10 a 19 anos. Apenas nos últimos dois anos, a média diária de atendimentos médicos chegou a 137 na faixa etária especificada, incluindo casos de violência autoprovocada e tentativas de suicídio.
O estudo foi elaborado a partir do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), reunindo registros encaminhados pela rede de atenção à saúde e, em alguns municípios, por escolas e centros de assistência social. O fenômeno tem despertado a atenção de pediatras e psicólogos, que apontam múltiplas causas, mas destacam principalmente o impacto das redes sociais, da pressão escolar e dos conflitos familiares.
A psicóloga Julinda Cardoso explica que o uso excessivo das redes sociais tem contribuído para o aumento da ansiedade, da depressão e da baixa autoestima entre adolescentes.

“O contato constante com padrões inatingíveis e a comparação com os outros geram frustração e sentimento de inadequação”, afirma. Segundo ela, a pressão acadêmica também é um fator relevante, pois intensifica o medo de falhar e estimula o perfeccionismo, acentuando o estresse e a insegurança emocional.
No entanto, a especialista considera que os fatores familiares são os mais determinantes.
“Conflitos, negligência, separação dos pais e falta de apoio emocional criam um ambiente instável, onde o adolescente se sente desamparado. Esse cenário favorece o isolamento social e o medo da exclusão, que aumentam a sensação de solidão e o risco de comportamentos autoagressivos”, explica.
Julinda ressalta que existem sinais precoces que podem indicar o risco de autoagressão, como mudanças bruscas de humor, irritabilidade e retraimento. Em muitos casos, os comportamentos surgem de forma impulsiva e silenciosa.
Sobre o tratamento, a especialista explica que as abordagens terapêuticas mais eficazes são aquelas que trabalham o desenvolvimento de habilidades de regulação emocional e o reconhecimento dos gatilhos que levam à automutilação.
“A adesão ao tratamento é um desafio, pois muitos adolescentes abandonam as sessões ao apresentarem melhora, e há resistência dos pais em aceitar o sofrimento psicológico dos filhos. Mas quando o jovem encontra acolhimento e suporte emocional, é possível reconstruir sua autoconfiança e o sentido de pertencimento”, conclui.
A SBP também destacou que os números podem ser maiores do que se imagina, devido a falhas no preenchimento ou na comunicação das ocorrências. Em casos de autoagressão, os seguintes serviços de saúde podem ser procurados para atendimento:
*JP Miranda/ De Olho na Cidade