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Aumento da autoagressão entre adolescentes preocupa especialistas

Redes sociais, pressão acadêmica e conflitos familiares são as principais causas, afirma psicóloga

Por Rafa
segunda-feira, 13 de outubro de 2025

Os casos de autoagressão entre adolescentes cresceram no Brasil em 2025. De acordo com dados divulgados pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) em 22 de setembro, a cada 10 minutos é registrado ao menos um episódio envolvendo desse tipo envolvendo jovens de 10 a 19 anos. Apenas nos últimos dois anos, a média diária de atendimentos médicos chegou a 137 na faixa etária especificada, incluindo casos de violência autoprovocada e tentativas de suicídio.

O estudo foi elaborado a partir do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), reunindo registros encaminhados pela rede de atenção à saúde e, em alguns municípios, por escolas e centros de assistência social. O fenômeno tem despertado a atenção de pediatras e psicólogos, que apontam múltiplas causas, mas destacam principalmente o impacto das redes sociais, da pressão escolar e dos conflitos familiares.

A psicóloga Julinda Cardoso explica que o uso excessivo das redes sociais tem contribuído para o aumento da ansiedade, da depressão e da baixa autoestima entre adolescentes.

“O contato constante com padrões inatingíveis e a comparação com os outros geram frustração e sentimento de inadequação”, afirma. Segundo ela, a pressão acadêmica também é um fator relevante, pois intensifica o medo de falhar e estimula o perfeccionismo, acentuando o estresse e a insegurança emocional.

No entanto, a especialista considera que os fatores familiares são os mais determinantes.

“Conflitos, negligência, separação dos pais e falta de apoio emocional criam um ambiente instável, onde o adolescente se sente desamparado. Esse cenário favorece o isolamento social e o medo da exclusão, que aumentam a sensação de solidão e o risco de comportamentos autoagressivos”, explica.

Julinda ressalta que existem sinais precoces que podem indicar o risco de autoagressão, como mudanças bruscas de humor, irritabilidade e retraimento. Em muitos casos, os comportamentos surgem de forma impulsiva e silenciosa.

Sobre o tratamento, a especialista explica que as abordagens terapêuticas mais eficazes são aquelas que trabalham o desenvolvimento de habilidades de regulação emocional e o reconhecimento dos gatilhos que levam à automutilação.

“A adesão ao tratamento é um desafio, pois muitos adolescentes abandonam as sessões ao apresentarem melhora, e há resistência dos pais em aceitar o sofrimento psicológico dos filhos. Mas quando o jovem encontra acolhimento e suporte emocional, é possível reconstruir sua autoconfiança e o sentido de pertencimento”, conclui.

A SBP também destacou que os números podem ser maiores do que se imagina, devido a falhas no preenchimento ou na comunicação das ocorrências. Em casos de autoagressão, os seguintes serviços de saúde podem ser procurados para atendimento:

  • Centros de Atenção Psicossocial (Caps) e Unidades Básicas de Saúde (Saúde da família, Postos e Centros de Saúde);
  • UPA 24H, SAMU 192, Pronto Socorro; Hospitais;
  • Centro de Valorização da Vida – 188 (ligação gratuita).

*JP Miranda/ De Olho na Cidade

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