Campanha Julho Amarelo reforça a importância da prevenção, da vacinação e do diagnóstico precoce para conter o avanço da doença
As hepatites virais continuam sendo motivo de preocupação para a rede municipal de saúde de Feira de Santana. Atualmente, 1.708 pessoas recebem acompanhamento especializado no Centro de Referência Municipal IST/HIV/Aids e Hepatites Virais, entre pacientes com hepatite B e C. Diante desse cenário, a Secretaria Municipal de Saúde intensifica as ações da campanha Julho Amarelo, voltada à conscientização sobre uma doença que, na maioria dos casos, evolui de forma silenciosa.
A coordenadora do Centro de Referência, Vanessa Sampaio, destaca que a principal dificuldade no combate às hepatites é justamente a ausência de sintomas nas fases iniciais da infecção.
"As hepatites virais são doenças que muitas vezes evoluem de forma silenciosa, sem apresentar sintomas, mas podem causar vários danos ao fígado quando não são diagnosticadas e tratadas", alertou.
Segundo ela, as hepatites são inflamações no fígado causadas por diferentes vírus, sendo os tipos B e C os mais frequentes. A transmissão varia conforme o tipo da doença. As hepatites A e E ocorrem principalmente por meio da ingestão de água ou alimentos contaminados. Já a hepatite B pode ser transmitida por relações sexuais desprotegidas, contato com sangue contaminado e da mãe para o bebê durante a gestação ou o parto. A hepatite C é transmitida principalmente pelo contato com sangue contaminado, enquanto a hepatite D ocorre apenas em pessoas infectadas pelo vírus da hepatite B.
Vanessa reforça que a prevenção é simples e eficaz, especialmente por meio da vacinação e de hábitos seguros.
"A vacina contra a hepatite B está disponível em todas as unidades de saúde e é a principal forma de proteção. Além disso, é fundamental usar preservativo, não compartilhar objetos de uso pessoal, como alicates, lâminas e escovas de dente, e garantir que procedimentos como tatuagens e piercings sejam realizados com materiais esterilizados", explicou.
Outro ponto enfatizado pela coordenadora é a importância dos testes rápidos, oferecidos gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
"Os testes são gratuitos, seguros, sigilosos e o resultado fica pronto em poucos minutos. Quanto mais cedo a doença for descoberta, maiores são as chances de tratamento e de evitar complicações", afirmou.
Os dados da Secretaria Municipal de Saúde mostram um crescimento na procura pelos exames. Em 2025, foram realizados 2.008 testes rápidos para hepatite B e 1.517 para hepatite C. Já em 2026, até o momento, foram contabilizados 2.351 testes para hepatite B e 2.388 para hepatite C, demonstrando maior adesão da população ao diagnóstico precoce.
Para Vanessa, esse aumento representa um avanço importante.
"Isso demonstra que cada vez mais as pessoas estão buscando conhecer seu estado de saúde, o que é essencial para o diagnóstico precoce e para interromper a cadeia de transmissão da doença."
Atualmente, o Centro de Referência acompanha 836 pessoas com hepatite B e 872 com hepatite C, totalizando 1.708 pacientes. Somente em 2026, já foram registrados 26 novos casos de hepatite B e 30 de hepatite C.
A coordenadora destaca que esses números reforçam a necessidade de ampliar as ações preventivas.
"Esses dados reforçam a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do acompanhamento adequado. O Centro de Referência oferece acolhimento, diagnóstico, tratamento e acompanhamento por uma equipe multiprofissional, garantindo assistência de qualidade e contribuindo para a melhoria da qualidade de vida dos pacientes."
Vanessa fez um apelo para que a população aproveite a campanha Julho Amarelo para cuidar da própria saúde.
"Procurem a unidade de saúde mais próxima para realizar o teste rápido, mantenham a vacinação em dia e, se necessário, sejam encaminhados ao Centro de Referência. Informar-se, prevenir e realizar o diagnóstico precoce são atitudes que podem salvar vidas."