Governo mantém diálogo com Washington para evitar novas barreiras comerciais, mas já estuda medidas de apoio às empresas caso sobretaxas sejam confirmadas.
O governo federal reforçou as negociações diplomáticas com os Estados Unidos para tentar impedir a aplicação de novas tarifas sobre produtos brasileiros, ao mesmo tempo em que avalia mecanismos para reduzir os impactos sobre empresas exportadoras caso as medidas sejam efetivamente adotadas.
Nesta terça-feira (14), representantes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), do Ministério das Relações Exteriores (MRE) e da Presidência da República participaram de uma reunião com o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer. O encontro ocorreu às vésperas da divulgação da decisão do governo norte-americano sobre a possível imposição de novas barreiras comerciais.
Segundo o Mdic, o Brasil voltou a contestar a proposta, classificando as tarifas como injustificadas e sem respaldo técnico. O governo brasileiro afirma que as conclusões da investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) não sustentam a adoção de sobretaxas contra produtos nacionais.
A investigação americana questiona práticas brasileiras relacionadas ao comércio digital, ao sistema de pagamentos Pix, à proteção da propriedade intelectual, ao mercado de etanol e às políticas ambientais. O Palácio do Planalto, no entanto, sustenta que nenhuma dessas questões justifica restrições comerciais adicionais.
As negociações entre os dois países fazem parte de um grupo de trabalho criado em maio, após entendimento entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump para discutir temas ligados ao comércio bilateral. Apesar do diálogo contínuo, integrantes do governo reconhecem que a posição dos Estados Unidos endureceu nas últimas semanas.
Enquanto aguarda a decisão americana, prevista para esta quarta-feira (15), o governo brasileiro também prepara um plano de contingência para proteger os setores mais afetados.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que uma nova Medida Provisória poderá ser editada caso as tarifas sejam confirmadas. A proposta seguiria modelo semelhante ao programa Brasil Soberano, criado para minimizar prejuízos provocados por barreiras comerciais.
Segundo Durigan, antes de qualquer decisão, o governo pretende avaliar o alcance da medida e identificar quais segmentos sofrerão os maiores impactos, ouvindo representantes da indústria e do setor exportador.
Além do apoio financeiro, outra alternativa em análise é a retomada da aplicação da Lei de Reciprocidade Econômica, instrumento que permite ao Brasil responder a medidas comerciais adotadas por outros países. De acordo com o ministro, a iniciativa dependerá de autorização do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Atualmente, os Estados Unidos analisam a aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros e de uma cobrança adicional de 12,5% ligada à investigação sobre condições de trabalho. Caso ambas sejam implementadas, alguns itens poderão enfrentar sobretaxas de até 37,5%.
Estimativas da Confederação Nacional da Indústria (CNI) apontam que aproximadamente 4,2 mil produtos brasileiros, responsáveis por cerca de US$ 15 bilhões em exportações para o mercado norte-americano, poderão ser atingidos. Entre eles estão aeronaves, ferro-gusa, álcool etílico, molduras de madeira, produtos agropecuários e insumos industriais.
Até a definição oficial dos Estados Unidos, o governo brasileiro afirma que manterá as negociações diplomáticas abertas, sem descartar a adoção de medidas de resposta caso as novas tarifas entrem em vigor.
*Com informações Agência Brasil