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Cabelo tem memória? Tricologista explica como emoções e acontecimentos da vida podem refletir na saúde capilar

Mudanças na textura, queda e alterações nos fios podem estar relacionadas a acontecimentos como pós-parto, cirurgias, traumas e tratamentos médicos

Victória SilvaRedação: Victória Silva
sábado, 26 de setembro de 2026 às 09:25
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O cabelo pode revelar muito mais do que características estéticas. Mudanças na textura, na quantidade dos fios e até na forma como uma pessoa escolhe usar o cabelo podem estar relacionadas a diferentes momentos da vida, incluindo alterações biológicas, tratamentos médicos e experiências emocionais.

O tema foi abordado pela tricologista e empresária Luciana Lago, do Instituto Luciana Lago, durante participação no programa Jornal do Meio Dia. Segundo ela, alguns acontecimentos importantes podem deixar marcas que acabam sendo percebidas também na saúde capilar.

“Alguns acontecimentos o cabelo acaba denunciando. Por exemplo, o puerpério, o pós-parto, onde a mulher acaba perdendo parte dos fios, um pós-cirúrgico, um pós-trauma”, explicou.

De acordo com a especialista, essas alterações podem aparecer em mulheres, homens e crianças. Por isso, observar mudanças repentinas no cabelo pode ajudar a identificar que algo está acontecendo com o organismo.

“É possível identificar que aquela pessoa está com algum desequilíbrio ou algo momentâneo que esteja acontecendo e que o cabelo venha demonstrar essa diferença”, afirmou.

Cortar o cabelo depois de um momento difícil pode ter significado emocional

A mudança no visual também costuma aparecer depois de períodos marcantes, como separações e lutos. Para Luciana, o desejo de cortar ou modificar o cabelo nesses momentos pode representar uma tentativa de renovação.

“É um ímpeto que muitas pessoas têm depois de um luto ou depois, às vezes, de uma separação, a vontade de mudar o visual”, disse.

A tricologista contou que o Instituto trabalha, inclusive, com o chamado corte terapêutico, no qual a mudança do cabelo é associada à identidade e ao momento vivido pelo cliente.

“É um corte de projeção para o futuro, onde a gente vai sentar com o cliente, ver a identidade, o que ele quer comunicar naquele momento e o que ele quer eliminar. É um corte como se fosse intencionado”, explicou.

Nem toda alteração no cabelo tem origem emocional

Apesar da relação entre experiências emocionais e saúde capilar, Luciana ressalta que é necessário diferenciar os efeitos emocionais das respostas biológicas do organismo.

Segundo ela, medicamentos e tratamentos também podem alterar significativamente os fios.

“Corticoide pode afetar a textura do cabelo, pode deixar o cabelo áspero. A quimioterapia também”, exemplificou.

A especialista relatou casos de pacientes que apresentaram mudanças na textura dos cabelos depois do tratamento contra o câncer.

“Eu tive algumas clientes que eu tratei o cabelo pós-quimioterapia, onde a gente sabia que a cliente tinha um cabelo extremamente liso e depois o cabelo se revelou numa textura diferente”, contou.

Nessas situações, o acompanhamento permite observar a evolução dos fios e entender se a mudança é temporária ou permanece ao longo do tempo.

Cabelo também comunica identidade

Para Luciana Lago, a análise do cabelo não deve considerar apenas doenças ou alterações físicas. A forma como cada pessoa escolhe utilizar os fios também pode transmitir características da sua identidade.

“O cabelo já começa a contar uma história a partir da sua cor, a partir do lado que a pessoa resolve partir aquele cabelo, o tipo de penteado que ela gosta de usar”, afirmou.

Ela destacou ainda que preferências relacionadas ao comprimento, textura e estilo podem fazer parte da maneira como uma pessoa se apresenta ao mundo.

“O cabelo comunica tanto a sua identidade como os desequilíbrios da saúde”, resumiu.

Ansiedade e saúde capilar

Durante a entrevista, também foi discutida a influência da saúde emocional no cotidiano e, consequentemente, em diferentes aspectos da saúde.

Luciana relatou que, segundo sua experiência nos atendimentos, muitos pacientes chegam apresentando algum tipo de preocupação relacionada à ansiedade.

“A cada dez pessoas, dez e meia, eu vou dizer, onze chegam com problema de ansiedade”, afirmou, fazendo uma referência ao grande número de pacientes que apresentam questões emocionais durante o atendimento.

Para a especialista, a ansiedade está relacionada à preocupação excessiva com o futuro e a questões do passado que ainda não foram elaboradas.

“É uma preocupação excessiva com o futuro porque tem um passado que ainda não está resolvido”, explicou.

Atendimento busca investigar a origem do problema

O Instituto Luciana Lago trabalha, segundo a especialista, com uma abordagem que procura ir além da identificação da queda ou de outras alterações capilares.

Ela explicou que uma das modalidades oferecidas é chamada de Consulta Gênesis, na qual são investigados diferentes acontecimentos da trajetória do paciente.

“A gente faz uma abordagem desde praticamente a vida intrauterina, os acontecimentos importantes na vida daquela pessoa. Às vezes tem situações que a pessoa vai lembrar, tem momentos que a pessoa não vai lembrar”, relatou.

Luciana afirma que, durante o atendimento, o paciente é estimulado a falar sobre suas experiências e perceber possíveis relações entre momentos da vida e as dificuldades apresentadas atualmente.

“A gente consegue mapear e ver o que está ligado àquele trauma e aí a gente vai conversando. O cliente vai trazendo a informação, vai se lembrando”, disse.

Quando o problema capilar pode estar relacionado a outros conflitos

A especialista também citou situações em que o paciente procura ajuda para problemas aparentemente relacionados apenas ao cabelo, mas durante o atendimento surgem outras questões.

“Às vezes a gente atende clientes com cortes químicos, pessoas que têm dificuldade em acertar a cor do cabelo, que às vezes estão tentando acertar a cor e o cabelo está sempre manchado”, contou.

Segundo Luciana, nesses casos, uma investigação mais ampla pode ajudar a compreender o contexto em que o problema surgiu.

Ela relatou o caso de uma mulher que teve o cabelo cortado de maneira muito diferente do que desejava enquanto trabalhava como modelo em outro país. Segundo a paciente, a cada corte da tesoura, ela chorava.

“Aí eu perguntei para ela: mas o que você viveu nessa época? Então teve processos de abuso, teve muita coisa envolvida. E realmente era um momento que ela disse que não sabia dizer não”, relatou.

Para Luciana, o episódio demonstrava que havia uma relação entre o momento vivido pela paciente e a maneira como ela experimentou aquela transformação no cabelo.

Atendimento presencial e on-line

O Instituto Luciana Lago possui atendimento em Feira de Santana e Salvador, além de consultas on-line para pacientes de outras regiões.

Segundo a especialista, a unidade de Feira de Santana funciona há 12 anos, enquanto a unidade de Salvador está instalada há cinco anos no Mundo Plaza. O atendimento on-line alcança pacientes de diferentes regiões do Brasil e também de outros países.

“Hoje a gente tem uma abrangência por toda a Europa, já está chegando gente em Angola também. Então a gente está conseguindo atender o Brasil inteiro on-line”, afirmou.

Luciana reforçou que o trabalho não se limita à queda de cabelo, abrangendo também outras abordagens relacionadas à saúde capilar e à relação do indivíduo com sua própria imagem.

A tricologista destacou que o cabelo pode funcionar como uma forma de comunicação e que observar essa linguagem pode ajudar a compreender melhor o momento vivido por cada pessoa.

“É importante a gente estar alinhado com a gente mesmo para conseguir transmitir a nossa verdade. Isso faz muita diferença”, concluiu.

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