Especialista explica indicações do procedimento e esclarece dúvidas sobre riscos, dor, recuperação, alterações estéticas e cobertura pelos planos de saúde.
A cirurgia ortognática ainda desperta muitas dúvidas e receios entre pacientes, principalmente em relação aos riscos, à dor, à recuperação e às possíveis mudanças na aparência do rosto. Para esclarecer essas questões, o cirurgião bucomaxilofacial Dr. Thiago Leite explicou, durante participação no Jornal do Meio Dia, da Rádio Princesa FM, e no programa De Olho na Cidade, da Rádio Sociedade News, os principais mitos e verdades relacionados ao procedimento.
Segundo o especialista, a cirurgia ortognática é indicada para corrigir deformidades esqueléticas da face e tem como principal objetivo melhorar funções, como respiração, sono e mastigação.
“A cirurgia ortognática é um procedimento realizado para corrigir as deformidades esqueléticas da face. Então veja só, estamos falando da estrutura óssea.”
O procedimento pode ser indicado, por exemplo, para pacientes que apresentam a mandíbula ou o queixo muito para frente ou muito para trás. De acordo com Dr. Thiago, nos casos em que a mandíbula está posicionada muito para trás, o paciente pode apresentar problemas como ronco e apneia obstrutiva do sono, além de acordar cansado e apresentar sonolência durante o dia.
Um dos principais receios dos pacientes é que a cirurgia seja extremamente perigosa ou que possa deixar o rosto desfigurado. Dr. Thiago explica que se trata, sim, de um procedimento de grande complexidade, mas que atualmente conta com planejamento e tecnologias que aumentam a precisão da cirurgia.
“Ela é uma cirurgia de grande complexidade realizada em ambiente hospitalar”, explicou.
Antes da operação, o paciente passa por um planejamento cirúrgico detalhado. São utilizadas tomografias e fotografias, que são inseridas em softwares específicos para simular o procedimento e definir a nova posição dos ossos.
“Antes de operar o paciente verdadeiramente, a gente realiza o planejamento cirúrgico, tanto o planejamento virtual pelo computador, onde se exporta para um programa de computador bem avançado a tomografia do paciente e as fotografias do paciente”, afirmou.
Segundo o especialista, esse planejamento contribuiu para reduzir o tempo do procedimento. Cirurgias que anteriormente poderiam durar cinco, seis ou até oito horas podem atualmente ser realizadas, em muitos casos, em aproximadamente uma hora e meia a duas horas.
Dr. Thiago também destacou que a cirurgia pode proporcionar melhora na harmonia facial, na respiração, no sono, na mordida e na mastigação.
“Vai ficar muito mais bonito, o rosto muito mais harmônico, a respiração vai melhorar, o sono vai melhorar, a mordida vai melhorar, a trituração dos alimentos”, explicou.
Apesar das mudanças estéticas que podem ocorrer, o médico ressalta que a cirurgia ortognática não tem finalidade exclusivamente estética, mas funcional.
Outro mito abordado durante a entrevista está relacionado à intensidade da dor durante a recuperação.
De acordo com Dr. Thiago Leite, a cirurgia ortognática não costuma provocar a dor que muitos pacientes imaginam. O que pode ocorrer é uma alteração temporária da sensibilidade devido à manipulação dos nervos durante o procedimento.
“Muito pelo contrário, a cirurgia ortognática, ela não dói, absolutamente nada”, declarou.
O especialista explica que é comum o paciente apresentar dormência ou parestesia após a cirurgia. A região das maçãs do rosto, nariz e lábio superior pode permanecer dormente durante aproximadamente três meses. Já a região do queixo, mandíbula e língua pode levar mais tempo para recuperar a sensibilidade.
“Os pacientes que realizam cirurgia ortognática todos eles ficam um bom tempo com a maçã do rosto, com o nariz, com o lábio superior dormente, anestesiado por uns três meses”, explicou.
Na região inferior da face, segundo o médico, a recuperação da sensibilidade pode levar de quatro a cinco meses. O acompanhamento fisioterápico também faz parte desse processo.
Outra preocupação dos pacientes é a possibilidade de a mandíbula voltar à posição original depois de alguns anos, fazendo com que problemas como ronco e apneia retornem.
Dr. Thiago explica que, após a movimentação dos ossos, eles são estabilizados na nova posição por meio de placas e parafusos de titânio.
“Esse esqueleto é preso com placas e com parafusos em titânio, que são materiais biocompatíveis, que vão no paciente durante toda a vida do paciente e vão manter aquele esqueleto na posição”, afirmou.
De acordo com o especialista, a estabilização ocorre depois da osteotomia, procedimento em que o osso é cortado e reposicionado conforme o planejamento cirúrgico.
A possibilidade de a pele ficar flácida após a cirurgia também foi apontada como um mito pelo especialista.
Segundo Dr. Thiago, o reposicionamento da mandíbula pode melhorar a sustentação da pele e da musculatura da face, especialmente em pacientes que apresentam a mandíbula muito para trás e, consequentemente, uma papada mais acentuada.
“Quando a gente avança a mandíbula, a papada some, porque a musculatura é esticada, a pele adere, então os pacientes melhoram e muito a questão da musculatura e da pele”, explicou.
Ele acrescentou que a nova posição do esqueleto facial proporciona uma nova sustentação para a musculatura e a pele.
Dr. Thiago Leite também destacou que a cirurgia ortognática é realizada em ambiente hospitalar e possui cobertura obrigatória pelos planos de saúde quando há indicação funcional.
“Embora ela seja realizada por cirurgião-dentista, cirurgião buco-maxilofacial, ela é realizada em hospital, em ambiente hospitalar e tem cobertura obrigatória”, afirmou.
O especialista reforçou que a indicação está relacionada à correção de alterações funcionais e não simplesmente a uma mudança estética.
Os interessados podem buscar informações também pelas redes sociais do especialista, no Instagram, pelo perfil @drthiagoleite.
A conversa com Dr. Thiago Leite acontece semanalmente no Jornal do Meio Dia, da Rádio Princesa FM, e no programa De Olho na Cidade, da Rádio Sociedade News, com informações sobre implantodontia, dor orofacial, cirurgia oral, saúde e bem-estar.