Estomaterapeuta Áquilla Chahinne alerta para a importância do acompanhamento preventivo e dos cuidados diários com os pés para evitar feridas, infecções e amputações.
Pessoas com diabetes precisam manter uma rotina de cuidados com os pés, mesmo quando não apresentam feridas ou dores. A orientação foi reforçada pela estomaterapeuta Áquilla Chahinne, durante entrevista sobre prevenção e tratamento do chamado pé diabético.
Segundo a especialista, o diabetes pode provocar alterações na sensibilidade e na circulação sanguínea, fazendo com que pequenos machucados passem despercebidos. Em muitos casos, o paciente só percebe o problema quando a lesão já está avançada.
“Quem tem diabetes não deve esperar um machucado, um ferimento para procurar um serviço especializado”, alertou Áquilla.
A profissional explicou que a neuropatia diabética pode provocar perda de sensibilidade nos pés. De acordo com ela, cerca de metade das pessoas que desenvolveram essa alteração nem sequer sabem que perderam a sensibilidade.
“Se pisar hoje em um prego, elas não vão sentir, não vão perceber e sequer vão se atentar para olhar o pé”, afirmou.
A periodicidade da avaliação deve ser definida de acordo com as condições de cada paciente. Para pessoas com diabetes que não apresentam neuropatia, problemas circulatórios ou outras alterações nos pés, a avaliação pode ser realizada uma vez por ano.
Já pacientes que apresentam alterações como rachaduras, fungos nas unhas ou entre os dedos e deformidades nos pés precisam de acompanhamento mais frequente, geralmente a cada três a seis meses.
Nos casos de maior risco, como pessoas com histórico de amputação, calos ou rachaduras recorrentes, a recomendação pode chegar a avaliações mensais ou a cada um ou dois meses.
“Se o paciente já tem histórico de amputação, se tem histórico de calo, de rachadura recorrente, o certo é avaliar entre um a dois meses”, explicou.
Áquilla também fez um alerta para uma prática comum entre pessoas que tentam tratar calos em casa: utilizar lâminas ou giletes para retirar a pele.
Segundo a estomaterapeuta, o procedimento pode provocar cortes e abrir portas para infecções, principalmente porque o paciente diabético pode não perceber a lesão imediatamente.
“O paciente vai tratando em casa até um dia dar errado. O diabético tem muito calo, que muitos chamam de cravo, e qual alternativa eles encontram? Pegar a gilete e retirar esse calo. Não é possível”, alertou.
A especialista destacou ainda que rachaduras e micoses também precisam ser avaliadas, pois podem facilitar a entrada de bactérias e provocar infecções.
“Qualquer uma dessas alterações para o diabético é caso de necessidade de um agendamento e de um acompanhamento”, afirmou.
Durante uma avaliação especializada, é possível investigar alterações que ainda não provocaram ferimentos. Segundo Áquilla, profissionais podem verificar a sensibilidade dos pés por meio de testes específicos e também avaliar a circulação sanguínea.
“Na avaliação a gente tanto pode avaliar a neuropatia através de alguns testes, como filamento, o teste do reflexo de Aquiles e o reflexo vibratório”, explicou.
A circulação também pode ser analisada por meio do índice tornozelo-braço (ITB). Além disso, o atendimento pode identificar e tratar problemas como calos, fungos e rachaduras.
A estomaterapeuta orientou que pessoas com diabetes tenham atenção especial ao corte das unhas. Segundo ela, o ideal é manter o corte reto, evitando arredondar excessivamente os cantos, o que pode favorecer o encravamento.
Ela também alertou sobre os cuidados em salões de beleza. Para pacientes diabéticos, a recomendação é evitar procedimentos que possam provocar cortes e, quando possível, levar os próprios materiais utilizados no cuidado das unhas.
“A cutícula é uma proteção natural e o diabético acaba tendo mais fragilidade em relação à imunidade”, explicou.
A profissional também recomendou que materiais como lixas e instrumentos utilizados no salão sejam individuais e devidamente esterilizados.
Durante o programa, uma ouvinte relatou ter furado o pé com um prego e enfrentado uma situação grave. Segundo o depoimento, ela chegou a correr risco de amputação.
Áquilla explicou que o caso reforça justamente a importância do acompanhamento preventivo, especialmente porque a perda de sensibilidade pode fazer com que o paciente não perceba que sofreu uma lesão.
“A neuropatia diabética é um problema grave, que causa essas questões de machucar, não perceber e não procurar um serviço especializado”, destacou.
A orientação principal da especialista é que a pessoa com diabetes não espere surgir dor ou uma ferida para procurar atendimento. A avaliação periódica permite identificar fatores de risco e adotar medidas antes que uma pequena alteração evolua para uma complicação mais grave.