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3 min de leitura

Câmara aprova projeto dos precatórios sem juros e mobilização de professores marca sessão em Feira de Santana

Categoria aponta prejuízo no repasse dos precatórios e apontam judicialização

Redação:
quinta-feira, 23 de abril de 2026 às 11:36
Foto: JP Miranda
Foto: JP Miranda

A votação do Projeto de Lei nº 010/2026, que trata do pagamento da primeira parcela dos precatórios do Fundef em Feira de Santana, foi marcada por forte mobilização de professores na Câmara Municipal nesta quinta-feira (23). A proposta, enviada pelo Executivo e registrada internamente como PL 77/2026, foi aprovada em primeira e segunda discussão, prevendo o repasse de 60% apenas sobre o valor principal, sem a inclusão de juros e correção.

Foto: JP Miranda

A presidente da APLB Feira, Marlede Oliveira, destacou que a mobilização começou ainda nas primeiras horas do dia, com paralisação da rede municipal e um ato em frente à Prefeitura.

Foto: Isabel Bomfim

“Nós viemos acompanhar desde cedo, porque hoje é dia de paralisação municipal. Fizemos um café da manhã com a comunidade na porta da prefeitura e depois viemos à Câmara para acompanhar essa votação”, afirmou.

Segundo ela, a proposta aprovada representa prejuízo significativo para os profissionais da educação.

“O prefeito mandou o projeto sem pagar juros e correção. É uma perda grande. Tem pessoas que vão perder dois terços do que deveriam receber, ou seja, vão receber menos de um terço do que têm direito”, criticou.

Foto: JP Miranda

Marlede também indicou que a entidade deve recorrer à Justiça.

“Sendo assim, vai ter que ser judicializado. Fizemos isso com o governo do Estado e vamos entrar também aqui em Feira com ação contra esse projeto que exclui juros e correções”, declarou.

O líder do governo na Câmara, vereador José Carneiro, defendeu a aprovação do projeto como enviado pelo Executivo e argumentou que a exclusão dos juros segue entendimento jurídico.

Foto: Isabel Bomfim

“O projeto veio para pagar aos professores o que eles têm direito, que é o valor principal. A emenda que incluía juros foi considerada inconstitucional pela Comissão de Constituição e Justiça”, explicou.

Ele afirmou ainda que a questão dos juros deverá ser decidida na Justiça.

“O prefeito já assegurou que, caso a Justiça determine o pagamento dos juros, o município não irá recorrer até instâncias superiores. Esses recursos ficarão aguardando decisão judicial”, disse.

Autor da emenda que previa o pagamento com juros, o vereador Ivamberg Lima criticou a condução do processo e apontou falhas nos pareceres das comissões.

Foto: Isabel Bomfim

“Nossa emenda dizia que os professores deveriam receber 60% do montante total depositado. Com isso, eles teriam direito a cerca de R$ 75 milhões. Sem a emenda, vão receber cerca de R$ 22 milhões”, afirmou.

Ele também questionou o parecer da Comissão de Constituição e Justiça.

“A comissão não poderia analisar o mérito, apenas a constitucionalidade. O parecer veio equivocado e isso pode ser judicializado”, disse.

Entenda o projeto

O Projeto de Lei nº 010/2026 prevê o pagamento, em forma de abono indenizatório, da primeira parcela dos recursos oriundos de precatório judicial relacionado ao Fundef. Terão direito os profissionais do magistério que atuaram na rede municipal entre 1997 e 2006, incluindo servidores atualmente aposentados.

Pelo texto aprovado, 60% do valor principal será destinado aos professores, com pagamento proporcional à carga horária e ao tempo de serviço no período. Os valores não serão incorporados à remuneração nem aos benefícios previdenciários.

Foto: JP Miranda

*Com informações da repórter Isabel Bomfim

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