Trabalhadores reivindicam reajuste salarial, novas contratações e melhorias no atendimento aos clientes
A Campanha Nacional dos Bancários 2026 mobilizou trabalhadores da categoria em Feira de Santana. Uma concentração foi realizada nesta segunda-feira (20) na Avenida Conselheiro Franco, como parte das ações de mobilização dos bancários durante o processo de negociação com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban).
Segundo o presidente do Sindicato dos Bancários de Feira de Santana, Eritan de Carvalho, a campanha começou ainda no início do ano, com a realização de congressos, palestras e encontros para ouvir as principais demandas dos trabalhadores.

“Nós iniciamos a campanha desde o início do ano, onde nós fizemos congressos, palestras e convenções para ouvir a categoria, ouvir os pleitos dos trabalhadores. Nós percorremos os bancários também, conversando com os clientes e usuários dos bancos”, explicou.
A partir das discussões realizadas nos encontros estaduais e nacionais, os bancários elaboraram uma minuta de reivindicações, que foi apresentada à Fenaban. De acordo com Eritan, as negociações já chegaram à terceira rodada e devem seguir até a conclusão de oito etapas.
“A partir desses encontros tiramos uma minuta de reivindicações e levamos essa minuta para a Fenaban para poder negociar com os bancos públicos e os bancos privados. Já estamos na terceira rodada de negociações”, afirmou.
Entre os temas já discutidos estão a qualidade dos serviços bancários, as condições de trabalho, a situação dos trabalhadores com deficiência. A próxima rodada de negociação, segundo o sindicalista, deve tratar da saúde dos bancários.
Entre as principais reivindicações da categoria está um reajuste salarial de 5% acima da inflação. Os bancários também pedem o fim das demissões, novas contratações e a abertura de mais agências em Feira de Santana.
“Nós estamos pedindo um reajuste salarial de 5% mais aumento real, ou seja, o que a inflação tem, mais 5% de aumento. Estamos também reivindicando mais contratação de bancários, o fim das demissões e a abertura de mais agências bancárias aqui em Feira de Santana”, destacou Eritan.

O presidente do sindicato citou a redução no número de agências do Santander na cidade como exemplo da diminuição da estrutura bancária. Segundo ele, há menos de cinco anos, Feira de Santana contava com quatro unidades do banco. Atualmente, seriam apenas duas para atender a cidade e a região.
“Hoje nós só temos duas para atender a região, onde o banco todos os dias tem problemas com o atendimento. A mesma coisa acontece no banco Itaú e no Banco Bradesco”, disse.
Eritan também defendeu que os bancos invistam parte dos lucros na contratação e valorização de trabalhadores.
“A gente pede para que os banqueiros, que lucram bilhões de reais por ano, possam investir na valorização de mais funcionários, dar uma oportunidade de emprego aos jovens para que possam atender com a melhor qualidade a população brasileira”, afirmou.
Questionado sobre os próximos passos caso não haja avanço nas negociações, Eritan de Carvalho afirmou que a greve pode ser considerada pela categoria. Ele ressaltou, no entanto, que o objetivo inicial é sempre buscar um acordo com os bancos.
“Infelizmente, a única ferramenta que nós temos caso não exista nenhum tipo de avanço nas negociações é a greve. Nós nunca entramos numa campanha salarial para fazer greve. Nós entramos para poder negociar e lutar por aquilo que é de direito”, declarou.
O sindicalista também citou os lucros dos principais bancos do país para defender que as reivindicações sejam atendidas.
“No ano passado, os cinco principais bancos do país lucraram mais de R$ 60 bilhões. Então, a gente não vê motivo nenhum para que esses mesmos bancos, que lucram bilhões de reais, possam negar, por exemplo, a contratação de mais funcionários ou o reajuste salarial que nós estamos pedindo, que não é nenhum absurdo”, afirmou.
Além das reivindicações trabalhistas, a campanha também destaca os impactos da redução do número de funcionários e do fechamento de agências na qualidade do atendimento aos clientes.
De acordo com Eritan, a diminuição da estrutura bancária provoca aumento no tempo de espera e dificulta o acesso da população aos serviços.
“Quando o banco fecha agências bancárias e demite funcionários, os clientes têm uma piora direta na qualidade do serviço que é oferecido. O cidadão consegue perceber claramente quando vai até uma agência bancária e demora uma hora, uma hora e meia para conseguir ter o seu pleito solucionado”, afirmou.
Para o presidente do Sindicato dos Bancários de Feira de Santana, a contratação de mais trabalhadores e a abertura de novas agências são medidas necessárias para melhorar o atendimento.
“A gente entende que também temos responsabilidade pela contratação de mais pessoas, mais bancários, mas também pela abertura de mais agências, para que os clientes tenham opção de serem atendidos”, concluiu.