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Cardiologista destaca hábitos que aumentam a expectativa de vida após os 60

Prevenção, atividade física e cuidado com a saúde emocional são fundamentais para viver mais e melhor

Por Rafa
sexta-feira, 23 de janeiro de 2026
Imagem de Cardiologista destaca hábitos que aumentam a expectativa de vida após os 60

A percepção sobre envelhecer mudou. Se décadas atrás uma pessoa com 40 anos já era vista como idosa, hoje homens e mulheres acima dos 60 seguem ativos, produtivos e cheios de planos. Esse foi o ponto de partida do Momento IDM Cardio, que trouxe uma reflexão essencial: qual é a expectativa de vida aos 60 anos e o que fazer para envelhecer bem?

De acordo com o cardiologista Dr. Cláudio Rocha, pessoas que chegam aos 60 anos em boas condições de saúde podem, sim, pensar no longo prazo.

“Hoje, uma pessoa saudável que chega aos 60 anos pode ter expectativa de vida média de até 90 anos. Mulheres podem chegar até 95 anos. À medida que você envelhece com saúde, essa expectativa aumenta”, explicou.

Segundo ele, a classificação de idoso também vem mudando dentro da própria medicina.

“Na geriatria, já existe o conceito de ‘idoso jovem’. Pessoas até os 70 anos entram nessa categoria. Com 60 anos, hoje, você olha e vê alguém jovem, ativo, com autonomia”, destacou.

O especialista ressaltou que pensar no futuro não é ilusão, mas uma necessidade. Ele relembrou o diálogo com uma paciente que questionou se valeria a pena planejar um tratamento de longo prazo.

“Ela me disse: ‘Doutor, eu já tenho 60 anos, será que vou viver tanto assim?’. E a resposta é sim. Pode e deve pensar a longo prazo. Trinta anos à frente, inclusive”, afirmou.

A presença cada vez maior de pacientes com mais de 80 e até 90 anos nos consultórios confirma esse novo cenário.

“Ontem, cerca de 10% dos pacientes que atendi tinham mais de 90 anos. Isso mostra como a população está envelhecendo mais e melhor”, relatou.

Um dos pontos destacados por Dr. Cláudio é a importância de ter um médico de confiança, que funcione como um “gerente da saúde”.

“Vejo pacientes com seis, oito receitas diferentes, de médicos diferentes. Isso se perde. Ter um médico de referência ajuda a organizar os tratamentos e evita erros”, alertou.

Esse acompanhamento facilita decisões do dia a dia, como a introdução de novos medicamentos prescritos por outros especialistas.

O cardiologista reforçou que atividade física vai além do controle do coração.

“Não é só colesterol, pressão e glicemia. Atividade física dá independência. Ajuda a levantar melhor, reduz quedas, fraturas, melhora a osteoporose. Tudo isso impacta diretamente na qualidade de vida”, explicou.

A saúde emocional também foi apontada como fator decisivo para a longevidade.

“Tem gente que chega aos 60 anos já se sentindo perto da morte. Esse peso emocional adoece. Leveza faz diferença”, disse.

Ele citou o exemplo de um paciente de 74 anos: “Ele me disse: ‘Doutor, na identidade eu tenho 74, mas na cabeça eu tenho 30’. Isso ajuda muito a viver melhor.”

Ter objetivos, segundo o médico, é outro fator fundamental.

“Quando a pessoa diz ‘quero ver meu neto se formar’, ela se cuida mais. Objetivo faz toda a diferença no envelhecimento.”

A herança genética influencia, mas não determina o destino, explicou Dr. Cláudio.

“A genética é como uma correnteza. Se for ruim, você precisa remar mais forte: tirar o cigarro, controlar o colesterol, cuidar da alimentação. Dá para enfrentar.”

Ele ressaltou ainda a importância da prevenção primária, que evita o surgimento das doenças, e da prevenção secundária, voltada para quem já teve eventos como AVC ou infarto.

Além da medicina, o cardiologista reforçou a importância do prazer de viver.

“Temos que cuidar do corpo e da alma. Fazer o que gosta, com equilíbrio. Não dá para tirar totalmente o prazer da vida de alguém”, afirmou.

Ele alertou contra restrições exageradas, especialmente entre idosos.

“Vejo muitos idosos desnutridos por dietas rígidas demais. Isso aumenta quedas e fraturas. O equilíbrio é o caminho.”

A espiritualidade e o convívio familiar também entram como aliados da longevidade.

“Existem estudos que mostram que pessoas com espiritualidade vivem mais e se cuidam melhor. E idosos que almoçam com a família têm menos depressão do que os que vivem sozinhos”, destacou.

Para Dr. Cláudio, envelhecer bem passa por algumas palavras-chave:

“Autonomia, independência e equilíbrio. Enquanto estivermos vivos, precisamos viver bem.”

O recado final é claro: envelhecer é uma fase da vida e pode ser vivida com plenitude, saúde e felicidade.

“A vida é feita de ciclos. O importante é viver plenamente cada fase, cuidando do corpo, da mente e da alma”, concluiu.

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