A corrida é hoje o maior esporte do país, são cerca de 8 milhões de praticantes
No Momento IDM Cardio, o cardiologista Dr. Israel Reis abordou um tema que interessa a milhões de brasileiros: como saber se estamos realmente correndo com segurança. O médico lembrou que a corrida é hoje o maior esporte do país, são cerca de 8 milhões de praticantes, e chamou a atenção para os riscos quando a atividade não é iniciada ou conduzida de forma adequada.
“Toda semana vemos no noticiário casos de morte súbita durante a corrida. Isso assusta e leva muita gente a perguntar se o esporte mata e qual exame deve ser feito para ter segurança”, explicou Dr. Israel.
O cardiologista enfatiza que não existe um único exame capaz de liberar alguém para correr. O passo inicial é a chamada avaliação pré-participação esportiva, um protocolo adotado no mundo inteiro.
“Não é o exame em si que dá segurança, e sim a consulta estruturada. Eu preciso saber se o paciente sente dor no peito, palpitação, cansaço desproporcional ou se já desmaiou. Também pergunto sobre histórico familiar de morte súbita, uso de hormônios, pressão alta, diabetes, colesterol. Nada disso aparece num simples teste de esforço que muita gente me manda por WhatsApp”, destacou.
Segundo o médico, só depois da entrevista detalhada e do exame físico é que o profissional determina quais testes complementares são necessários, como Holter, ecocardiograma ou ressonância cardíaca.
Apesar do medo causado por casos recentes, Dr. Israel lembrou que a morte súbita na corrida é raríssima: ocorre em 1 a 2 casos a cada 100 mil corredores.
“O risco existe, mas é muito baixo. Ainda assim, quando acontece, é trágico e chama atenção”, completou.
O cardiologista explicou que mais da metade desses eventos ocorre no final das provas, quando o atleta está desidratado, exausto e tenta sprintar para concluir a corrida. Em competições longas, como maratonas, o cuidado deve ser ainda maior.
“Para dizer se alguém pode correr, eu preciso saber a distância, o objetivo e o histórico de treinamento. Não posso liberar um atleta para 21 ou 42 km sem essas informações”, afirmou.
Ao responder a dúvida de ouvintes, Dr. Israel foi direto: “Se a pessoa sente dor no peito, falta de ar, palpitação ou já desmaiou, ela não deve começar antes de passar pelo cardiologista. Mas se é alguém sem sintomas, que já caminha e pretende correr leve, pode iniciar. Depois, quando possível, procura o especialista.”
Para pessoas com fatores de risco, como diabetes, tabagismo ou histórico familiar de doença cardíaca, o recomendável é não começar sem avaliação médica.
Um ouvinte perguntou se hipertensos podem praticar artes marciais ou corrida.
“O hipertenso controlado pode fazer qualquer tipo de esporte, inclusive competitivo. O problema é o hipertenso mal controlado, que não toma medicação e já tem repercussões no coração. Esse precisa de acompanhamento mais rigoroso”, respondeu.
Existe melhor horário para correr?
Outra dúvida comum:
“Qualquer horário é bom para fazer exercício. A melhor hora é a que você tem disponível. O que não pode é correr ao meio-dia, no sol forte, ou em jejum prolongado se o treino for intenso. Mas sobre risco cardíaco, não há diferença entre manhã e tarde”, explicou.
Dr. Israel destacou a diferença entre atividade física e exercício estruturado.
“Correr é exercício. Tem dose, intensidade, protocolo e deve ser prescrito como um remédio. O ideal é ter orientação de um profissional de educação física. Quem não pode pagar, pode usar aplicativos ou fazer pelo menos uma consulta para receber diretrizes básicas.”
Treinar forte todos os dias, segundo ele, é uma das principais causas de lesão.
No fim do quadro, o cardiologista esclareceu dúvidas sobre o famoso teste de esforço e o teste com máscara (ergoespirometria).
“O teste de esforço é parte da avaliação. Ele permite avaliar pressão, eletrocardiograma e sintomas sob carga. Já o teste da máscara é ainda mais completo, define limiares, VO₂ máximo e ajuda muito na prescrição de treino.”