Pré-candidato a deputado federal pelo Novo afirma concordar com posicionamento do governador mineiro e critica polarização política no país
O empresário e pré-candidato a deputado federal Carlos Medeiros, filiado ao Partido Novo, comentou a repercussão envolvendo a crítica feita pelo ex-governador de Minas Gerais e presidenciável do partido, Romeu Zema, ao senador Flávio Bolsonaro após a divulgação de mensagens entre o parlamentar e o banqueiro Daniel Vorcaro.
A polêmica ganhou força depois que o portal Intercept Brasil divulgou mensagens que apontariam uma negociação entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro para o financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, prevista para estrear em setembro de 2026. Segundo a publicação, o banqueiro teria se comprometido a repassar cerca de US$ 24 milhões para a produção.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Romeu Zema classificou como “imperdoável” o pedido de dinheiro feito por Flávio Bolsonaro ao banqueiro. “É um tapa na cara dos brasileiros de bem. Não adianta nada criticar as práticas de Lula e do PT e fazer a mesma coisa”, afirmou o governador.
Ao comentar o caso, Carlos Medeiros afirmou concordar com a postura de Zema e disse que a sociedade precisa abandonar a prática de defender políticos apenas por alinhamento ideológico.
“A gente tem que parar com essa mania de querer passar pano e defender quando é do nosso lado. Nós não temos que ter lado. O primeiro lado que a gente tem que ter é o lado do que é certo, do que é correto”, declarou.
Carlos ressaltou que não vê irregularidade em buscar patrocínio para projetos ou receber doações políticas legalizadas. No entanto, argumentou que a manutenção de vínculos com pessoas investigadas ou associadas a escândalos deve ser interrompida.
“Eu não vejo nenhum problema em buscar patrocínio para um filme ou receber uma doação legal de campanha. Agora, a partir do momento que você sabe que aquela pessoa está envolvida em caso de corrupção, nós temos que romper. Isso tem que cessar”, afirmou.
Segundo ele, o ponto central da discussão não é o financiamento em si, mas a continuidade da relação após o surgimento de suspeitas sobre o empresário.
“O ponto não é pedir patrocínio. O ponto é você saber depois que se envolveu com um bandido, e isso não ter sido cessado”, acrescentou.
Carlos Medeiros também fez críticas ao cenário político nacional, classificando a polarização entre direita e esquerda como um dos principais problemas do país.
“A população está cada vez mais cansada dessa polarização. Não dá para criticar uma situação quando acontece de um lado e achar normal quando acontece do outro”, disse.
Ele argumentou que eleitores mais moderados, especialmente do campo da centro-direita, estariam buscando alternativas políticas fora dos extremos.
“As pessoas estão cansadas desse negócio de defender o seu bandido de estimação porque é do seu lado. O certo é o certo, independentemente de quem seja”, pontuou.
Questionado sobre o risco de perder apoio de eleitores conservadores após o posicionamento de Zema, Carlos minimizou a possibilidade e afirmou acreditar que a postura pode, inclusive, ampliar o alcance político do grupo.
“O eleitor extremista já não votaria no Zema. O que a gente pode captar são as pessoas de centro-direita que querem uma mudança de verdade e estão cansadas da polarização”, concluiu.