Sustentabilidade, tecnologia e novos formatos de família influenciam diretamente os projetos residenciais do futuro
As transformações sociais, os avanços tecnológicos e as mudanças climáticas estão redefinindo a forma de morar e de construir. Esse foi o foco da entrevista com a arquiteta Mari Amaral, do projeto Casas do Amanhã, que falou sobre como as residências do futuro já estão sendo pensadas e, em muitos casos, construídas no presente.
Segundo Mari, a chamada “casa do amanhã” tende a ser mais compacta, funcional e alinhada ao novo perfil das famílias.
“As famílias estão cada vez menores e a estrutura que a gente sempre chamou de família vem mudando muito. Muitas pessoas optam por não casar, não ter filhos ou consideram até amigos como família”, explicou.
A arquiteta destacou que essas mudanças sociais exigem um novo olhar dos profissionais da área.
“A gente, no papel de arquiteto, precisa observar essas transformações para criar projetos que façam sentido para a forma como as pessoas vivem hoje”, afirmou.
Outro ponto central da discussão foi o impacto da tecnologia na construção civil e na vida dentro das residências. Mari ressaltou que a sustentabilidade deixou de ser tendência e passou a ser necessidade.
“A gente precisa lutar para reparar, de alguma forma, os danos que o ser humano causou à natureza”, disse.
Ela citou soluções que já estão sendo desenvolvidas e aplicadas, como novos métodos construtivos e materiais mais inteligentes.
“Hoje, a indústria já está pensando o futuro. A China, por exemplo, lançou telhas com placa solar integrada, o que reduz resíduos e dejetos sólidos”, destacou.
A arquiteta também mencionou a criação de cimentos mais flexíveis para regiões sujeitas a terremotos, capazes de reduzir perdas estruturais.
“Os materiais de hoje já estão sendo pensados considerando que algumas cidades, no futuro, podem até deixar de existir”, alertou.
Ao comentar sobre as discussões globais em torno do clima, Mari reforçou que a responsabilidade não deve recair apenas sobre os profissionais.
“Essa é uma pauta que toda a sociedade precisa se inteirar. Não é algo que deve ser transferido só para quem projeta”, ressaltou.
Para ela, o caminho passa pela construção de casas autossuficientes. “Energia solar hoje já é algo básico, e muitos clientes já procuram esse tipo de solução”, contou. Além disso, destacou o uso de materiais com bom desempenho térmico e acústico, que reduzem a necessidade de ar-condicionado e o consumo de energia.
“Às vezes não é nem uma tecnologia cara. O tijolo de adobe, por exemplo, tem um excelente desempenho térmico e vem sendo usado com integração às metodologias atuais”, explicou.
A arquiteta chamou atenção também para práticas simples que reforçam a sustentabilidade, como a adoção de hortas residenciais.
“Hoje muita gente quer ter uma horta em casa e não percebe que isso também é sustentabilidade”, disse.
Mari reforçou que o conceito passa pelo uso consciente dos recursos naturais. “Sustentabilidade é gastar menos energia da natureza, utilizar menos recursos finitos e apostar nas energias abundantes”, resumiu.
Ela destacou a importância de projetos atemporais. “As coisas mudam muito rápido. Se a gente não fizer uma casa pensada para o futuro, corre o risco de fazer um grande investimento e criar um ‘elefante branco’ que não fará mais sentido”, concluiu.