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Paisagismo urbano promove bem-estar, conforto térmico e valorização das cidades, destacam especialistas

A presença do verde nas cidades vai além da estética e impacta diretamente na saúde, no conforto térmico e na valorização urbana

Por Rafa
sábado, 17 de janeiro de 2026
Imagem de Paisagismo urbano promove bem-estar, conforto térmico e valorização das cidades, destacam especialistas

O paisagismo tem se consolidado como uma ferramenta essencial para promover qualidade de vida nos centros urbanos, indo muito além da estética. Esse foi o tema do Home News, que recebeu a paisagista Lila Albuquerque, técnica em edificações, bióloga e especialista em interiores, e o paisagista Leonardo Aguiar, bacharel em biologia, mestre em ecologia e evolução e doutorando em biotecnologia.

Durante a entrevista, os especialistas destacaram que o paisagismo nasce da necessidade humana de manter contato com o verde, especialmente em meio ao excesso de concreto das cidades modernas. Segundo Leonardo Aguiar, historicamente, a prática surgiu como símbolo de ostentação da nobreza, mas hoje cumpre um papel social e ambiental fundamental.

“O paisagismo hoje tem uma proposta totalmente diferente: é justamente trazer a aproximação do homem com o natural nos centros urbanos, onde a gente vê um grande excesso de concreto”, explicou.

Leonardo ressaltou ainda que a inserção de áreas verdes contribui diretamente para a redução das chamadas ilhas de calor, melhora a circulação de pedestres e cria microclimas mais agradáveis.

“Quando você agrega verde ao ambiente urbano, há diminuição de calor. Em áreas arborizadas, a temperatura pode cair de cinco a oito graus em comparação com áreas sem arborização”, afirmou.

Lila Albuquerque destacou que o sucesso de um projeto paisagístico depende de uma análise cuidadosa do ambiente urbano e da escolha correta das espécies vegetais. Segundo ela, priorizar plantas nativas é fundamental para manter o equilíbrio ambiental.

“A depender do ambiente, precisamos avaliar quais espécies são mais adequadas. Trabalhar com plantas nativas é importante para preservar o equilíbrio ecossistêmico e evitar espécies invasoras que podem prejudicar a fauna e a flora”, explicou.

Ela também destacou que o paisagismo influencia diretamente na sensação de segurança das pessoas.

“É importante evitar aquela sensação de espaços fechados, sem visibilidade. Plantas de copa mais alta ou rasteira ajudam a manter a fluidez visual e tornam os ambientes mais seguros para quem transita”, pontuou.

De acordo com Leonardo, além do conforto térmico, o paisagismo exerce forte influência sobre a saúde mental da população.

“O ser humano nos grandes centros fica acostumado às linhas retas, sempre em estado de alerta. Quando entramos em contato com padrões naturais, a mente sai desse foco e entra em um estado de relaxamento”, explicou.

Ele reforçou que praças, parques e áreas arborizadas funcionam como verdadeiros refúgios urbanos.

“Esses espaços permitem convivência familiar, prática de atividades físicas e momentos de contemplação, agregando diretamente ao bem-estar emocional do cidadão.”

Lila complementou destacando o efeito imediato do verde no cotidiano.

“O verde é vida. Quem começa a cuidar de plantas em casa percebe esse bem-estar imediato. Mexer com a terra é terapêutico, é relaxante”, disse.

Ao falar sobre Feira de Santana, os paisagistas destacaram o grande potencial do município para receber projetos paisagísticos mais ousados e integrados. Eles citaram ações recentes realizadas nas redes sociais, em que simularam como alguns pontos da cidade poderiam ficar com mais áreas verdes.

“A reação da população foi impressionante. As pessoas diziam: ‘Nem parece a mesma cidade’. Isso mostra que o feirense se importa sim com o bem-estar e com a estética urbana”, relatou Leonardo.

Segundo ele, locais como a Noide Cerqueira, a Fraga Maia, a Praça do Tropeiro e áreas com espelhos d’água poderiam se transformar em atrativos turísticos e melhorar a dinâmica econômica da cidade.

“Feira tem avenidas largas, arquitetura interessante e muitos espelhos d’água. Com projetos paisagísticos bem planejados, a cidade ganharia conforto, beleza e até mais turismo”, avaliou.

Entre os principais desafios enfrentados pelos profissionais, Lila destacou as questões técnicas e financeiras.

“Paisagismo não é só plantar. A gente estuda insolação, tipo de solo, disponibilidade hídrica e a viabilidade das espécies. Além disso, muitas vezes o paisagismo fica para o final da obra, quando o orçamento do cliente já está apertado”, explicou.

Ela defendeu que o paisagismo seja pensado desde a fase inicial dos projetos arquitetônicos.

“Quando incluído desde o início, o paisagismo se integra melhor ao projeto, permite escolhas mais estratégicas e pesa menos no bolso no final”, concluiu.

Lila Albuquerque informou que os interessados podem acompanhar o trabalho da equipe pelo Instagram @calendulapaisagismo, onde é possível tirar dúvidas, solicitar orçamentos e conhecer projetos já desenvolvidos.

A equipe é formada por Lila Albuquerque, Leonardo Aguiar e o biólogo Daniel, especialista em recursos vegetais, que contribui com análises fisiológicas das plantas, fortalecendo a proposta de projetos integrados e sustentáveis.

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