Carioca radicado na Flórida há mais de 30 anos, o chef Rogério Silva conta como se tornou cidadão americano e fala sobre a vida em Miami
Miami é uma das cidades mais conhecidas dos Estados Unidos e um dos principais destinos para turistas e imigrantes latino-americanos. Fundada oficialmente em 28 de julho de 1896, a cidade tem uma característica singular: foi a única grande cidade americana fundada por uma mulher, a empresária Julia Tuttle.
Hoje, a cidade é considerada um dos principais centros multiculturais dos Estados Unidos, reunindo comunidades de diversas nacionalidades. Entre elas, milhares de brasileiros que encontram em Miami um ambiente familiar.
Entre os brasileiros que construíram uma vida de sucesso em Miami está o chef gourmet Rogério Silva, conhecido na cidade como Roger. Natural do Rio de Janeiro, ele passou a infância em Brasília, morou em Natal, no Rio Grande do Norte, e chegou aos Estados Unidos em 1995.
"Eu cheguei como turista. Tinha uma irmã aqui que me acolheu. Depois consegui me legalizar como residente e mais tarde me tornei cidadão americano. Já sou cidadão há cerca de 15 anos e estou muito feliz aqui, apesar da saudade do Brasil", contou.
Segundo Rogério, o processo de imigração mudou bastante ao longo das últimas décadas.
"Na época em que cheguei era mais fácil. Hoje, conseguir a residência legal está muito mais complicado", explicou.

Ele revelou que sua regularização aconteceu por meio da profissão.
"Eu já era chef de cozinha no Brasil e um restaurante brasileiro fez todo o processo de documentação. Naquela época existia a possibilidade de contratar profissionais especializados na culinária brasileira, algo que um americano normalmente não conseguiria desempenhar da mesma forma", lembrou.
Há 30 anos atuando nos Estados Unidos, Rogério construiu uma carreira consolidada na gastronomia.
"Minha vida praticamente gira em torno da cozinha. Tenho minha família, meus momentos de lazer, mas minha mente está muito dedicada à gastronomia. Cozinhei para diversas autoridades brasileiras e para muita gente conhecida", afirmou.
Ao longo da carreira, ele teve a oportunidade de atender personalidades da política, do esporte e do entretenimento.
Entre as experiências mais marcantes está o contato com o ex-presidente Fernando Collor.
"Quando ele veio morar em Miami após o processo de impeachment, frequentava um restaurante onde eu trabalhava. Depois passei a cozinhar também em eventos e jantares particulares realizados na casa dele", revelou.
Outra experiência que marcou sua trajetória profissional foi a preparação de um jantar para o ex-presidente Jair Bolsonaro durante sua permanência nos Estados Unidos.

"Fui convidado para preparar um jantar para ele, familiares e convidados. Eram cerca de 35 pessoas", contou.
Segundo Rogério, o cardápio incluía peixe, carne e acompanhamentos.
"O Bolsonaro acabou escolhendo apenas o peixe. Comeu muito bem, repetiu mais de uma vez e ficou bastante satisfeito com o serviço", relatou.
O chef ressaltou que, independentemente de posições políticas, a experiência foi enriquecedora.
"Não sou político para criticar ou defender ninguém. Mas, como experiência de vida, foi muito válido conhecer os dois presidentes", disse, referindo-se a Collor e Bolsonaro.
Além dos ex-presidentes, Rogério afirma ter servido diversas personalidades brasileiras ao longo dos anos.
Ele relembra a convivência com o técnico Carlos Alberto Parreira, campeão mundial com a Seleção Brasileira em 1994.
"Tive a honra de conversar várias vezes com o Parreira. Ele frequentava eventos onde eu trabalhava e também encontros privados organizados por amigos brasileiros aqui em Miami", contou.


Artistas também fazem parte da extensa lista de clientes.
"Cláudia Leitte esteve entre as pessoas para quem cozinhei. Também recebi empresários, músicos, jogadores de futebol e muitas outras personalidades brasileiras", afirmou.
Segundo ele, um dos restaurantes onde trabalhou, o Sagrado Café, tornou-se um ponto de encontro bastante frequentado por celebridades brasileiras que visitavam Miami.
"Tinha gente conhecida praticamente todos os dias. Era um local muito procurado por brasileiros que vinham aos Estados Unidos", recordou.
A forte presença da comunidade brasileira contribuiu para a expansão dos restaurantes especializados na culinária nacional.
De acordo com Rogério, pratos tradicionais fazem sucesso não apenas entre brasileiros, mas também entre hispânicos e americanos.
"A culinária brasileira é muito bem aceita. Os hispanos gostam bastante porque temos hábitos alimentares parecidos. E os americanos apreciam muito a picanha e outros pratos típicos do Brasil", explicou.
Para ele, a gastronomia se tornou uma importante ponte cultural entre os diferentes povos que convivem em Miami.
Sobre a vida na cidade, Rogério destaca que Miami passa por um momento de grande valorização imobiliária.
"Todo mundo quer morar aqui. Muitas pessoas estão vindo de estados como Califórnia, Nova York e Texas. Isso tem aumentado o preço dos imóveis e do custo de vida", observou.
Apesar disso, ele considera que a cidade continua oferecendo boas oportunidades.
"Para quem tem documentação e pode trabalhar legalmente, ainda é um lugar muito bom para viver", avaliou.
Localizada no extremo sul da Flórida, Miami é uma das principais portas de entrada dos Estados Unidos para turistas da América Latina.
"A Flórida é um estado muito interessante para passear e Miami é uma cidade muito interessante para morar", resumiu Rogério.
Ao encerrar a entrevista, o chef agradeceu a oportunidade de compartilhar sua trajetória.
"Muito obrigado pela atenção. Quem quiser conhecer mais do meu trabalho pode acompanhar minhas redes sociais (Chef Roger (@chefrogermiami) • Fotos e vídeos do Instagram). Deus abençoe a todos", concluiu.