Procedimento é complexo, envolve planejamento digital e pode transformar qualidade de vida de pacientes com alterações no esqueleto da face
A cirurgia ortognática, procedimento voltado para a correção de deformidades esqueléticas da face, foi tema de entrevista com o cirurgião bucomaxilofacial Dr. Thiago Leite, que detalhou desde o planejamento até a recuperação dos pacientes.
Segundo ele, apesar dos avanços tecnológicos, o procedimento ainda é considerado complexo e exige preparação cuidadosa.
“É um procedimento complexo, minucioso, cheio de detalhes, mas que é feito muito bem elaborado”, explicou o especialista.
O tratamento, segundo o médico, começa muito antes da cirurgia, com acompanhamento ortodôntico e planejamento detalhado.
“O paciente usa aparelho ortodôntico para preparar os dentes. Esse tratamento leva, em média, um ano para deixar o paciente pronto”, afirmou.
Dr. Thiago destacou ainda o uso da tecnologia digital no planejamento cirúrgico:
“Nós fazemos uma cirurgia virtual no computador, com tomografia e escaneamento. Esse programa permite corrigir até 0,1 milímetro e gera um guia cirúrgico em 3D que levamos para a cirurgia.”
Ele reforça que esse avanço aumentou significativamente a previsibilidade dos resultados.
“Hoje tudo é feito no computador. Isso deixa a cirurgia muito mais previsível e segura.”
A cirurgia ortognática é indicada para diferentes tipos de alterações faciais, como queixo muito projetado, retraído ou assimetria facial.
“Tem pacientes com o queixo muito para frente, outros muito para trás e até casos de assimetria facial. Também há aqueles que mostram muita gengiva ao sorrir”, explicou.
Além da estética, o procedimento traz impactos diretos na saúde.
“Melhora bastante a mastigação, dores de cabeça e principalmente a apneia obstrutiva do sono. Tem paciente que praticamente ganha uma nova vida, deixa de roncar e passa a respirar melhor.”
O pós-operatório exige disciplina do paciente, com alimentação controlada e fisioterapia.
“É importante fisioterapia, uso de gelo e dieta líquida e pastosa. Só pode mastigar normalmente após cerca de 60 dias”, orientou.
Apesar do processo de recuperação, o resultado costuma ser altamente satisfatório.
“Os pacientes ficam extremamente satisfeitos, principalmente aqueles com apneia do sono, que passam a ter uma qualidade de vida fantástica.”
Segundo o especialista, não há muitas restrições para a cirurgia, mas o controle de doenças pré-existentes é essencial.
“Não devemos operar pacientes com diabetes ou pressão arterial descompensadas. É necessário avaliação com cardiologista e endocrinologista”, destacou.
Ele também observou a ampliação do perfil dos pacientes.
“Hoje operamos até pacientes com 65, 70 anos, principalmente por causa da apneia do sono.”
Dr. Thiago Leite atua em diferentes unidades da cidade: Clínica CIRFACE, Clínica Niro e Hospital EMEC.