Procedimento tem cobertura pelos planos de saúde e também é oferecido pelo SUS
O cirurgião bucomaxilofacial Dr. Thiago Leite destacou, em entrevista ao programa Jornal do Meio Dia, os benefícios e avanços da cirurgia ortognática, procedimento que corrige deformidades nos ossos da face, especialmente na maxila e mandíbula, proporcionando melhora funcional e estética aos pacientes.
Segundo o especialista, o tratamento é indicado para pessoas que apresentam alterações estruturais, como queixo muito para frente (prognatismo), muito para trás (retrognatismo), assimetrias faciais e casos em que o paciente mostra muita gengiva ao sorrir.
“Há várias situações que levam o paciente a precisar dessa cirurgia. Ela corrige as deformidades da maxila e da mandíbula, melhora a fala, a mordida, a mastigação, a deglutição e até dores de cabeça. Isso tudo reflete em mais qualidade de vida”, explicou.
Dr. Thiago reforça que o procedimento, realizado sob anestesia geral em ambiente hospitalar, tem ampla cobertura por todos os planos de saúde e também é oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Ele destaca que a cirurgia é “muito mais funcional do que estética”, embora melhore significativamente a aparência facial.
“A cirurgia ortognática não tem finalidade apenas estética, embora traga um resultado muito positivo nesse sentido. O foco principal é funcional. Muitos pacientes com o queixo para trás, por exemplo, sofrem de apneia do sono, roncam muito, respiram pela boca e têm infecções respiratórias recorrentes. Corrigir a posição da mandíbula melhora todos esses aspectos”, explicou o cirurgião.
Entre os casos mais comuns, o médico cita os pacientes que têm o queixo projetado para trás, o que pode levar a problemas respiratórios, distúrbios do sono e até obesidade, devido à má qualidade do sono.
“Muitas vezes o queixo para trás determina o ronco e o sono ruim, e o paciente acaba dormindo mal, o que afeta o metabolismo e contribui para o ganho de peso”, completou.
O especialista também mencionou os exames necessários antes da cirurgia, como tomografia facial, ressonância magnética da articulação e polissonografia (exame do sono). O tratamento envolve a atuação conjunta de cirurgião bucomaxilofacial e ortodontista, com o uso prévio de aparelho ortodôntico para preparar os dentes antes do procedimento.
“O planejamento é tão importante quanto o ato cirúrgico. O paciente passa de 12 a 18 meses com o aparelho antes da cirurgia, para que os dentes fiquem na posição ideal. Depois da cirurgia, se ele seguir as recomendações e o acompanhamento fisioterápico, o índice de sucesso é praticamente de 100%”, afirmou Dr. Thiago.
Sobre o pós-operatório, o médico orienta uma dieta pastosa nas primeiras semanas e acompanhamento com fisioterapeuta. Ele recomenda também uma avaliação psicológica antes do procedimento.
“Hoje vivemos um tempo de muita ansiedade, então, se o paciente estiver emocionalmente abalado, é importante estabilizar essa parte antes da cirurgia. Na nossa clínica, todos passam por uma avaliação psicológica prévia”, pontuou.
Apesar de ser uma cirurgia considerada de médio porte, Dr. Thiago tranquiliza os pacientes quanto à recuperação.
“É um procedimento que, se bem planejado, costuma durar de duas a duas horas e meia. O paciente pode ter alta no mesmo dia ou no seguinte. Não é uma cirurgia dolorosa, o que muitos sentem é apenas dormência temporária na região do queixo, que tende a desaparecer em poucos meses”, esclareceu.
O cirurgião reforçou os ganhos que a cirurgia proporciona: “Os pacientes costumam dizer que era para ter feito antes. Passam a dormir melhor, respirar melhor, mastigar e engolir melhor, e ainda ganham uma melhora estética importante. É realmente transformador.”
Dr. Thiago Leite atende em Feira de Santana, nas clínicas Niro, Cirface e no Hospital Emec.