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Comércio de Feira de Santana registra aumento de demissões no inicio do ano

Setor teve mais desligamentos que contratações em fevereiro, enquanto construção civil puxou saldo positivo de empregos

Redação:
segunda-feira, 06 de abril de 2026 às 11:44
Imagem de Comércio de Feira de Santana registra aumento de demissões no inicio do ano

Feira de Santana registrou saldo positivo na geração de empregos formais em fevereiro de 2026, com 607 novas vagas, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Apesar do resultado geral positivo, o setor do comércio voltou a apresentar mais demissões do que admissões pelo segundo mês consecutivo.

De acordo com os números, foram contabilizadas 5.979 admissões contra 5.372 desligamentos no período. O grande destaque foi a construção civil, responsável por 478 novos postos de trabalho, seguida pelos setores de serviços (+173) e indústria (+106). Já o comércio teve saldo negativo de -129 vagas, enquanto a agropecuária também registrou retração (-21).

O presidente do Sicomércio Feira de Santana, Marco Silva, avalia que o desempenho do comércio neste início de ano segue um comportamento esperado para o período.

“Infelizmente, pelo segundo mês, o comércio teve mais demissões do que admissões. Eu diria que isso, de certa forma, é normal, porque no início do ano a gente tem uma redução nas contratações, passado o período de Natal. É uma época de readequação”, explicou.

Segundo ele, diferentemente de anos anteriores, trabalhadores temporários contratados no fim do ano não foram efetivados em grande número, o que contribuiu para o aumento das demissões.

“Nos anos anteriores, grande parte das pessoas contratadas como temporárias ficavam nas empresas. Nos últimos dois anos isso não aconteceu e gerou essas demissões em janeiro e fevereiro”, destacou.

Apesar do cenário atual, a expectativa do setor é de recuperação nos próximos meses, impulsionada por datas importantes para o comércio.

“A gente já está olhando para o Dia das Mães, depois Dia dos Namorados e São João. Entendemos que isso é uma questão sazonal que deve ser superada já a seguir”, afirmou Marco Silva.

Juros altos e endividamento preocupam

O presidente do Sicomércio também alertou para fatores econômicos que vêm impactando diretamente o consumo e o desempenho do comércio, como a alta taxa de juros e o elevado nível de endividamento das famílias.

“Essa taxa de juros elevada desestimula a produção, os investimentos e endivida as empresas e as famílias. Algumas estatísticas já falam em 80% das famílias endividadas, e as pessoas estão deixando de comprar suas necessidades para pagar juros”, pontuou.

Ele ressalta que o comércio, por estar na ponta da cadeia produtiva, acaba sendo um dos primeiros a sentir os efeitos negativos da economia.

“O comércio é o último a sentir e o primeiro a sair, mas já chegou. Isso é muito ruim e preocupa bastante”, disse.

Além dos fatores internos, Marco Silva cita o impacto de questões internacionais, como conflitos no Oriente Médio, que pressionam o preço dos combustíveis e afetam toda a cadeia produtiva.

“O alto preço dos combustíveis e a taxa de juros tiram recursos do consumo. Isso é muito preocupante. A gente espera que haja uma solução o quanto antes, inclusive com a pacificação desses conflitos”, afirmou.

Mesmo diante dos desafios, o dirigente mantém uma visão otimista para os próximos meses, destacando o perfil resiliente do empresariado.

“O empresário é, por natureza, otimista. A gente segue esperançoso com a chegada dessas datas importantes e continua acompanhando de perto os números”, concluiu.

*Com informações do repórter Robson Nascimento

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