Kamilla Hirschle atua há 15 anos no mercado imobiliário americano e explica como funcionam financiamentos, aluguel e investimentos para estrangeiros.
Há 26 anos vivendo nos Estados Unidos, a pernambucana Kamilla Hirschle transformou a experiência de imigrante em uma carreira consolidada no mercado imobiliário do sul da Flórida. Nascida em Recife, criada em João Pessoa e hoje referência em Miami, ela atende brasileiros e latino-americanos interessados em comprar imóveis, investir em dólar ou até construir uma nova vida nos Estados Unidos.
Kamilla explica que a Flórida continua atraindo moradores de diferentes partes dos Estados Unidos e do mundo, fator que mantém o setor imobiliário aquecido.
“O brasileiro é bem forte aqui, tem bastante brasileiro morando em Miami. Sempre existe esse desejo de vir para cá. A migração é muito grande e isso faz com que o mercado continue aquecido”, afirmou.
Ela destaca que os imóveis com preços alinhados ao mercado seguem encontrando compradores rapidamente.
“Se a propriedade estiver com o preço correto que o mercado indica, ela vende sim”, disse.
A nordestina atua há 15 anos no mercado imobiliário, mas iniciou sua trajetória profissional nos Estados Unidos trabalhando com financiamentos.
“Comecei com o mercado de financiamentos e depois fui para o mercado imobiliário como corretora. Eu adoro trabalhar com famílias e pequenos investidores, ajudando a criar o futuro dos filhos e a dolarizar patrimônio”, contou.
Fluente em português, espanhol e inglês, Kamilla atende principalmente clientes venezuelanos e colombianos, além de brasileiros.
“A maior dificuldade para o brasileiro é entender como as coisas funcionam. Eu sempre digo que o mercado imobiliário dos Estados Unidos é mais complexo do que complicado. Se você sabe qual é o próximo passo e tem alguém te assessorando, você chega lá sem maiores problemas”, explicou.
Para brasileiros interessados em comprar imóveis na Flórida, Kamilla esclarece que o financiamento é realizado por instituições norte-americanas e não exige contratação de crédito no Brasil.
“O estrangeiro paga juros um pouco mais altos que o residente. Hoje estamos falando em algo entre 7,2% e até 9%, dependendo da comprovação de renda”, detalhou.
Ela informou ainda que o modelo mais comum é o financiamento em 30 anos e que compradores estrangeiros costumam precisar dar uma entrada entre 30% e 35% do valor do imóvel.
“Com uma boa assessoria, a vontade de ter o seu pedacinho da Flórida se torna muito mais fácil e muito mais provável”, afirmou.
Para quem pretende adquirir imóveis visando renda com locação, Kamilla ressalta que é preciso analisar cuidadosamente cada condomínio, já que muitos estabelecem restrições para aluguel.
“Tem condomínios que não permitem alugar, outros permitem apenas uma vez por ano ou a cada dois anos. Tudo depende do objetivo do cliente: dolarizar patrimônio, ter uma segunda residência ou investir exclusivamente em locação”, explicou.
Ela acrescenta que fatores como qualidade das escolas, hospitais, parques e infraestrutura influenciam diretamente na valorização e na procura por imóveis para aluguel.
“Quanto melhor você fez a compra, maior vai ser o seu retorno. A compra é o que faz a grande diferença”, ressaltou.
Questionada sobre os preços na região próxima ao litoral, Kamilla informou que imóveis em prédios mais antigos podem custar cerca de US$ 4 mil por metro quadrado.
Já empreendimentos mais novos e de alto padrão apresentam valores significativamente superiores.
“Os apartamentos mais luxuosos podem exigir investimentos a partir de US$ 1,5 milhão”, disse.
Além de orientar investidores, Kamilla também aconselha brasileiros que sonham em viver legalmente nos Estados Unidos.
“A primeira coisa é procurar um advogado de imigração para entender quais são as suas possibilidades e a segunda é começar a aprender inglês, porque isso abre muitas portas”, recomendou.
Para ela, a dedicação do brasileiro é um diferencial importante no mercado norte-americano.
“O brasileiro tem uma luta e uma raça de buscar realmente o que quer. A gente faz acontecer. É por isso que muita gente gosta de trabalhar com brasileiros”, concluiu.