Especialista destaca orientação solar, ventilação cruzada e soluções arquitetônicas e naturais que reduzem o calor e melhoram o bem-estar dentro de casa
Com as altas temperaturas cada vez mais frequentes, pensar em soluções para manter a casa fresca sem recorrer ao ar-condicionado se tornou uma necessidade. A arquiteta e urbanista Carina Macedo, especialista em interiores, destacou que o conforto térmico ainda é pouco valorizado na hora de projetar imóveis, apesar de ser um dos pontos mais importantes na concepção de uma residência.
Segundo ela, o erro começa logo no início do processo. “Dentro da minha experiência como profissional, vejo que conforto térmico é um tema pouco abordado pelos clientes, quando, na verdade, ele deveria ser um dos primeiros aspectos considerados na concepção da casa, do escritório ou do ponto comercial, principalmente da residência”, ressaltou.
A arquiteta explica que, antes mesmo de pensar na estética do imóvel, é fundamental observar a orientação solar e a direção dos ventos.
“As áreas de permanência, como quartos e salas, não devem estar voltadas para o sol poente, que é o mais quente. O ideal é que esses ambientes estejam orientados para o leste e o sul, onde recebemos a ventilação predominante da nossa região”, explicou.

Outro ponto essencial é garantir a ventilação cruzada, que contribui significativamente para amenizar o calor interno.
“A gente precisa ter portas e janelas posicionadas umas de frente para as outras. É esse mecanismo que faz o ar circular dentro da casa”, afirmou.
Carina também destacou elementos arquitetônicos que ajudam no controle térmico, como brises em janelas poentes, pergolados para sombreamento de varandas e portas, além da escolha adequada da cobertura.
“Telhas termoacústicas favorecem um ambiente interno mais fresco. Quando isso não é possível, pintar as telhas de branco ou optar por cores claras ajuda a refletir o sol e reduzir o calor”, explicou.
Entre as inovações, a arquiteta citou o uso da alvenaria de EPS (isopor) no lugar dos blocos cerâmicos ou de concreto.
"A alvenaria de EPS tem apresentado um resultado muito positivo na redução do calor, além de baratear a obra e favorecer o isolamento térmico”, destacou.
No design de interiores, Carina recomenda o uso de plantas e jardins, mesmo que em vasos.
“Além do ganho estético, elas são grandes aliadas na redução da temperatura, proporcionam sombreamento e contribuem para um ambiente mais agradável”, explicou.
A escolha dos materiais também influencia. “Prefira tecidos naturais, como o linho, em sofás, cadeiras e roupas de cama. Os tecidos sintéticos retêm mais calor”, orientou. Outra dica é o uso de películas UV transparentes em vidros e janelas, que reduzem a incidência da radiação solar sem comprometer a iluminação natural.
Para a arquiteta, muitas soluções já eram usadas pelos nossos antepassados e acabaram sendo deixadas de lado.
“Os métodos construtivos mais naturais, como a taipa, os jardins e a valorização do ambiente externo, foram substituídos pelo excesso de vidro, concreto e materiais sintéticos. Mas por que abandonar técnicas que funcionavam tão bem, se podemos combiná-las com as atuais?”, questionou.
Carina explica que a arquitetura biofílica não exige uma casa totalmente verde. “Às vezes o cliente pensa que precisa ter uma casa inteira sustentável, mas apenas alguns pontos de biofilia já fazem uma grande diferença”, afirmou. Ela cita exemplos simples, como substituir áreas totalmente cimentadas por pisos drenantes, lajotas de barro, pedras naturais e áreas verdes.
Além de reduzir o calor, a biofilia traz benefícios emocionais. “Essa reconexão com a natureza ajuda a reduzir o estresse, aumenta o bem-estar e melhora a qualidade de vida dos moradores. Mesmo pequenas intervenções já têm um impacto muito positivo”, concluiu.
*Com informações do repórter JP Miranda