24/07/2026
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Congresso da FUP confirma apoio às pré-candidaturas de Deyvid Bacelar e Radiovaldo Costa

Congresso da FUP aposta também na pré-candidatura de Radiovaldo Costa para a Assembleia Legislativa da Bahia

Victória SilvaRedação: Victória Silva
terça-feira, 21 de julho de 2026 às 16:54
Imagem de Congresso da FUP confirma apoio às pré-candidaturas de Deyvid Bacelar e Radiovaldo Costa

Melhorar a qualidade de vida da classe trabalhadora é o principal objetivo dos sindicalistas Radiovaldo Costa e Deyvid Bacelar, ambos pré-candidatos às vagas de deputado estadual e federal, respectivamente, pelo Partido dos Trabalhadores (PT) na Bahia. Os nomes dos dois representantes foram referendados na tarde de ontem (20/7) por petroleiros e petroleiras de todo o Brasil durante a abertura do XX Congresso Nacional da Federação Única dos Petroleiros e Petroleiras (CONFUP), realizado no Clube de Empregados da Petrobras (CEPE), em Stella Mares, na capital baiana. O encontro marca a despedida de Deyvid Bacelar da direção da FUP e a eleição de Cibele Vieira, primeira mulher a assumir a coordenação geral dessa organização sindical.

Na avaliação de Deyvid Bacelar, é fundamental que representantes sindicais possam trazer para a política as pautas que mudam a vida do trabalhador.

“O Congresso Nacional e as Assembleias Legislativas tomam decisões que definem salário, jornada, transporte e energia de 215 milhões de brasileiros. Quando essas casas são ocupadas apenas por empresários, herdeiros políticos e lobbies, o debate fica distante da realidade de quem bate cartão”, defendeu Bacelar.

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Por isso, segundo ele, a presença de representantes sindicais na política institucional não é um detalhe.

“É garantia de que a voz de quem trabalha chegue onde as leis são escritas”, frisou.

Ao lado de Deyvid, o pré-candidato a deputado estadual Radiovaldo Costa deu como exemplo a luta pelo fim da escala 6x1 (direito de trabalhar seis dias para folgar um), que já foi aprovada na Câmara e hoje está travada no Senado.

“Para os sindicatos, ela é desumana, anacrônica e insustentável. Esgota o corpo, destrói a convivência familiar e faz o trabalhador e trabalhadora adoecerem mentalmente. Países que reduziram a jornada ganharam produtividade”, afirmou.

Segundo Deyvid Bacelar, o caminho que o Brasil está demorando tanto para seguir já foi trilhado por nações progressistas.

“Na França, a jornada de 35 horas semanais é lei desde 2000. Na Alemanha, metalúrgicos conquistaram a semana de 28 horas com redução proporcional de salário em acordos setoriais. Em Portugal foi aprovada, em 2023, a semana de quatro dias em teste no serviço público. Na Espanha e na Bélgica já permitem ao trabalhador optar por quatro dias de trabalho sem corte salarial”, enumerou.

Para os dois representantes dos petroleiros, ter sindicalistas no Congresso significa contar com parlamentares que apresentem esses dados, pressionem relatores e impeçam que o texto seja esvaziado por emendas patronais. Sem essa representação, avaliam, a PEC 221/2019, que prevê o fim da escala 6x1, corre o risco de não avançar.

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Outra bandeira defendida pelos pré-candidatos é a Tarifa Zero no transporte público.

“Esta é uma bandeira que só avança com pressão popular organizada. E nós a defendemos por três motivos concretos. Primeiro, porque transporte é custo fixo que consome até 20% do salário mínimo. Segundo, porque ônibus e metrô vazios em horário de folga representam prejuízo para a cidade inteira: mais carros, mais trânsito e mais poluição. Terceiro, porque cidades como Maricá (RJ), Caucaia (CE) e Vargem Grande Paulista (SP) já provaram que é viável”, ressaltou Deyvid.

Radiovaldo endossou a proposta, lembrando que o financiamento pode vir da realocação de subsídios, de verbas de publicidade e da arrecadação sobre combustíveis e grandes empresas.

“Onde foi implantada, aumentou o acesso ao emprego, à escola e à saúde. Para o trabalhador, é aumento real de renda sem depender de reajuste”, frisou.

Ao abordar a transição energética justa e o papel da agricultura familiar, Bacelar destacou que a crise climática exige mudanças na matriz energética, mas defendeu que esse processo precisa ocorrer com justiça social.

“A transição energética justa tem três pilares. O primeiro é reduzir o preço dos combustíveis reestatizando as refinarias privatizadas nos governos Temer e Bolsonaro e devolvendo a Petrobras Distribuidora para os braços da Petrobras. O segundo é incluir o trabalhador do campo. A produção de oleaginosas como mamona, pinhão-manso e soja para o biodiesel não pode ficar apenas nas mãos do agronegócio. A agricultura familiar tem terra, mão de obra e capilaridade para produzir. Inseri-la na cadeia do biodiesel garante renda no interior, desconcentra lucro e barateia o combustível”, explicou.

O terceiro pilar, segundo Bacelar, é a geração de empregos verdes.

“Painéis solares, energia eólica e biocombustíveis precisam de metalúrgicos, eletricistas, caminhoneiros e técnicos agrícolas. Ou seja, novos direitos trabalhistas, não precarização.”

Ainda de acordo com Bacelar:

“Sem representantes que conheçam a porteira da roça e a porta da fábrica, o Brasil corre o risco de fazer uma transição que beneficia apenas grandes fundos e deixa o trabalhador pagando a conta.”

Radiovaldo acrescentou:

“Ter sindicato no Parlamento não é aparelhar o Estado, é devolver ao Estado o endereço de quem ele deveria servir primeiro.”

E completou:

“É ter quem diga na tribuna que a escala 6x1 mata, que ônibus caro isola, que energia cara empobrece e que o campo pode ser parte da solução climática.”

Na avaliação de Deyvid Bacelar, países que avançaram em direitos trabalhistas, transporte público e energia limpa tiveram forte participação sindical nas decisões políticas.

“Democracia só se completa quando quem vive o problema também vota a solução”, concluiu.

O XX Congresso Nacional da Federação Única dos Petroleiros e Petroleiras (CONFUP) tem como tema “Brasil Soberano – Energia para um Mundo Melhor” e reúne sindicatos filiados à FUP no CEPE de Stella Mares, em Salvador, até o dia 24 de julho.

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