09/06/2026
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5 min de leitura

Construtores protestam contra demora em registros imobiliários e cobram solução em Feira de Santana

Movimento denuncia demora, excesso de burocracia e prejuízos à construção civil

Victória SilvaRedação: Victória Silva
segunda-feira, 18 de maio de 2026 às 11:58
aproximadamente vinte pessoas reunidas em um ato público em uma via urbana. A maioria dos manifestantes é composta por homens que vestem camisetas amarelas idênticas, calças jeans ou de sarja e calçados variados
Foto: JP Miranda

Uma mobilização liderada por pequenos construtores, engenheiros, despachantes, corretores e representantes da sociedade civil marcou esta segunda-feira (18), em frente ao 1º Ofício de Registro de Imóveis de Feira de Santana. O grupo protesta contra a suposta morosidade nos processos, excesso de exigências documentais e demora na devolução de registros imobiliários, situação que, segundo os participantes, tem provocado impactos diretos na construção civil do município.

O movimento reúne profissionais que afirmam enfrentar dificuldades para concluir processos relacionados a averbações, desmembramentos e registros de imóveis, afetando empresários, trabalhadores do setor e clientes.

Líder do movimento, o construtor Dionei Almeida da Silva afirmou que o principal problema é a demora na tramitação dos documentos e a emissão sucessiva de notas devolutivas, quando o cartório solicita ajustes ou complementação documental.

Foto: JP Miranda

“Nosso motivo é a morosidade nos prazos, a burocracia. Quando você dá entrada num documento, chega uma nota devolutiva, você resolve, entra de novo para o cartório, o prazo extrapola e chega outra nota devolutiva, que os engenheiros, despachantes, arquitetos e profissionais da prefeitura não estão entendendo”, declarou.

Segundo Dionei, a situação tem gerado insegurança entre os profissionais da construção civil e prejuízos financeiros para o setor.

“Isso está gerando um desespero grande de toda a comunidade feirense que depende da construção civil, direta ou indiretamente”, afirmou.

Foto: JP Miranda

O construtor também criticou o que considera divergências entre as orientações recebidas e a prática adotada no atendimento.

“O cartório recebe a gente, mas sempre diz que está na lei e a gente recebendo essa nota devolutiva e não está na lei. Foi dito que a devolução dos documentos seria feita em cinco dias, mas isso não está acontecendo”, pontuou.

Diante da situação, o movimento promete manter a mobilização até a audiência pública marcada para quarta-feira, na Câmara Municipal.

“Nossa demanda é a paralisação até quarta-feira, quando vai ter audiência pública. Vamos pedir ao Tribunal de Justiça que analise essa situação e continuar esse movimento até termos uma resposta”, disse Dionei.

Impactos no setor da construção

De acordo com Dionei Almeida, a lentidão nos processos afeta diretamente a relação entre empresários e clientes, comprometendo financiamentos e entregas de imóveis.

“O cliente te dá uma entrada no imóvel e você tem um prazo para essa documentação passar pela prefeitura, cartório e outros órgãos. O cartório é o principal. Sem isso, não conseguimos a resposta final para o cliente”, explicou.

Ele destacou ainda que a situação tem provocado paralisação de atividades e cobranças em cadeia.

“Tem profissionais parados, cobrança dos engenheiros, dos clientes, dos donos de material de construção. O prejuízo é muito grande”, afirmou.

Engenheiros denunciam exigências excessivas

O engenheiro Tomaz Junior também participou da mobilização e criticou exigências consideradas excessivas por parte do cartório.

Segundo ele, mesmo documentos eletrônicos autenticados seguem sendo questionados.

Foto: JP Miranda

“Todos os engenheiros credenciados ao CREA emitem ART com assinatura eletrônica e, mesmo assim, o cartório exige reconhecimento de firma tanto do profissional quanto do cliente”, afirmou.

Tomaz também apontou divergências sobre exigências em processos de desmembramento e averbação.

“A lei diz que não há necessidade de assinatura de confrontantes, apenas em casos de retificação de área. Mesmo assim, há insistência nessas cobranças, reduzindo a celeridade dos processos”, criticou.

Cartório atribui gargalo à regularização de irregularidades históricas

Representando o cartório, o interventor Marcelo Bertucci reconheceu a existência de demandas acumuladas, mas afirmou que a situação herdada era “caótica” e que o trabalho atual busca adequar os registros à legislação.

Foto: JP Miranda

“Pegamos uma situação caótica no cartório, com mais de três mil títulos sem qualificação. Tivemos que fazer alterações na equipe e regularizar muitos processos”, declarou.

Segundo Bertucci, parte significativa dos serviços já foi normalizada, incluindo certidões, escrituras públicas, usucapiões e registros judiciais.

Ele explicou que os principais gargalos atualmente envolvem retificações de área e parcelamentos do solo.

“Muitos parcelamentos estavam sendo feitos de maneira equivocada, sem observar a legislação do parcelamento do solo. O cartório precisa sanear essas matrículas para dar andamento aos processos”, disse.

O interventor também rebateu acusações de arbitrariedade e afirmou que os usuários podem contestar formalmente as exigências.

“Se a pessoa não concorda com a nota devolutiva, pode fazer um requerimento para a juíza corregedora permanente analisar. O cartório não é dono da razão”, pontuou.

Marcelo ainda negou favorecimentos e garantiu que os processos seguem ordem cronológica.

“Aqui ninguém passa na frente de ninguém. Se isso estiver acontecendo, quero provas para investigar”, declarou.

Audiência pública deve ampliar debate

O tema será discutido em audiência pública na Câmara Municipal de Feira de Santana, prevista para quarta-feira (20). A expectativa é reunir representantes do movimento, do cartório, do poder público e do Judiciário para discutir soluções que reduzam os entraves enfrentados pelos pequenos construtores e garantam maior segurança jurídica aos processos imobiliários no município.

*Com informações do repórter JP Miranda

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