A contadora Eli Araújo aponta desafios enfrentados por mulheres na área e reforça o papel da educação financeira e da representatividade
A contabilidade tem se consolidado como uma ferramenta essencial para o crescimento e a sustentabilidade dos negócios liderados por mulheres. A avaliação é da empresária e contadora Eli Araújo, integrante da Câmara da Mulher Empresária de Feira de Santana, ligada ao Sicomércio, durante entrevista concedida à série especial Março Mulher no programa Jornal do Meio Dia da Rádio Princesa FM.
Segundo Eli, a contabilidade vai muito além das obrigações fiscais e se torna uma aliada estratégica para qualquer empreendedor, especialmente para mulheres que buscam autonomia e segurança na gestão dos seus negócios.
“A contabilidade é uma base para a gente tomar decisões dentro de uma empresa. É através dela que a empreendedora consegue analisar custos, despesas, receitas e entender a viabilidade do seu negócio”, afirmou.
Ela ressalta ainda que o sucesso empresarial começa desde a estrutura inicial.
“É de grande importância que a empresa já nasça com essa junção de sonho com a parte contábil. É o coração da empresa para que ela consiga se sustentar ao longo dos anos”, completou.
Apesar dos avanços, Eli destaca que as mulheres ainda enfrentam barreiras, especialmente em áreas tradicionalmente dominadas por homens, como a contabilidade.
“Hoje ainda vemos poucas mulheres ocupando espaços de liderança. Apenas cerca de 34% das empresas no Brasil são lideradas por mulheres”, pontuou.
Ela relata que, muitas vezes, a competência feminina é colocada em dúvida.
“Mesmo com conhecimento e prática, a mulher ainda é muito questionada. Muitas vezes, o que ela fala precisa ser validado por um homem”, disse.
Por outro lado, a empresária também observa mudanças positivas no mercado.
“Já há uma busca maior por profissionais mulheres, pela sensibilidade, critério e empatia que elas trazem para a contabilidade”, destacou, ao relembrar uma experiência profissional com um diretor de multinacional.
Outro ponto enfatizado por Eli é o papel da educação financeira no fortalecimento da autonomia feminina.
“Quando a mulher entende fluxo de caixa, custos, impostos e planejamento financeiro, ela passa a ter mais segurança para tomar decisões. Isso fortalece sua autonomia dentro da empresa”, explicou.
Dados do Conselho Federal de Contabilidade mostram um avanço significativo na participação das mulheres na área. Se na década de 1950 elas representavam apenas 1,3% dos profissionais, atualmente já somam cerca de 42,79%.
Para Eli, esse crescimento está diretamente ligado à busca por qualificação e espaço no mercado.
“As mulheres estão buscando ocupar um espaço que já é delas, através do conhecimento e da capacitação constante”, afirmou.
Na Câmara da Mulher Empresária de Feira de Santana, Eli atua diretamente no apoio e fortalecimento de outras mulheres empreendedoras. O grupo promove ações, debates e iniciativas voltadas às demandas femininas no mundo dos negócios.
“Nosso papel é apoiar, acolher e dizer: nós estamos aqui para caminhar juntas. O empreendedorismo é muito solitário, e esse suporte faz toda a diferença”, destacou.
Entre as iniciativas recentes, ela citou a realização de um fórum sobre violência no trânsito, que teve repercussão positiva na cidade.
Mulheres interessadas em integrar a Câmara da Mulher Empresária podem participar de reuniões mensais e passar por um processo de avaliação de perfil.
“Existe um comitê que analisa criteriosamente cada participante. Buscamos mulheres que estejam à frente de seus negócios e que possam contribuir com o grupo”, explicou.
Eli também destacou o trabalho da sua empresa, a Horizontes Contabilidade, e reforçou o compromisso com o fortalecimento do empreendedorismo feminino.
“A gente acredita no potencial das mulheres e trabalha para que elas tenham cada vez mais espaço e segurança para crescer”, concluiu.