Os problemas do coração têm crescido de forma preocupante entre o público feminino e já são as principais causas de morte entre as mulheres
Durante o quadro Momento IDM Cardio, o cardiologista Dr. Cláudio Rocha chamou atenção para um tema muitas vezes esquecido nas campanhas de Outubro Rosa: as doenças cardiovasculares em mulheres. Segundo ele, os problemas do coração têm crescido de forma preocupante entre o público feminino e já são as principais causas de morte entre as mulheres, superando inclusive todos os tipos de câncer somados.
“As doenças cardiovasculares matam duas vezes mais do que todos os tipos de câncer, incluindo o de mama. São a principal causa de morte entre as mulheres, e isso precisa ser debatido com a mesma ênfase que damos ao câncer de mama”, destacou o cardiologista.
Dr. Cláudio explicou que, nas últimas décadas, as transformações sociais e o aumento da carga de trabalho têm impactado diretamente a saúde feminina.
“A partir do momento em que a mulher passou a ter mais autonomia e independência, vieram também novas responsabilidades. Hoje, ela trabalha fora, cuida da casa e dos filhos, e isso tem mudado os hábitos. A consequência é o aumento de fatores de risco como obesidade, colesterol alto, diabetes e hipertensão”, afirmou.
Essas mudanças, segundo o especialista, levaram a um crescimento expressivo dos casos de infarto agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral (AVC) entre as mulheres, incluindo as mais jovens.
O médico também lembrou que o hormônio estrogênio oferece uma certa proteção às mulheres até a menopausa.
“O estrogênio tem um efeito protetor contra doenças cardiovasculares. Mas, após a menopausa, essa defesa diminui, e as mulheres passam a ter o mesmo risco que os homens. Hoje, vemos mulheres jovens infartando e sofrendo AVC com a mesma frequência que os homens”, alertou.
Sobre a terapia de reposição hormonal, o cardiologista esclareceu que o tratamento não é contraindicado, desde que seja feito com acompanhamento médico.
“A reposição hormonal não deve ser usada como prevenção de doenças cardiovasculares, mas também não aumenta o risco quando bem indicada e acompanhada por ginecologista e cardiologista”, explicou.
O especialista também destacou o impacto das doenças emocionais, como ansiedade, depressão e síndrome do pânico, sobre a saúde do coração.
“A sobrecarga emocional e o estresse constante aumentam a produção de hormônios que elevam a pressão arterial, a frequência cardíaca e o risco de infarto. É o que chamamos de ‘síndrome do coração partido’, um quadro real que pode causar alterações no coração após um pico de estresse intenso”, relatou Dr. Cláudio.
Ele ressaltou que o tratamento não medicamentoso, com psicoterapia e atividade física regular, é um dos pilares para reduzir o risco cardiovascular.
“A atividade física é um grande aliado no combate à ansiedade e à depressão. Mesmo 10 minutos por dia já fazem diferença. Cada passo conta”, incentivou.
Apesar de reconhecer as dificuldades enfrentadas pelas mulheres devido à rotina intensa, o cardiologista reforçou a importância de adotar hábitos saudáveis.
“Muitas mulheres têm pouco tempo por causa do trabalho e da família, mas é possível manter uma vida ativa. Não precisa de academia nem de corrida longa, o importante é sair da inércia. Dez minutos por dia já melhoram muito a saúde cardiovascular”, enfatizou.
Dr. Cláudio explicou que os sintomas de infarto nas mulheres podem ser diferentes dos homens, o que muitas vezes atrasa o diagnóstico.
“Nem toda mulher sente aquela dor intensa no peito irradiando para o braço. Em muitos casos, os sintomas são falta de ar, enjoo, sudorese, agitação, desmaio ou dor no estômago. É preciso estar atenta, porque o infarto pode se manifestar de formas diferentes”, alertou.
O médico concluiu reforçando que o Outubro Rosa deve ser também um momento de prevenção global da saúde da mulher, incluindo o cuidado com o coração.
“O câncer de mama continua sendo uma preocupação, mas o infarto e o AVC são as doenças que mais matam as mulheres. Por isso, o Outubro Rosa também deve ser um alerta para a saúde cardiovascular”, finalizou o Dr. Cláudio Rocha.