Analistas avaliam os impactos da saída do senador e discutem cenários eleitorais para 2026
A saída do senador Ângelo Coronel da base do governador Jerônimo Rodrigues movimentou o cenário político baiano nas últimas horas. O assunto foi discutido no programa De Olho na Cidade por Humberto Cedraz, comentarista político, e Dilson Barbosa, radialista.
Segundo Cedraz, a decisão de Coronel é consequência de uma tentativa de assegurar espaço político e refletiria a dificuldade de conciliar interesses pessoais com a estratégia do partido.
"Coronel estava agindo certo a partir do momento de tentar ter uma vaga ou uma posição boa numa composição de governo, mas ele chegar ao extremo de abandonar o partido", explicou Cedraz.
O comentarista ainda destacou que a movimentação do senador está inserida em um contexto familiar e político complexo.
"Ele tem filhos e não vai dizer ‘não, eu não faço política com a família’. Claro que faz, tanto é que elegeu dois, não elegeu outros correligionários que o seguiam. Coronel não pode reclamar de uma corrida familiar para atender o interesse partidário também."
Cedraz comparou o caso de Coronel a outras figuras políticas, ressaltando a importância de avaliar o histórico eleitoral e a força dos adversários.
"O guerreiro forte, o vencedor, é o que sabe a força do seu opositor. Como um cara vai disputar um ‘bodybuilding’ político se ele na academia só consegue alavancar cinquenta quilos e vai disputar contra alguém que pega duzentos e setenta quilos?", afirmou.
A saída de Coronel provoca repercussões também sobre os deputados federais e estaduais que poderiam ser beneficiados pela transferência de votos.
"Quem perde mais? Deputados federais e estaduais do União Brasil. O que Coronel tem como certeza de levar pra lá é o filho, um deputado federal, estadual. Se ele mantiver o voto, precisaria de duzentos e vinte mil votos, e não é certo que consiga."
A expectativa, segundo os analistas, é que Coronel ainda avalie o destino partidário, com possibilidades de filiação ao PSDB ou ao Republicanos, mas descartando partidos menores:
"Ele não vai em partido minúsculo. Coronel é um senador, tem uma força. Mas o governo estadual também perde no curto prazo, pela instabilidade que se cria."
Dilson Barbosa também comentou a reação de lideranças políticas à saída do senador:
"Hoje ouvimos de manhã o ex-presidente da Assembleia, e só faltou dizer: já foi tarde. Ele deixou claro que está deixando a política e possivelmente sairá para o Tribunal de Contas. Coronel, para ele, deixar o partido foi um alívio."
Barbosa avaliou ainda os caminhos possíveis para Coronel e seus filhos, sugerindo que a candidatura ao Senado é a prioridade:
"Coronel deve compor a chapa como candidato ao Senado. É possível até que a vice vá para um filho. Ele diz claramente: se não fosse candidato ao Senado na chapa majoritária de Jerônimo, sairia solo. O imbróglio está formado, mas até bom para ACM Neto, que encontra um caminho para candidaturas que estavam mornas", explicou.
O radialista concluiu com uma avaliação sobre a força política de Coronel, mas ressaltou os riscos de entrar em disputas complexas com múltiplos adversários:
"Coronel tem uma força dentro do processo político da Bahia, mas entrar numa discussão onde todo mundo já está posicionado é arriscado", disse.