08/06/2026
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Cultura ou excesso? Empresário questiona uso de dinheiro público em grandes festas populares

Carlos Medeiros defende equilíbrio nas contas públicas, critica prioridades de gastos em eventos e cobra mais valorização de artistas locais e investimentos em áreas essenciais como saúde e educação.

Redação: Victória Silva
quarta-feira, 20 de maio de 2026 às 20:06
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Foto: De Olho na Cidade

O uso de recursos públicos em festas tradicionais, como o São João, e a forma como as prefeituras administram esses investimentos foram os principais pontos da entrevista com o empresário Carlos Medeiros. Ele defendeu a importância cultural das celebrações juninas, mas fez críticas ao que considera excesso de gastos em eventos enquanto áreas essenciais, como saúde e educação, enfrentam dificuldades. O empresário também abordou a atuação de órgãos fiscalizadores e a valorização dos artistas locais.

Carlos Medeiros destacou o valor afetivo das festas juninas e dos fogos de artifício, lembrando experiências pessoais da infância.

“Meu pai poderia estar quebrado, sem dinheiro, mas sempre deixava um dinheirinho pros fogos. Era um prazer em família.”

Apesar da relação cultural com as festas, ele afirmou que o poder público precisa estabelecer prioridades mais claras na aplicação dos recursos.

“Eu critico muito prefeituras que gastam com grandes eventos e acabam faltando remédios, faltando saúde, faltando o básico.”

Para ele, o planejamento deve considerar primeiro as necessidades essenciais da população.

“O que não dá é ter carência em outras áreas e dinheiro sobrando para fazer grandes eventos.”

Carlos também fez uma comparação com a gestão doméstica para ilustrar sua visão sobre prioridades orçamentárias.

“Se sua família está doente e você tem dinheiro limitado, você vai tratar sua família ou sair para gastar no restaurante?”

Controle de gastos públicos e atuação dos órgãos fiscalizadores

O empresário também comentou sobre o papel de órgãos de controle na fiscalização dos gastos com eventos públicos, defendendo maior rigor na aplicação dos recursos.

“Existe um limite de 700 mil reais de cachê. Não é obrigação, é uma indicação, mas acima disso vai ter mais investigação.”

Ele ressaltou que municípios com dificuldades financeiras devem ter ainda mais cautela na gestão do orçamento.

“Se você está com folha atrasada, fornecedor atrasado, problemas na saúde financeira, tem que ser mais criterioso ainda.”

Apesar das críticas, Carlos afirmou não ser contrário às festas populares, desde que haja planejamento.

“Não sou contra grandes atrações, mas precisa de planejamento e responsabilidade.”

Artistas locais e atraso de pagamentos no São João

Outro ponto abordado foi a situação dos artistas locais, com críticas à falta de valorização e atrasos de pagamentos por parte de administrações municipais.

“Tem artista em Feira de Santana que trabalhou em 2024 e ainda não recebeu.”

Ele também apontou desigualdade no tratamento entre artistas nacionais e regionais.

“O artista grande recebe 50% na assinatura do contrato e 50% antes de subir ao palco. O artista local fica dois anos sem receber.”

Carlos destacou ainda o impacto econômico dessas escolhas para a economia local.

“Quando você paga artista de fora, o dinheiro vai embora. Quando paga o da terra, o dinheiro fica na cidade.”

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