Caso apura suspeitas de irregularidades na negociação de cotas de fundo imobiliário em 2018; proposta de acordo de R$ 10,89 milhões já foi recusada pelo colegiado da autarquia
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) agendou para 8 de setembro a análise de um processo administrativo que tem entre os acusados o Banco Master, o empresário Daniel Vorcaro e outros 17 envolvidos. A investigação trata de possíveis irregularidades em operações realizadas no mercado de capitais em 2018, relacionadas à negociação de cotas do fundo imobiliário Brazil Realty.
O processo reúne 19 pessoas físicas e jurídicas. Além do Banco Master e de Daniel Vorcaro, estão entre os investigados Henrique Vorcaro, pai do empresário, e Felipe Cançado Vorcaro, seu primo. O caso será relatado pelo diretor da CVM João Accioly.
As apurações também ganharam espaço no contexto das investigações judiciais que envolvem o Banco Master. O processo administrativo da CVM chegou a ser citado em uma decisão que determinou a prisão de Daniel Vorcaro.
Em outubro de 2021, aproximadamente três anos depois dos fatos investigados, os acusados apresentaram à CVM uma proposta de termo de compromisso. Esse instrumento permite encerrar um processo administrativo mediante o cumprimento de obrigações previamente estabelecidas, evitando que o caso avance para um julgamento de mérito.
A proposta passou por análise do colegiado da autarquia durante os anos seguintes. Em dezembro de 2024, o então relator, Otto Lobo, solicitou vista do processo. Atualmente presidente da CVM, Lobo não apresentou voto quando o caso retornou à pauta posteriormente. Na mesma sessão, João Accioly também pediu vista.
A discussão foi retomada em dezembro de 2025, em meio à repercussão das investigações relacionadas ao Banco Master. Na ocasião, o colegiado rejeitou o termo de compromisso apresentado pelos envolvidos.
Como parte da tentativa de acordo, o Banco Master e Daniel Vorcaro haviam oferecido R$ 10,89 milhões para encerrar o processo sem que houvesse julgamento sobre o mérito das acusações.
Com a recusa da proposta, o procedimento continuará sua tramitação na CVM. O colegiado deverá analisar o mérito do processo na sessão marcada para setembro.