09/06/2026
--
De Olho na Cidade
InícioCultura
4 min de leitura

Da Rua Nova para a Europa: percussionista Zé das Congas leva cultura feirense à Grécia com projeto social

Em intercâmbio cultural na Grécia, percussionista da Rua Nova destaca a força da música com materiais recicláveis, a valorização da cultura brasileira no exterior e o impacto social da arte na formação de jovens.

Victória SilvaRedação: Victória Silva
segunda-feira, 25 de maio de 2026 às 10:21
um grupo de cerca de vinte pessoas reunidas em um deck de madeira ao ar livre, posando para a foto lado a lado. A maioria delas está posicionada atrás de uma fileira de diversos tambores percussivos (atabaques e congas) alinhados à frente.
Foto: Arquivo pessoal

A cultura popular de Feira de Santana ultrapassou fronteiras e chegou à Europa pelas mãos e pelo talento do percussionista José Pereira dos Santos, mais conhecido como Zé das Congas. Morador da Rua Nova há mais de 50 anos, o músico está atualmente na Grécia participando de um projeto social voltado à música e à percussão com materiais recicláveis, levando um pouco da identidade cultural feirense para outros países.

Zé das Congas destacou a emoção de representar o bairro, a cidade, a Bahia e o Brasil fora do país, enquanto compartilha seus conhecimentos musicais em oficinas de percussão.

Foto: Arquivo pessoal

“Pra mim é uma honra estar aqui na Grécia e estar viajando também pra Croácia. Fico muito feliz porque, através da percussão, eu sempre falo com os meus alunos que foi através da música, dessa arte e dessa cultura que eu consegui sair da minha cidade”, afirmou.

Segundo o percussionista, o objetivo do projeto vai além da música: é também ensinar como a criatividade pode transformar materiais simples em arte, profissão e oportunidade de vida.

“Meu objetivo é ensinar você a viver em cima de coisas simples. Minha luta começou com instrumentos recicláveis e, em cima disso, fui estudando pra tocar percussão. Fui desenvolvendo isso no bairro mesmo, com instrumentos simples, e aí foi ganhando força na cidade, no estado e atravessou fronteiras”, contou.

Percussão, disciplina e transformação social

Autodidata, Zé das Congas lembra que começou sua trajetória musical utilizando objetos reaproveitados, como tampas de garrafa, até construir uma carreira reconhecida internacionalmente. Para ele, a música é uma ferramenta de transformação social e deve ser tratada com seriedade.

“Desde o primeiro instrumento que peguei, que foi chave de tampas de garrafa, até hoje, eu estou aqui fortalecendo a musicalidade feirense. A música é uma profissão e tem que ser encarada com determinação e seriedade. Quem vai ouvir uma música não quer ouvir algo mal executado, então tem que estudar”, explicou.

O músico reforçou ainda que qualquer pessoa pode descobrir um talento e transformá-lo em sustento.

“Você pode pegar qualquer coisinha e transformar desde uma arte até uma profissão, como se transformou a minha profissão de percussionista autodidata. Isso pode ir pras escolas, universidades, igrejas, bares, ruas, praças e você pode viver da sua própria arte”, destacou.

Foto: Arquivo pessoal

Valorização da cultura brasileira no exterior

Durante a experiência na Europa, Zé também percebeu uma valorização maior da cultura popular brasileira em países estrangeiros, especialmente manifestações como a capoeira, o samba de roda e a percussão.

“Aqui na Europa a cultura é vista como uma riqueza, como parte da formação das pessoas. Eu observei que a potência da nossa cultura é muito mais valorizada fora do nosso país”, avaliou.

Apesar disso, o músico defende que o reconhecimento deve começar dentro de casa, com maior incentivo às expressões culturais locais.

“A gente tem que valorizar primeiro o que é nosso: nossa casa, nosso bairro, nossa cultura. Depois a valorização vem de fora. Quando a pessoa entende isso, ela cresce e fica forte”, afirmou.

Novos projetos ao retornar para Feira

Ao retornar ao Brasil, Zé das Congas pretende aplicar os conhecimentos adquiridos na Europa em novos projetos sociais e apresentações culturais em Feira de Santana, incluindo atividades ligadas à percussão com materiais recicláveis.

“Quando eu voltar, vamos fazer oficinas com equipamentos novos de material reciclável e também alguns shows, inclusive em eventos como a Micareta e o Novembro Negro. A gente tem uma agenda boa aí pra continuar essa difusão rítmica e passar um pouco do conhecimento que estamos aprendendo aqui”, concluiu.

Foto: Arquivo pessoal

*Com informações do repórter JP Miranda

Compartilhar:

Nós utilizamos cookies para aprimorar e personalizar a sua experiência em nosso site. Ao continuar navegando, você concorda em contribuir para os dados estatísticos de melhoria. Conheça nossa Política de Privacidade e consulte nosso Termos de Uso.