Integrantes da Corte classificam as falas como infundadas, enquanto senador afirma que não colocou em dúvida a segurança do sistema eleitoral brasileiro
O discurso do senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), sobre o sistema eleitoral brasileiro provocou forte repercussão entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). As declarações, feitas durante encontro com embaixadores estrangeiros, foram interpretadas por integrantes da Corte como um ataque à credibilidade das urnas eletrônicas.
Segundo informações divulgadas pelo g1, ministros do STF avaliaram que as afirmações do parlamentar são desprovidas de fundamento e podem gerar desconfiança sobre o processo eleitoral brasileiro. Flávio citou um suposto relatório da CIA e fez referência às urnas utilizadas na Venezuela ao abordar suspeitas de fraude naquele país.
Nos bastidores do Supremo, as falas foram recebidas com preocupação. O ministro Gilmar Mendes classificou as declarações como "graves" e "absurdas", reforçando que o sistema eletrônico de votação do Brasil é considerado seguro e confiável.
Ainda de acordo com o magistrado, utilizar episódios e documentos relacionados a outros países para questionar as eleições brasileiras representa uma tentativa inadequada de colocar em dúvida um sistema desenvolvido e administrado exclusivamente pela Justiça Eleitoral.
Após a repercussão, Flávio Bolsonaro divulgou uma nota oficial afirmando que, em nenhum momento, questionou a integridade das urnas eletrônicas brasileiras. O senador declarou que apenas mencionou informações relacionadas ao caso venezuelano e negou ter colocado em xeque a lisura das eleições no Brasil.
Durante o encontro realizado na terça-feira (21), organizado pelo site The Brazilian Report e pela agência Novo Selo Comunicação, o parlamentar afirmou que uma das suspeitas envolvendo as eleições venezuelanas de 2010 estaria ligada à empresa Smartmatic. Na ocasião, também mencionou, de forma equivocada, que equipamentos utilizados no Brasil teriam a mesma origem da empresa.
Essa informação já havia sido desmentida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em esclarecimento publicado anteriormente, a Justiça Eleitoral informou que a Smartmatic não fornece urnas eletrônicas nem softwares utilizados nas eleições brasileiras. O órgão destaca que todo o projeto, desenvolvimento e gerenciamento do sistema eletrônico de votação são realizados exclusivamente pela própria Justiça Eleitoral.