Segundo Dr. João Uzzum, investigação identificou atuação de organização criminosa especializada em fraudes com empréstimos consignados e lavagem de dinheiro
A investigação da Operação Old Scam, deflagrada pela Polícia Civil em Feira de Santana, pode alcançar um número ainda maior de vítimas do que o identificado até agora. Em entrevista ao portal De Olho na Cidade, após a prisão da principal suspeita do esquema, o delegado João Uzzum, titular da 1ª Delegacia Territorial, afirmou que há fortes indícios de que a organização criminosa atuava há bastante tempo na cidade, lesando principalmente aposentados e pensionistas do INSS.
Segundo o delegado, o trabalho investigativo começou após dezenas de vítimas procurarem a Polícia Civil para registrar boletins de ocorrência e apresentar documentos relacionados aos empréstimos.
"A grande parte dessas vítimas procurou a Polícia Civil, registrou ocorrências, apresentou documentações e representou pela instauração de procedimento. A partir daí, por meio do trabalho de inteligência, especialmente do nosso Laboratório de Lavagem de Dinheiro, fizemos uma análise das movimentações financeiras e da documentação apresentada e chegamos à conclusão de que a investigada integra uma organização criminosa especializada em golpes contra aposentados", explicou.
De acordo com Dr. João, a investigada utilizava a condição de correspondente bancária autorizada para realizar empréstimos consignados. Durante o processo, teria acesso aos dados pessoais dos idosos, reconhecimento facial e demais informações necessárias para contratar operações financeiras em nome das vítimas.
"O grupo se aproveitava da fragilidade emocional e do pouco conhecimento que muitos idosos têm sobre esse tipo de procedimento. Nos empréstimos e refinanciamentos, parte dos recursos, ou até mesmo a totalidade dos valores, ficava em poder da investigada, configurando o crime de estelionato", afirmou.
Embora cerca de 70 vítimas já tenham sido identificadas durante as investigações, o delegado acredita que o número real seja superior.
"Eu não tenho dúvidas. Temos em torno de 70 vítimas que prestaram depoimento, mas tenho certeza absoluta de que, pelo tempo em que ela atua em Feira de Santana, existem outras vítimas. Convoco essas pessoas que fizeram empréstimos e não receberam os valores a procurarem a Polícia Civil. Isso é muito importante", destacou.
As investigações apontam prejuízos superiores a R$ 500 mil, podendo chegar a cerca de R$ 600 mil, conforme a evolução dos levantamentos financeiros.
Além do estelionato, a Polícia Civil também apura o crime de lavagem de dinheiro. Conforme o delegado, os valores obtidos com as fraudes eram distribuídos entre diversas contas bancárias para dificultar o rastreamento.
"Posteriormente, essas quantias eram pulverizadas em outras contas, caracterizando assim a lavagem de dinheiro", explicou.
Dr. João informou que as investigações continuam para identificar outros integrantes do grupo criminoso e ampliar o rastreamento financeiro.
"Estamos procedendo ao interrogatório da acusada, que será submetida à audiência de custódia. No tocante à investigação, outras pessoas ainda serão ouvidas, além da continuidade das análises fiscais e bancárias", disse.
Segundo o delegado, a mulher presa já havia sido investigada anteriormente por delitos da mesma natureza e chegou a ser beneficiada por um acordo de não persecução penal.
"Ela já respondeu por crime dessa mesma natureza recentemente e foi beneficiada por um acordo de não persecução penal. Agora, a investigação caminha no sentido de ela estar na condição de reincidente", concluiu.