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Deyvid Bacelar critica Datafolha por divulgar pesquisa sem considerar o áudio de Flávio Bolsonaro e Vorcaro

Dirigente do PT e pré-candidato a deputado federal afirma que instituto ignorou impacto político de áudio divulgado pelo Intercept e questiona momento da divulgação da pesquisa

Redação: Victória Silva
domingo, 17 de maio de 2026 às 12:54
Imagem de Deyvid Bacelar critica Datafolha por divulgar pesquisa sem considerar o áudio de Flávio Bolsonaro e Vorcaro
Foto: Reprodução

O diretor nacional do Partido dos Trabalhadores (PT) e pré-candidato a deputado federal Deyvid Bacelar criticou duramente o instituto Datafolha por divulgar uma pesquisa eleitoral que deixou de considerar os efeitos devastadores do áudio, divulgado pelo Intercept, em que o candidato Flávio Bolsonaro pede R$ 134 milhões a Daniel Vorcaro.

“Embora o Instituto tenha feito a ressalva de que a pesquisa foi realizada antes do escândalo, o efeito junto à opinião pública é o de que o candidato bolsonarista permanece empatado com Lula num eventual segundo turno, mesmo após a revelação dos crimes cometidos por ele. Isso é uma fraude. O instituto deveria ter segurado a pesquisa e apresentar um retrato verdadeiro à população, até porque é considerado um instituto sério”, defendeu Bacelar.

“O eleitor médio não lê nota de rodapé com a ressalva sobre a data da pesquisa de campo. Ele vê a manchete: ‘Flávio empatado com Lula’. É isso que blinda o candidato.”

Para o sindicalista licenciado, o resultado da pesquisa será usado pelos bolsonaristas para influenciar artificialmente o eleitor, principalmente porque o Instituto Datafolha desconsiderou um fato novo relevante que muda a intenção de voto.

“Todos sabemos do compromisso da grande imprensa, principalmente do Grupo Folha, com as candidaturas de direita e extrema-direita. Se o Datafolha decidiu omitir o crime cometido por Flávio Bolsonaro e soltou essa pesquisa favorável a ele, três dias após o escândalo, o objetivo claro é o de blindar o candidato”, ressalta Bacelar.

Pela jurisprudência do TSE, se a pesquisa de campo foi feita antes do áudio vazar, o resultado reflete a opinião pré-áudio, o que é considerado normal, até porque os institutos não têm dever legal de refazer pesquisa a cada notícia. Na avaliação de Bacelar, no entanto, a divulgação do áudio teve efeito devastador na campanha de Flávio Bolsonaro, por isso deveria ter partido do próprio Datafolha a decisão de não divulgar a pesquisa, que não traz um retrato fiel da opinião do eleitorado.

“Um dos questionamentos que fazemos é se o Datafolha manipulou a data para não pegar essa repercussão, a mando de campanha. Toda pesquisa grande interfere no voto, nós sabemos que o eleitor vota em quem tá ganhando pra não perder voto. Se o Datafolha mostra determinado candidato na frente, parte do eleitor que não gosta desse candidato migra pro 2º colocado pra tentar 2º turno, apostando em um outro com mais capacidade de vencer o seu adversário político. Ou seja: divulgar pesquisa sempre interfere. Por isso que a legislação obriga registro e metodologia. Se sabemos que vai interferir, que interfira com dado real, não inventado”.

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