O dirigente alertou para a necessidade de o Brasil se antecipar a uma futura queda na produção do pré-sal.
O presidente da Federação Única dos Petroleiros (FUP) e membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável da Presidência da República, Deyvid Bacelar, destacou a importância da Margem Equatorial para o futuro energético e econômico do Brasil. Em entrevista, ele afirmou que a região representa uma das maiores oportunidades de desenvolvimento do país nas próximas décadas.
Segundo Bacelar, a Margem Equatorial — que se estende do Amapá ao Rio Grande do Norte — possui um potencial estimado de 30 bilhões de barris de petróleo, de acordo com estudos de geólogos da Petrobras.
“Estamos falando de uma reserva petrolífera importantíssima para o desenvolvimento econômico, social e sustentável do Brasil. Essa riqueza pode garantir nossa soberania energética e ajudar a reduzir desigualdades históricas entre as regiões do país”, afirmou.
O dirigente alertou para a necessidade de o Brasil se antecipar a uma futura queda na produção do pré-sal.
“O pré-sal hoje corresponde a 78% de toda a produção de petróleo no Brasil, mas a partir de 2032 entrará em curva de declínio. Se nada for feito, o país, que hoje é exportador, pode voltar a ser importador de petróleo até 2036”, explicou.
Bacelar ressaltou ainda que o desenvolvimento da Margem Equatorial poderá impulsionar a economia do Norte e do Nordeste, regiões que, segundo ele, “ainda concentram os piores índices de desenvolvimento do país”. Para o líder sindical, os recursos oriundos da exploração devem ser aplicados de forma a fomentar a industrialização, a pesquisa científica e a geração de empregos locais.
“Queremos que essa riqueza ajude na indução da indústria, nos investimentos em pesquisa e tecnologia nas universidades públicas e na geração de emprego e renda. É uma oportunidade de fazer justiça social e regional”, afirmou.
O presidente da FUP também defendeu que a exploração seja feita com responsabilidade ambiental e diálogo social, envolvendo comunidades indígenas, ribeirinhas e quilombolas.
“Precisamos garantir que o desenvolvimento seja sustentável, com projetos socioambientais executados por essas próprias comunidades, fortalecendo uma bioeconomia local e protegendo nossos biomas como a Amazônia, a Caatinga e a Mata Atlântica”, pontuou.
Bacelar citou os exemplos de Guiana e Suriname, países vizinhos que já exploram a Margem Equatorial e apresentam forte crescimento econômico.
“A apenas 70 quilômetros do Amapá, Suriname e Guiana já produzem petróleo em grandes quantidades, estão crescendo acima da média da América Latina e, ao mesmo tempo, preservam suas florestas. Isso mostra que é possível conciliar desenvolvimento com sustentabilidade”, destacou.
Por fim, o dirigente cobrou celeridade no processo de licenciamento ambiental para que a Petrobras possa iniciar as perfurações na região.
“Está na hora de o Ibama liberar esse licenciamento para que a Petrobras avance nos estudos. Da exploração até a produção são cerca de cinco a seis anos, tempo que precisamos começar a contar agora”, afirmou.
“A Margem Equatorial é fundamental não apenas para o desenvolvimento econômico, mas também para o desenvolvimento social e sustentável do Brasil, especialmente do Norte e Nordeste. É uma oportunidade que o país não pode desperdiçar”, concluiu Bacelar.