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Deyvid Bacelar quer garantir uma transição energética justa na Bahia

Segundo ele, parques de energia eólica e solar não podem ocupar a terra onde são produzidos alimentos agrícolas

Victória SilvaRedação: Victória Silva
sexta-feira, 07 de agosto de 2026 às 17:37
Imagem de Deyvid Bacelar quer garantir uma transição energética justa na Bahia

A frase “quando o campo não planta, a cidade não janta”, proferida por nove entre dez agricultores familiares em cidades do semiárido baiano, foi incorporada à campanha a deputado federal do sindicalista licenciado da Federação Única dos Petroleiros e Petroleiras (FUP), Deyvid Bacelar, para quem é fundamental garantir uma transição energética justa no estado da Bahia.

“A transição energética precisa realmente ser justa. Não faz sentido que grandes áreas territoriais sejam compradas por empresas estrangeiras, prejudicando famílias de agricultores familiares que estão deixando de produzir”, destacou Bacelar. “É preciso garantir contrapartidas para essas comunidades que estão instaladas em municípios baianos há centenas de anos, produzindo alimentos para a nossa sobrevivência e para a sua própria subsistência”.

Ex-membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável (CDESS) do governo Lula, o sindicalista lembrou que a instalação das placas de energia solar, por exemplo, causa grande impacto no campo, tornando muitas vezes improdutivas as terras onde são implantadas.

“A instalação de placas fotovoltaicas pode limitar o uso do solo para outras atividades agrícolas ou pecuárias”, explica Bacelar. “No caso das eólicas, esses grandes parques só geram empregos durante a instalação das grandes torres. Na Bahia, especialmente no Velho Chico, Caatinga e Chapada Diamantina, isso tem sido motivo de conflito”, diz o candidato a deputado federal pelo Partido dos Trabalhadores.

Segundo ele, para levar as pás de 80 metros, as empresas abrem estradas largas e fazem “platôs” de terra batida para cada torre, comprometendo cerca de dois hectares da propriedade do agricultor familiar.

“Quando a estrada corta o meio, dificulta o acesso ao roçado, ao curral, à água. Gado e trator não passam igual”, afirmou.

Outra crítica feita pelo sindicalista é que os contratos são longos. Segundo ele, o arrendamento pode durar de 30 a 35 anos, deixando a terra “presa” durante esse período.

“A construção usa muita água para compactar estrada e fazer concreto. Em região de semiárido isso pesa. Agricultores relatam que a vibração das máquinas e a compactação do solo afetam nascentes e cacimbas próximas, além do fato de que a terra batida gera poeira que cai na plantação de feijão, mandioca e milho e os prejudica”, declarou.

De acordo com agricultores citados por Bacelar, o aluguel pago por torre varia entre R$ 2 mil e R$ 8 mil por ano.

“O contrato é feito com a empresa. O agricultor assina sem assistência jurídica e depois não pode plantar, criar ou construir perto da torre e da linha de transmissão”, denuncia.

A questão ambiental é outro ponto que, segundo Bacelar, carece de fiscalização e regulamentação.

“Para levar a energia, derruba-se mais mata e cerca para passar a rede de alta tensão. O barulho e a sombra rotativa das pás espantam abelha, galinha caipira e gado em algumas propriedades”, afirmou.

Bacelar também criticou a atuação de empresas instaladas na Bahia na exploração de recursos naturais.

“A maioria das empresas instaladas na Bahia está explorando riquezas, como o minério, sem deixar nenhuma contrapartida ou riqueza para as comunidades. Não há até agora projetos sociais nem ambientais que compensem os prejuízos que os trabalhadores e agricultores estão tendo”, avaliou.

Apesar das críticas, Bacelar ressaltou que o Brasil precisa assumir o protagonismo na produção mundial de energias renováveis. Ele citou municípios baianos que se destacam na geração de energia eólica.

“Estive em Caetité e em Guanambi, onde há mais de mil torres eólicas gerando energia e fazendo com que a Bahia se destaque nacionalmente como a maior produtora de energia eólica do país”, disse.

“Mas precisamos garantir que os parques eólicos e solares contribuam efetivamente para a economia local por meio da geração de empregos, programas socioambientais ou mesmo investimentos em infraestrutura”, frisou Bacelar.

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