Meteorologista do Inema explica que fenômeno pode influenciar condições marítimas e trazer ventos mais intensos associados à passagem de frentes frias
A formação de um ciclone bomba na região Sul do Brasil despertou a atenção dos moradores de diversas partes do país e levantou dúvidas sobre a possibilidade de impactos na Bahia. Segundo especialistas, o fenômeno não deve atingir diretamente o estado, mas alguns efeitos indiretos podem ser percebidos, principalmente no litoral.
Em entrevista ao portal De Olho na Cidade, o meteorologista do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), Thiago Barros, explicou que o chamado ciclone bomba recebe essa denominação devido à rápida queda da pressão atmosférica em seu centro.
“Um ciclone é uma região de baixa pressão, onde existe um gradiente de pressão. Quanto mais próximo do centro, menor é essa pressão atmosférica. O ciclone bomba é caracterizado justamente pela queda abrupta da pressão em um período de 24 horas”, explicou.
De acordo com o meteorologista, essa redução acelerada da pressão faz com que o sistema tenha uma formação muito intensa, podendo gerar ventos fortes próximos ao seu centro de atuação.
“Quando a pressão cai muito rápido nesse intervalo, a gente chama de bomba porque a formação costuma ser muito intensa e provocar rajadas de vento muito fortes na região central do sistema”, destacou.
Apesar da intensidade do fenômeno, Thiago afirmou que não há previsão de chegada direta do ciclone bomba ao Nordeste. Segundo ele, os principais efeitos relacionados ao núcleo do sistema devem permanecer concentrados em áreas mais próximas ao Sul e Sudeste do país.
“Não há possibilidade do impacto direto dele no Nordeste. Os impactos relacionados ao centro do sistema e às chuvas associadas a essa região são descartados principalmente aqui na Bahia”, afirmou.
O meteorologista explicou, no entanto, que a formação do ciclone pode causar alterações nas condições do mar. Caso o sistema se aproxime de áreas como São Paulo e Rio de Janeiro, pode influenciar a circulação marítima e provocar mudanças no litoral baiano.
“O que pode acontecer é que, quando o ciclone bomba se forma próximo à região de São Paulo e Rio de Janeiro, ele pode interferir na questão marítima, provocando aumento das ondas ou até ressaca no litoral da Bahia”, disse.
Outro possível reflexo está relacionado à atuação de frentes frias associadas aos ciclones extratropicais. Mesmo distante do centro do fenômeno, essas mudanças podem alcançar o estado e provocar alterações no tempo.
“Como existem ciclones extratropicais que estão associados a frentes frias, regiões de choque de massas de ar, pode ser que essas frentes atinjam nossas latitudes e tragam um pouco de vento e chuva”, explicou.
Segundo Thiago, quando esses sistemas chegam à Bahia, o centro do ciclone geralmente está muito distante, muitas vezes em alto-mar.
“Muitas vezes essa distância supera os três mil quilômetros. Então, o que chega até a nossa região são apenas alguns efeitos indiretos, como mudanças no vento e na nebulosidade”, ressaltou.
O meteorologista ainda orientou a população a acompanhar os comunicados oficiais e ficar atenta a possíveis mudanças nas condições climáticas.
“A recomendação é sempre acompanhar os alertas da Defesa Civil da localidade, buscar informações em órgãos oficiais e ficar em alerta para rajadas de vento mais intensas”, orientou.
Ele também destacou que chuvas acompanhadas de ventos fortes, raios ou até queda de granizo podem representar riscos à população.
“Essas condições podem provocar queda de galhos, árvores e outros problemas, colocando a população em situação de risco”, alertou.
A orientação é que os moradores acompanhem os avisos divulgados por órgãos como a Defesa Civil e o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).