A Dezembrite é uma sobrecarga emocional acumulada ao longo do ano, que se intensifica em dezembro, quando a pessoa tenta resolver tudo de uma vez
A chegada de dezembro costuma ser associada a luzes, confraternizações e expectativas renovadas. No entanto, para muitas pessoas, o último mês do ano também marca um período de intenso cansaço emocional, ansiedade e a sensação constante de que “não está dando conta”. Esse fenômeno tem ganhado um nome cada vez mais citado: Dezembrite.
O tema foi abordado em entrevista com o psicoterapeuta e especialista em hipnose clínica Diego Vildeberg, que explicou como o fechamento de ciclos, a cobrança por metas não cumpridas e a pressão social típica do fim do ano impactam diretamente a saúde mental.

“Durante o ano a gente passa por desafios, autocobranças e, quando chega dezembro, é o momento de prestar contas para nós mesmos. A pessoa começa a se perguntar: será que eu fiz tudo o que queria? Será que foi suficiente? Isso gera um estado de estresse que se manifesta em irritabilidade, insônia, lapsos de memória e dificuldade nos relacionamentos”, explicou Diego.
Segundo o especialista, a Dezembrite é uma sobrecarga emocional acumulada ao longo do ano, que se intensifica em dezembro, quando a pessoa tenta resolver tudo de uma vez, inclusive aquilo que não conseguiu fazer nos meses anteriores.
“É como se a pessoa quisesse dar conta, em quinze dias, de tudo que não conseguiu fazer no ano inteiro. Isso não é justo com ela mesma”, alertou.
Diego também destacou o impacto negativo das redes sociais nesse período, quando comparações se tornam ainda mais frequentes.
“A gente olha o palco da vida dos outros e compara com o nosso bastidor. Isso não é justo. Muitas vezes a pessoa está apenas produzindo conteúdo, não necessariamente vivendo aquilo que mostra”, afirmou.
Ele reforçou que nem tudo que aparece nas redes reflete a realidade: “Depois que a câmera desliga, como será que essa pessoa está se sentindo? Às vezes um casal parece feliz nas redes, mas nos bastidores a história é outra”.
Durante a entrevista, o psicoterapeuta explicou a diferença entre felicidade e alegria, conceitos que costumam ser confundidos.
“A alegria é pontual, é uma emoção momentânea. Já a felicidade é sobre a jornada, é a média das experiências positivas e dos aprendizados ao longo do tempo. A felicidade não é o troféu, é o caminho”, disse.
Ele acrescentou que é possível estar triste em determinado momento e ainda assim ser uma pessoa feliz, pois a felicidade está ligada ao processo de vida e não apenas às emoções imediatas.
Entre os principais sinais de alerta estão:
“Esses sintomas estão diretamente ligados ao estresse e à sobrecarga emocional”, explicou Diego.
Para o especialista, reconhecer e nomear o que se está sentindo é fundamental para lidar melhor com o período.
“Quando eu dou nome à emoção, eu começo a entender o que ela quer me dizer. Emoções não são boas nem ruins, elas servem para nos proteger”, afirmou.
Ele destacou ainda que sentimentos como ansiedade estão quase sempre associados ao medo:
“Ansiedade é medo do futuro, medo de não dar conta, de não realizar um sonho”.
Uma das reflexões mais marcantes da entrevista foi a ideia de que a felicidade pode ser desenvolvida.
“Felicidade é uma competência treinável. Ela não é uma emoção, mas o resultado da forma como a gente racionaliza os processos da vida”, explicou.
Segundo Diego, a ciência da felicidade é aplicada inclusive em empresas, para melhorar clima organizacional, produtividade e saúde mental dos colaboradores.
Como orientação prática para quem está emocionalmente esgotado, o psicoterapeuta propôs um exercício simples:
“Pegue papel e caneta e anote cinco coisas que deram certo no ano e cinco coisas que não deram certo, mas que trouxeram aprendizado. Você vai perceber que realizou muito mais do que imagina”, orientou.
Ele reforçou a importância de não acreditar cegamente nos próprios pensamentos: “Nossos pensamentos mentem. Quando a gente acredita neles sem questionar, a autoestima cai e a tristeza aumenta”.
Diego destacou a importância de desacelerar e praticar o que chamou de “nadismo”.
“As maiores soluções surgem quando a gente para de tentar resolver tudo. É no momento do banho, da caminhada, do silêncio, que as respostas aparecem”, afirmou.
Diego Vildeberg atende em Feira de Santana, às quintas-feiras, na Clínica Felicitá, no edifício Charmant.
Mais informações podem ser obtidas pelo Instagram @diego.vildeberg.
Ao final, o psicoterapeuta deixou uma mensagem de reflexão: “Que neste fim de ano as pessoas consigam desacelerar, contemplar a natureza, a família e aquilo que realmente importa. Saúde mental também é prioridade”.