11/08/2026
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Dia dos Pais: Entre o amor e os limites, o desafio de formar filhos em um mundo em transformação

Em roda de conversa especial, doutores João Batista e Germano Lefundes refletiram sobre os desafios da paternidade na atualidade e defenderam a preservação de valores dentro da família

Victória SilvaRedação: Victória Silva
domingo, 09 de agosto de 2026 às 07:00
Imagem de Dia dos Pais: Entre o amor e os limites, o desafio de formar filhos em um mundo em transformação

A paternidade foi tema de uma roda de conversa especial realizada pelo Jornal do Meio Dia, apresentado por Jorge Biancchi, em alusão ao Dia dos Pais. O encontro reuniu o médico urologista Dr. João Batista e o médico cardiologista Dr. Germano Lefundes, que compartilharam experiências pessoais e refletiram sobre os desafios de ser pai em uma sociedade marcada por rápidas transformações, pelo avanço da tecnologia e pela influência das redes sociais.

Na abertura do programa, Jorge Biancchi destacou a dimensão da responsabilidade de ser pai e classificou a paternidade como uma das missões mais importantes recebidas pelo homem.

“Uma vez pai, pai para sempre. Independente do filho ser criança, adolescente ou adulto, recebemos essa missão de Deus. É um privilégio ser pai”, afirmou.

Valores que atravessam gerações

Um dos principais assuntos discutidos foi a mudança dos costumes ao longo das décadas e a percepção de que alguns valores tradicionais estariam perdendo espaço na sociedade.

Para o Dr. João Batista, apesar das transformações sociais, princípios como honestidade, ética, respeito e responsabilidade continuam sendo fundamentais.

“O que nós estamos observando é que houve uma mudança na sociedade, mas essas mudanças não invalidam os princípios morais que devem nortear a vida dos homens, da família, da mulher e dos filhos”, destacou.

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O médico também defendeu que a melhor forma de transmitir valores aos filhos não é apenas por meio de discursos, mas principalmente pelo comportamento dos pais.

“As palavras desaparecem, mas o exemplo fica. Não adianta dizer para o filho não roubar, não mentir e ser honesto se o pai não pratica isso. O exemplo vale muito mais do que as palavras”, afirmou.

Dr. João aproveitou ainda para homenagear o próprio pai, Francisco Dantas de Cerqueira, já falecido, mas cujo legado, segundo ele, permanece presente em sua formação.

“Ele nos deixou fisicamente há cerca de 14 anos, mas o seu legado moral, os valores com que ele nos educou, perduram e continuam na nossa família”, declarou.

O exemplo dos pais na formação dos filhos

O cardiologista Germano Lefundes também destacou a importância do exemplo recebido dentro de casa. Ele citou o pai, Valdenor Brandão, como sua principal referência de vida.

“Meu pai foi o meu grande ídolo. Ele é o meu grande exemplo e continua sendo pelas suas ações. Não era um homem apenas de falar, de orientar. Era um homem que mostrava, que executava aquilo que dizia. E isso tem um valor enorme”, contou.

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Pai de dois filhos, Benício, de 11 anos, e Dália, de 6, Dr. Germano afirmou que procura transmitir às crianças os ensinamentos que recebeu, mas também reconhece que cada geração enfrenta novos desafios.

“O exemplo que nossa família, nosso pai e nossa mãe nos trazem tem um valor inestimável, mas a gente pode aperfeiçoar isso e fazer com que nossos filhos recebam ainda mais exemplos bons”, explicou.

Para ele, a família exerce papel fundamental na formação de uma sociedade mais equilibrada.

“A família tem um papel enorme para que a nossa sociedade evolua de maneira harmônica”, afirmou.

Redes sociais aumentam os desafios da paternidade

Outro ponto de destaque na conversa foi a influência das redes sociais e da tecnologia na criação de crianças e adolescentes.

Dr. Germano lembrou que, na infância, havia maior proximidade entre pais, filhos, amigos e vizinhança. Hoje, segundo ele, o ambiente digital abriu uma porta para um mundo que muitas vezes é desconhecido pelos próprios pais.

“É muito fácil hoje para uma criança se perder no mundo estando dentro do próprio quarto com o celular na mão. Entendo que esse é um grande desafio”, alertou.

O médico ponderou, entretanto, que a tecnologia não deve ser completamente proibida, mas utilizada com regras e acompanhamento.

“A tecnologia traz coisas muito boas, muito positivas. Não acho que a gente deva privar uma criança ou um adolescente completamente desse contato. Mas, para cada faixa etária, precisamos definir limites bem estabelecidos”, explicou.

Dr. Germano contou que os próprios filhos ainda não possuem celular pessoal. Segundo ele, as crianças utilizam aparelhos dos pais quando necessário, especialmente para atividades escolares, permitindo um maior acompanhamento.

“Nós temos recursos hoje que permitem que um pai gerencie o celular de um filho. Meus filhos não têm um celular próprio. Eles usam um aparelho que é meu. É uma estratégia que encontrei para manter o controle”, relatou.

Limites também fazem parte da educação

Para Dr. João, estabelecer limites é uma das principais responsabilidades dos pais, independentemente da época.

“Estabelecer limites é fundamental dentro da família. O pai e a mãe têm que estabelecer limites para a sua prole. Isso valeu para a nossa infância e vale para a infância atual”, afirmou.

O médico defendeu que os pais não devem transferir para a sociedade ou para a internet a responsabilidade pela formação dos filhos.

“O pai e a mãe têm uma função educativa. Se nós não fizermos isso dentro de casa e deixarmos que o mundo estabeleça os limites, o preço que o mundo cobra é muito caro”, declarou.

Dr. João também ressaltou que a maneira de estabelecer limites mudou com o passar das gerações. Segundo ele, práticas utilizadas no passado não são necessariamente adequadas atualmente, mas a necessidade de orientar e estabelecer regras permanece.

“Hoje não precisamos educar fisicamente. Mas precisamos estabelecer limites. Não podemos abrir mão disso”, afirmou.

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Pais presentes também precisam participar da criação

A conversa também abordou um fenômeno que vai além da ausência física: pais que estão dentro de casa, mas participam pouco da rotina e da formação dos filhos.

Dr. Germano chamou atenção para esse comportamento e destacou que a presença paterna precisa ser acompanhada de participação efetiva.

“Nós vivemos hoje um paradoxo: são pais presentes nos lares e ausentes da criação dos filhos. É importante que os pais estejam presentes de fato, que deem exemplo, que limitem o próprio uso do celular e que interajam com seus filhos”, afirmou.

O cardiologista citou uma experiência com a própria filha para demonstrar a força do comportamento dos pais.

“Minha filha tem seis anos. Ela me vê fazendo atividade física e fica fazendo atividade física comigo, repetindo aquilo que estou fazendo. Isso mostra a força que o exemplo tem”, contou.

Separação não deve significar abandono da paternidade

Durante o debate, os médicos também falaram sobre a ausência paterna e os impactos que ela pode provocar na formação dos filhos.

Dr. João destacou que mesmo quando um relacionamento termina, a responsabilidade de ser pai permanece.

“Não é obrigatório o indivíduo casar e continuar. Se houver um problema, lamentavelmente é sempre ruim ver uma família ser desfeita. Mas, mesmo que você se separe da sua esposa, não abra mão de continuar sendo pai, porque você vai ser pai eternamente”, afirmou.

Segundo ele, a presença do pai não elimina todos os problemas que podem surgir na vida dos filhos, mas aumenta a possibilidade de orientação e acompanhamento.

“Não é que o pai presente evite integralmente que tenhamos problemas, mas aquele que está presente, com certeza, estará orientando os seus filhos e terá uma família muito mais harmônica”, destacou.

Honrar pai e mãe

No encerramento da conversa, Jorge Biancchi trouxe para o debate um ensinamento bíblico sobre a relação entre pais e filhos. Ele citou o livro de Êxodo, capítulo 20, que orienta: “Honra teu pai e tua mãe”.

Biancchi ressaltou que o ensinamento também pode ser compreendido diante das relações familiares marcadas por conflitos e dificuldades.

“Às vezes, são feridas causadas pelos pais, mas, se você não quebrar isso, vai passando de um para o outro. Seu filho observa como você trata o seu pai e pode repetir esse comportamento”, refletiu.

Para Dr. João, a preservação de valores e princípios pode contribuir para fortalecer as famílias diante dos desafios contemporâneos.

“Se nós resgatarmos e cultuarmos os valores cristãos, com certeza teremos uma família muito mais harmônica, muito mais equilibrada e menos vulnerável às provocações e facilidades que o mundo moderno oferece”, afirmou.

Dr. Germano Lefundes destacou a importância de acompanhar de perto o crescimento dos filhos.

“A paternidade foi uma das melhores coisas que já aconteceram na minha vida, diria até que a melhor. É uma missão de vida, um propósito que tenho de educar meus filhos, levando os valores cristãos para a vida deles e participando ativamente das suas vidas”, declarou.

O médico também homenageou o próprio pai e desejou um Feliz Dia dos Pais a todos os ouvintes.

“Meu pai é o meu grande herói, meu grande exemplo. Agradeço a Deus por ainda tê-lo perto de mim, convivendo comigo e trazendo exemplos. A paternidade é uma bênção, uma dádiva que nos foi permitida por Deus, e precisamos aperfeiçoar cada vez mais esse processo”, concluiu.

Para Jorge Biancchi, a experiência de ser pai também passa por diferentes fases, exigindo paciência, sabedoria e capacidade de adaptação.

“Uma vez pai, para sempre. A responsabilidade vai mudando apenas de fases. Quando o filho é pequeno, a gente é um herói; depois vira um conselheiro. E tem uma fase em que os filhos acham que a gente não sabe muita coisa. Mas depois eles vão descobrindo e reconhecendo a sabedoria do velho pai”, afirmou.

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