Investigação apura possíveis conexões entre envolvidos na Operação Carbono Oculto e problemas na concessão de complexo esportivo em Mar del Plata
O caso envolvendo o Banco Master ganhou um novo capítulo fora do Brasil. Autoridades argentinas avaliam possíveis vínculos entre pessoas investigadas na Operação Carbono Oculto e suspeitas relacionadas à concessão de um importante complexo esportivo de Mar del Plata, cidade onde a Seleção Brasileira disputou três partidas durante a Copa do Mundo de 1978.
A apuração pode resultar em uma cooperação entre o Ministério Público da Argentina e a Polícia Federal brasileira. As informações foram divulgadas pelo colunista Demétrio Vecchioli, do Metrópoles.
No centro da investigação está a concessão do Parque Municipal de los Deportes Teodoro Bronzini, que reúne o Estádio José María Minella e o ginásio Islas Malvinas. O projeto envolve a empresa brasileira Revee, ligada à Reag, além de uma sociedade argentina associada a antigos dirigentes do Banfield.
Um dos pontos que despertaram a atenção das autoridades é o financiamento concedido pelo Banco Master à Revee. A instituição liberou um empréstimo de R$ 450 milhões, valor que teria sido utilizado pela empresa como demonstração de capacidade financeira durante o processo de licitação do complexo esportivo.
A concessão foi formalizada em julho de 2025. A proposta apresentada previa investimentos de US$ 40 milhões para modernizar o estádio, com a transformação do espaço em uma arena com capacidade para 35 mil pessoas e padrão exigido pela Fifa, além da recuperação do ginásio.
A situação, porém, teria se agravado depois da transferência da administração. O Estádio José María Minella chegou a ter o fornecimento de energia interrompido por falta de pagamento. Também foram acumuladas dívidas com fornecedores e trabalhadores, estimadas em aproximadamente R$ 5 milhões.
A relação com as apurações brasileiras ganhou força após a Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto de 2025. Entre os alvos da ação estava João Carlos Mansur, presidente do conselho de administração da Revee.
Do lado argentino, Eduardo Spinosa, ex-presidente do Banfield e integrante da empresa responsável pela administração do complexo esportivo, também passou a ser citado no âmbito das investigações.
O empreendimento ainda aparece no chamado caso Sur Finanzas, investigação que envolve suspeitas de lavagem de dinheiro, desvio de recursos e fraude bancária. A apuração argentina também examina possíveis irregularidades envolvendo a Associação de Futebol Argentina (AFA) e dirigentes ligados ao futebol.
Diante das coincidências entre os nomes e operações financeiras analisadas nos dois países, o Ministério Público argentino recebeu um pedido para estabelecer cooperação judicial com as autoridades brasileiras. A intenção é cruzar documentos e informações que possam ajudar a esclarecer eventuais conexões entre os casos.
Até o momento, segundo a publicação, os procuradores argentinos ainda não haviam apresentado resposta ao pedido de cooperação.